Por que estamos tão esquecidos? Lapsos de memória, um problema que acomete grande parte da população


14/06/2015   -   às 07h49   -    Foto: Campos 24 Horas Andressa 1406 capaArtigo Andressa Amaral Neuropsicopedagoga Hoje vamos falar de um assunto que tem estado em pauta nas escolas, nas famílias, nas relações trabalhistas e até mesmo do indivíduo consigo mesmo: “Por quais razões estamos esquecendo tanto?”. As questões relacionadas à memória, tem de fato, sido constantes na vida das pessoas.  Mas, Porque será que por vezes esquecemos o que íamos fazer na cozinha? Ou simplesmente não conseguimos lembrar o número de um telefone que usamos sempre, ou até mesmo, temos tantos lapsos momentâneos de memória do tipo: “ nossa... eu ia te perguntar alguma coisa, mas esqueci”, e ainda... principalmente em relação à população estudantil, “ ai, estudei isso ontem e não consigo lembrar...”? Antes de entendermos os motivos que podem nos levar a lapsos ou déficits de memória, é preciso que observemos o contexto social no qual estamos inseridos, visto que fazemos parte de uma sociedade que se dinamiza a cada dia, em cujas atividades se tornam mais intensas e instantâneas, ou seja, estamos imersos em uma realidade instantânea, globalizada, em que somos obrigados a fazer várias coisas ao mesmo tempo: como por exemplo: tomar café, arrumar os filhos para levar para a escola, falar ao telefone para comandar ações, dentre outras. Mas, como será que nosso cérebro, em caso de adultos, responde a esse dinamismo social que nos impõe uma aceleração natural, uma rotina de trabalho exaustiva, horas de sono reduzidas e ainda uma carga de trabalho também turbulenta? E vamos além, como será que o cérebro de uma criança, que há tempos atrás vivia em condições de sonos regulares, atividades diárias regradas, muita recreação... Como será que reage o cérebro de uma criança que hoje dorme pouco, tem uma carga horária escolar integral em função da necessidade dos pais trabalharem, ficou horas imersas em jogos eletrônicos, não fazem atividade física, não extravasam energia? Inúmeros são os questionamentos, mas o fato é que nosso cérebro em se tratando de memória, as que mais se destacam são a  memória de longo prazo, a que nos faz armazenar informações, guardar lembranças, reter detalhes, e a memória operacional que nos permite resgatar, selecionar e utilizar as informações necessárias, pois o esquecimento já se sabe que é importante.  Imaginem se guardássemos todos os estímulos que recebemos? Seria algo impossível.  Portanto, esta memória seletiva, operacional é que permite que consigamos por exemplo, lembrar do número de um telefone, escolher em nosso cérebro as principais atividades que teremos que desenvolver no dia, lembrar do conteúdo estudado para a prova no dia anterior... Ocorre que, pelos motivos expostos acima, pela dinâmica da vida social, estamos vivendo uma realidade de uma população esquecida, com lapsos frequentes de memória, de crianças dispersas que esquecem com muita facilidade, e nestes casos geralmente por déficits atencionais. Porém, além dos fatores sociais é importante que saibamos que nossas estruturas cerebrais precisam ser ativadas da forma adequada para que tenhamos uma boa qualidade de vida. Hoje já se sabe que o nosso cérebro não é uma forma física imutável, mas possui uma plasticidade que o torna capaz de se modificar e se reorganizar em um novo processo de adaptação.  Ou seja, é preciso que as redes neuronais estejam sempre sendo estimuladas para que não haja atrofia e consequentemente problemas em seu funcionamento. Desta forma, assim como um carro, que se ficar parado muito tempo irá apresentar diversos problemas em seu funcionamento, nosso cérebro precisa ser ativado.  Mas, um carro funciona com combustível impróprio? O mesmo acontece com nosso cérebro, este precisa funcionar adequadamente.  Ou seja, para que nossa memória operacional funcione adequadamente, consiga selecionar as informações que precisamos e utilizá-las da melhor forma, é preciso que tenhamos acima de tudo, qualidade de vida, ou seja, que tenhamos sonos regulares, que façamos atividades físicas, que desenvolvamos hábitos regulares de leitura, de modo que possamos permitir que esta plasticidade cerebral seja constante. Contudo, existem circunstâncias de lapsos ou problemas relativos à memória, que são oriundos de alguns problemas específicos, como por exemplo: déficit de atenção, transtorno de ansiedade, síndrome do pânico, crises de stress, depressão, dentre outras, que acabam trazendo por consequência problemas de memória.  Nestes casos, não basta simplesmente uma rotina saudável, o que é também muito importante, mas é preciso que estas pessoas sejam acompanhadas por especialistas para que disponham de evolução em seu quadro. Porém, apesar dos problemas relacionados à memória atingirem à grande parte da população, hoje já existem diversos recursos que amenizam consideravelmente tais problemas, dentre eles é possível destacar, os treinamentos específicos para memória operacional, dentre eles, o COGMED, reconhecido mundialmente, além da terapia neurofeedback e biofeedback que tem apresentado resultados fantásticos, assim como ginástica cerebral, fisioterapia funcional, e a própria terapia comportamental que realizadas de forma adequada conseguem resultados muito satisfatórios em pacientes acometidos por problemas relativos à memória operacional. Sendo assim, é importante observar se: · Estamos esquecendo as mesmas coisas com frequência. · Se esquecemos mais quando estamos muito cansados. · Se ficamos ansiosos em função de lapsos de memória. · Se tais esquecimentos tem ocorridos em situações que vivemos a pouco tempo. Se estes forem sintomas aparentes, é preciso ficar atento! (*) Em caso de dúvidas e sugestões, eu e minha equipe estaremos à disposição para responder a todos, através do email: [email protected]. Contatos / Clínica CRIAMSA: / 99886-1239 – CDT (Sala 302)



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