Por que fisiculturistas aplicam insulina no corpo e quais são os riscos?

Morte de influenciador acendeu alerta sobre uso de hormônios por atletas


  • 25/05/2026, 15h18, Foto: Reprodução.

Campos 24 Horas – A morte do influenciador e atleta de fisiculturismo Gabriel Ganley aos 22 anos trouxe à tona dúvidas sobre o uso de hormônios. A aplicação de insulina, uma substância que nivela a glicose no sangue, tem sido usada por praticantes de musculação a fim de obterem maiores resultados nas academias.

Apesar de não ter sido a causa da morte do influenciador, o uso de insulina por Ganley foi algo comentado pelo jovem. Ele afirmou em entrevista ao Flow Podcast que fazia o uso de hormônios e há três meses desabafou sobre ter passado mal depois de aplicar o hormônio sem comer adequadamente. (Leia mais abaixo)

O que é? - A insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas naturalmente e é liberada após as refeições, além de ter papel anabólico, atuando diretamente na construção dos tecidos. Por seu papel nos músculos, seu uso injetável passou a ser disseminado entre atletas de fisiculturismo, segundo explicação de Martha Gisela Farias dos Santos, endocrinologista do Hospital Quali Ipanema.

"A insulina é um dos hormônios que mais estimula o crescimento do corpo. Ela funciona como um super tanque, ela empurra à força a proteína e a energia para dentro dos músculos, fazendo com que eles cresçam e se recuperem muito rápido", informou a médica.

"O grande problema é que, ao contrário dos outros anabolizantes - que trazem problemas, mas a longo prazo -, é que um erro muito mínimo pode matar a pessoa em poucos minutos", pontuou.

Tipos de insulina - Martha explicou que existem alguns tipos de insulina disponibilizados no mercado farmacêutico, cada um com sua intensidade e efeito. "Existem alguns tipos de insulina e a diferença não está só na dosagem. A grande diferença está na velocidade, como elas agem no corpo", declarou.

"A gente tem as rápidas e ultrarrápidas, que começam a agir em minutos e têm um efeito bem curto. Essas são as favoritas dos fisiculturistas porque eles tentam coordenar o pico do hormônio junto com o momento que eles terminam de comer no pós-treino. Eles fazem isso para o músculo absorver na mesma hora. Tem as lentas ou intermediárias, que demoram algumas horas para iniciar o efeito e ficam mais tempo no organismo", seguiu. (Leia mais abaixo)

Hipoglicemia - Quando uma dose de insulina provoca hipoglicemia intensa, o paciente apresenta diversos sintomas. "Quando ocorre de uma forma grave, o corpo já dá vários sinais de alerta. Tremores, sudorese fria, taquicardia e fome excessiva. Quando é uma neuroglicopenia, ocorre a confusão mental, comportamento agressivo ou sensação de que a pessoa está embriagada, com fase arrastada. Pode ter convulsões e entrar em coma", explicou a endocrinologista.

Existem, porém, técnicas para reverter a queda do glicose no sangue. "No caso de uma hipoglicemia, o que pode ser feito é a regra dos 15: ingerir 15 gramas de carboidrato rápido, que é uma colher de sopa de açúcar diluída na água, ou 150 ml de refrigerante normal e aguardar uns 15 minutos para verificar a glicemia de novo", sugeriu.

Existem, porém, casos que a situação evoluiu para uma gravidade preocupante. "Se a queda for muito violenta, os sintomas são praticamente paralisante. O cérebro perde rapidamente a capacidade de raciocínio e a pessoa perde a coordenação motora, ficando incapacitada de se salvar", informou.

Ela seguiu: "Se houver desmaio, e isso é uma emergência médica absoluta, deve-se chamar o SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e evitar ao máximo colocar líquido de alguém que esteja inconsciente, porque tem o risco de asfixia. No hospital, o que fazemos é aplicar uma glicose hipertônica, que é concentrada, diretamente na veia do paciente".

Fonte: CNN (Leia mais abaixo)



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