Polícia cumpre mandados de prisão na operação do caso Marielle

Operação investiga o descarte da arma do crime em alto-mar. Pistola de brinquedo foi achada durante buscas


  • 03/10/2019 09h38 Foto: Reprodução-TV Globo.

A defesa Ronnie Lessa - PM reformado preso suspeito de executar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes - afirmou ter sido pega de surpresa com a prisão, nesta quinta-feira (3), de Elaine Lessa, mulher de Ronnie.

Elaine e outras três pessoas foram presas na Operação Submersus, que investiga o descarte da arma do crime. (Leia mais abaixo)

“Elaine era testemunha, veio aqui uma única vez. Agora houve essa prisão”, disse o advogado, na Delegacia de Homicídios da capital".

A suspeita é que o material foi jogado no mar da Barra da Tijuca com ajuda da mulher e do cunhado de Ronnie Lessa, preso desde março deste ano, suspeito da execução.

Pistola de brinquedo achada durante as buscas

Cerca de um mês depois de as armas de Ronnie Lessa serem descartadas, a Polícia Civil contou com a ajuda da Marinha para tentar achar o armamento no mar.

As condições de mergulho eram ruins e alguns mergulhadores do Corpo de Bombeiro passaram mal. (Leia mais abaixo)

Um sonar da Marinha localizou uma pistola, mas após a retirada do mar a polícia descobriu que e tratava de uma pistola de brinquedo.

Quatro pessoas foram presas no início da manhã desta quarta: Elaine Lessa, mulher de Ronnie, dona do apartamento onde as armas estavam; Márcio Montavano, o Márcio Gordo, teria tirado as caxias de armas de dentro do apartamento de Ronnie e Elaine Lessa; Bruno Figueiredo, irmão de Elaine, suspeito de ajudar Márcio na execução do plano; Josinaldo Freitas, o Djaca, teria contratado taxista para levar as armas até o Quebra-Mar, na Barra.   O quinto mandado de prisão é contra Ronnie Lessa, que está na Penitenciária Federal de Porto Velho, em Rondônia, com Élcio Queiroz, apontado como o motorista do carro que perseguiu Marielle.

O advogado de Ronnie Lessa e Elaine Lessa, Fernando Santana, afirmou que “está surpreso” com o fato de Elaine ter sido presa.

“Ela era testemunha, veio aqui uma única vez. Agora houve essa prisão”, disse o advogado.

Pescador relatou descarte (Leia mais abaixo)

A polícia afirma que o descarte do armamento aconteceu dias depois da prisão de Ronnie, em 12 de março, e teria contado com a participação de quatro pessoas, entre elas a mulher e o cunhado do PM reformado.

Em depoimento à Delegacia de Homicídios (DH) da Capital, um pescador contou que um comparsa de Ronnie Lessa contratou seu barco e jogou seis armas no mar perto das Ilhas Tijucas.

Para a polícia, o contratante do barco é Márcio Gordo, e entre as armas estava a submetralhadora HK MP5 usada para matar Marielle e Anderson.

Segundo as investigações, Márcio Gordo teria retirado as armas de dois endereços ligados ao acusado de matar Marielle, alugado o barco e o serviço do dono, o pescador, e jogado tudo no mar.

Buscas em alto-mar (Leia mais abaixo)

No fim de março deste ano, pescadores da Zona Oeste confirmaram ao G1 que a Polícia Civil foi até o local de onde, segundo a denúncia, um barco saiu para fazer o descarte das armas no dia 14 de março, exatamente um ano após a morte da vereadora e seu motorista.

Testemunhas também presenciaram o embarque de caixas de papelão, bolsas e malas no dia do descarte descrito pela denúncia.

De acordo com uma informação que havia sido repassada à polícia, as armas teriam sido tiradas da casa onde Lessa montava os fuzis, no Pechincha, também na Zona Oeste do Rio, dois dias depois da

Operação Lume - na qual Ronnie Lessa e o ex-PM Élcio Queiroz foram presos.

Também em março, a Marinha fez buscas na região onde a arma teria sido descartada. (Leia mais abaixo)

Em julho, a Polícia Civil do RJ pediu ajuda à Marinha para realizar uma nova varredura.

Um documento obtido com exclusividade pela TV Globo apontou que um sonar da Marinha detectou nove objetos no fundo do mar em um local próximo às Ilhas Tijucas.

A Marinha utilizou sonares para encontrar os objetos. Segundo os equipamentos utilizados, eram alvos com tamanhos aproximados de 50 centímetros a dois metros, e estão numa profundidade de 15 a 30 metros.

Amizade nas redes

Nas redes sociais, Gordo e Djaca aparecem juntos em várias fotos. (Leia mais abaixo)

Em uma delas, apenas uma tatuagem de Gordo é visível, ao lado de um Djaca agachado e apontando para uma cédula de US$ 100. "Eu duvido qui vc saiba de quem eu ganhei esse presente de aniversário 100 R$ dólares", escreveu.

Fonte: G1



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