(Assista ao vídeo no final da matéria) - A Polícia Federal (PF) de Campos deflagrou, nesta quinta-feira (9), a operação Stop, que tem como alvo uma associação criminosa formada por dois vereadores de Campos - Maicon Cruz e Marquinho do Transporte - e outros 11 investigados. O grupo estaria envolvido na prática de fraudes em procedimentos licitatórios de transporte escolar da Secretaria Estadual de Educação, através da Regional Norte Fluminense. O delegado da PF em Campos, Wesley Amato, informou detalhes sobre as apuração e apontou que uma das linhas de investigação indica que o grupo teria acesso à informação privilegiada para vencer a licitação. (Leia mais abaixo)
Dos 15 mandados de busca e apreensão cumpridos no município, dois deles foram em gabinetes de vereadores, na Câmara. Alguns dos alvos não estavam em casa e, por isso, não foi possível entrar em alguns dos imóveis. O delegado informou ainda que foram apreendidos R$ 70 mil em espécie. A ação corre na 3ª vara Criminal de Campos. As investigações são de competência da Polícia Federal e contam com o apoio do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
Em relação aos vereadores, a suspeita é de que possa ter havido intervenção ou ingerência junto à diretora regional, além de um conluio com as empresas de transporte. "Um dos vereadores é proprietário de uma empresa, o filho de outra, e a nora de outra. Todas estas empresas são investigadas na operação", apontou Wesley.
Até o momento, as investigações apontam a prática de fraudes no município de Campos. Porém, Wesley não descartou a possibilidade de o esquema ser ainda maior. "Podemos obter novas informações dos materiais apreendidos e dos depoimentos que serão colhidos", informou. Todas as pessoas investigadas serão ouvidas pela Polícia Federal: vereadores, donos das empresas e agentes públicos, agentes políticos.
A licitação
O delegado da PF contou que ao longo de cerca de 20 anos, as empresas que prestavam o serviço de transporte escolar na zona rural para o Estado recebiam, em média, R$ 1,60 por quilômetro rodado. No início de 2022, este valor passou para R$ 6, tornando-se muito mais atrativo. O certame sob suspeita aconteceu em 25/7/2022. Quatro dias antes, ainda de acordo com o delegado, a diretora regional da PF teria convocado o grupo investigado para apresentar a documentação necessária. Uma das linhas investigativas é de acesso à informação privilegiada, para que apresentassem o documento de forma completa em detrimento aos demais participantes, já que algumas das certidões exigidas não podem ser emitidas aos finais de semana. (Leia mais abaixo)
Ao longo das investigações, a PF solicitou à Secretaria de Estado de Educação que encaminhasse a documentação de todo o processo licitatório para que fosse submetida à perícia, mas a representação não foi atendida.
Assista à entrevista do delegado da PF.