Por que o golpe da troca de chip de celular está tomando de assalto o Brasil?


Imagine estar usando o celular e, de repente, perder o sinal do aparelho. Alguns minutos depois, você descobre que estão se passando por você em todas as suas redes sociais e WhatsApp, e que a sua conta bancária foi esvaziada.

Esse cenário de pesadelo é uma realidade cada vez mais comum no Brasil por conta do rápido crescimento dos casos de fraude conhecidos como troca de chip de celular, ou SIM swap.. (Leia mais abaixo)

O que é o SIM swap e como saber se meu celular foi hackeado

A fraude da troca do chip é um tipo de ataque em que golpistas conseguem convencer uma operadora móvel a transferir o número de telefone da vítima para um cartão SIM controlado por eles. A partir disso, os criminosos podem lesar a pessoa afetada de variadas formas:

• Reconfigurar senhas de serviços online

• Assumir contas de WhatsApp e outras redes sociais

• Se passar pela vítima para aplicar golpes em seus contatos (Leia mais abaixo)

• Receber códigos de verificação únicos

• Acessar sistemas de banco e pagamentos móveis

No caso dos golpes financeiros decorrentes da troca de chip, os danos podem variar consideravelmente. Além de acessar a conta corrente, criminosos podem movimentar investimentos, contratar empréstimos indevidos e transferir o dinheiro para outras contas.

Em muitos casos, redes criminosas complexas promovem a pulverização das quantias em pequenos valores por transferência, o que ajuda a retardar o reconhecimento das fraudes bancárias pelas entidades financeiras, fiscais e policiais. Um exemplo disso foi o caso de uma quadrilha presa em São Paulo depois de movimentar mais de 5 milhões de reais com o golpe do chip.

Para quem se pergunta "como saber se meu celular foi hackeado", sinais como perda repentina de acesso a contas, movimentações financeiras não reconhecidas e atividades suspeitas em aplicativos e redes sociais devem ser encarados como um alerta imediato.. (Leia mais abaixo)

Por que o Brasil está tão vulnerável?

Em geral, o crime virtual é altamente agressivo no Brasil. O SIM swap é apenas mais uma modalidade de golpe dentro de um ecossistema amplo, que se aproveita cada vez mais da centralidade do celular na vida dos cidadãos para se comunicar e transferir valores.

Segundo o IBGE, 88,9% da população tem um celular e uma parcela significativa desses aparelhos são smartphones, capazes de concentrar múltiplas funções sensíveis. Além disso, os planos pré-pagos ainda representam uma fatia relevante do mercado nacional, o que facilita a emissão rápida de chips e contribui para a atuação dos fraudadores.

O golpe também se beneficia de duas outras particularidades do contexto brasileiro: a adesão quase unânime da população ao PIX como meio de pagamento e ao WhatsApp como principal ferramenta de comunicação. Com isso, os criminosos conseguem concentrar seus esforços em apenas dois sistemas amplamente difundidos, ampliando o número de vítimas em potencial.

Como evitar o golpe da troca de chip (Leia mais abaixo)

Um dos grandes desafios impostos pelo SIM swap é o fato de o ataque não depender, ao menos inicialmente, de uma ação direta da vítima. Trata-se de um golpe de engenharia social direcionado ao intermediário - no caso, a operadora de telefonia móvel. Ainda assim, há medidas preventivas que podem reduzir meio da compra de bases de dados vazadas em fóruns clandestinos quanto pela coleta de informações sensíveis que as próprias vítimas compartilham na internet de alguma forma. Por significativamente o risco. Em um primeiro momento, os criminosos levantam dados de identificação da vítima. Isso é possível tanto por isso, a adoção de hábitos mais cautelosos de exposição de dados também é responsabilidade do usuário.

Depois, vem o contato com a operadora. Nessa fase, os golpistas estão munidos das informações necessárias para se passarem pela vítima e pedirem a portabilidade do número para outro chip.

Normas da Anatel exigem que a portabilidade de um número móvel seja confirmada por SMS na linha atual do usuário. Caso não haja resposta em até 6 horas, o pedido é cancelado automaticamente. No entanto, o SIM swap tem conseguido prosperar em terra nacional mesmo diante desse tipo de mecanismo de segurança.

Segurança de dados e hábitos diários

Adotar uma postura proativa e inquisitiva sobre segurança de dados é essencial para não reduzir as brechas de segurança e dar margens a esse e outros crimes virtuais. Veja algumas dicas: (Leia mais abaixo)

Reduzir a pegada digital

A pegada digital é o rastro de nossa presença online. Uma vez que uma informação é compartilhada, torna-se muito difícil, ou até impossível, removê-la do ambiente virtual. Por isso, jamais compartilhe publicamente dados sensíveis como CPF, RG, informações bancárias, nome completo e endereço. Seja cauteloso também ao revelar também número de telefone e endereço de e-mail.

Além disso, considere restringir o acesso às suas redes sociais ou separar perfis profissionais dos pessoais. Muitas vezes, revelamos informações sobre nosso cotidiano, marcos de nossas vidas e sobre as pessoas ao nosso redor inadvertidamente em fotos e vídeos postados nas redes - e isso pode ser visto e usado por agentes maliciosos.

Proteger comunicações

Além do esforço consciente de evitar compartilhar dados online, existem barreiras técnicas capazes de dificultar a atuação de agentes que buscam informações por iniciativa própria. (Leia mais abaixo)

Entre elas, a VPN é uma das mais eficazes. Roteando a conexão por servidores privados distribuídos em diferentes locais, a VPN criptografa todas as comunicações e ainda esconde a localização real do usuário, protegendo a navegação contra rastreamento, sondagens e interceptações.

Varrer a dark web

Vazamentos de bases de dados acontecem diariamente em todo o mundo, e nenhuma empresa tem uma defesa absolutamente intransponível contra ataques hacker. Portanto, é comum que dados pessoais acabem sendo expostos e colocados à venda na dark web, mesmo quando o usuário adota cuidados com a privacidade.

Atualmente, alguns programas antivírus e até serviços de e-mail trazem sistemas de varredura da dark web, que indicam qual tipo de dado vazou em uma determinada data. Com isso, é possível trocar senhas, número de celular e algumas credenciais quando constatado ter caído nesses incidentes.

Senhas fortes, individuais e atualizadas (Leia mais abaixo)

Use um gerenciador de senhas para gerar e guardar as senhas do seu cotidiano. Cada serviço deve ter uma senha forte e individual, e não é realista memorizar dezenas de combinações diferentes. Procure também atualizá-las de meses em meses para maior segurança.

Se possível, use um aplicativo autenticador em 2 fatores (2FA) em vez da confirmação por SMS ou WhatsApp. Verifique essa possibilidade na configuração de seus serviços digitais principais.

Perceber os sinais da troca de chip

No pior dos casos, o celular já foi tomado e não há o que fazer no próprio aparelho. Nessas situações, é fundamental agir rapidamente para evitar danos maiores.

Para isso, é importante contar previamente com alguém de confiança que possa ser contatado em caso de emergência. Essa pessoa deve ser capaz de acessar imediatamente serviços básicos como e-mail e aplicativo do banco com suas credenciais para alterar senhas e contatar o gerente do banco para avisar sobre o golpe. (Leia mais abaixo)

Além disso, reportar o crime o quanto antes junto à polícia também pode ser decisivo para evitar o pior. Por mais desencorajadoras que sejam as taxas de resolução de crime no país, muitos prejuízos podem ser revertidos e evitados, e quadrilhas de cibercrime são presas todos os dias.



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