Educadores de Campos estão divididos sobre Educação à Distância

Professoras, neuropsicopedagoga e psicóloga traçam o quadro atual


  • 02/05/2020, 00h25, Fotomontagem: Campos 24 Horas.

Neste período de isolamento social vários estados brasileiros já aderiram à modalidade educacional de Educação à Distância (EaD) e, com ela, vários governos, além de educadores e pais travam discussões a respeito, pró e contra a modalidade. A rede municipal de Educação de Campos, além das escolas locais que compõem a Rede Faetec (Fundação Estadual de Apoio à Escola Técnica) ainda estão fora desse patamar educacional, já que ainda não aderiram à ferramenta. Diante desta situação inesperada ao mundo e, por conseguinte às famílias, escolas, educadores, o Campos 24 Horas ouviu dois professores, uma neuropsicopedagoga e uma psicóloga sobre vários aspectos desta nova realidade decorrente da pandemia, como afastamento entre professor e aluno, o desafio para os pais e tutores e a adaptação digital, entre outros.

NEUROPSICOPEDAGOGA ANDRESSA AMARAL /afastamento professor-aluno: "Certamente o processo adaptativo pelo qual as escolas estão passando traz como um fator agravante o afastamento, não só entre aluno e professor, mas entre os próprios colegas, a rede de convivência acaba sendo afetada. Esse afastamento reflete nos vínculos afetivos e, inclusive podem ocasionar dificuldades que chamamos de “circunstanciais” de aprendizagem provocadas pelo momento vivido", afirmou Andressa.   (Leia mais abaixo)

Já a professora Cristina Duncam destaca que: "A opção de educação à distância foi imposta mediante o surgimento da pandemia. A única alternativa em que os envolvidos nesse processo (escola, professores, famílias e alunos) tiveram para driblar o inesperado vírus, foi continuarem os estudos a distância. Através da tecnologia professores e alunos tiveram oportunidade de continuarem conectados, de forma significativa e prazerosa", disse.

PROFESSORA CRISTIANA BARCELOS/palavra de ordem, nesse momento, é reinvenção - Discussões à parte, para muitos o futuro da educação vai estar vinculado à educação à distância. A professora e avaliadora do Ministério da Educação e Cultura (MEC) Cristiana Barcelos, é uma das que têm essa opinião. Segundo ela, será um tempo em que quem tem condições e acesso terá um ganho a mais, já quem não tem terá muito menos.

“Hoje estamos em um processo de se reinventar, se reinventar a sociedade, as instituições e a própria prática pedagógica. Essa é a palavra de ordem neste momento”, acrescenta Cristiana, que também é professora pesquisadora da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF).

- Há que se pensar nesta discussão, no nível de escolaridade. No nível superior, por exemplo, os problemas são evidentes, mas menores. Na Educação Básica há que se pensar. No ensino Fundamental, por exemplo, além de serem pequenos, há leis sobre a questão. No Médio, em se tratando de rede pública, mais da metade acaba se adaptando, já que a maioria é nativo digital – analisa a educadora.

PSICÓLOGA ANA PAULA DOS SANTOS  analisa o afastamento entre professor e aluno: "Esse afastamento do vínculo afetivo decorrente da pandemia tem que ser olhado com muito cuidado pois é ao interagir, participar, trocar experiências e vivenciar novas situações que a criança, o adolescente e até o jovem desenvolvem sua persona. Como dizia o filósofo Thomas Morus: “Nenhum humano é uma ilha”, ajuda-nos a compreender que a vida humana é convívio, sendo justamente na convivência, na vida social e comunitária, que o ser humano se descobre e se realiza enquanto um ser moral e ético. É preciso dessa troca de sentimentos e valores. Eu atualmente, tenho observado que os jovens, principalmente adolescentes, estão cada vez mais se fechando em seus quartos, na sua tela de smartphone, por isso a interação dos pais e tutores nestas situações são fundamentais neste período de afastamento social", analisou a psicóloga. (Leia mais abaixo)

REDE MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DE CAMPOS SE POSICIONA

Questionada pelo Campos 24 Horas do porquê o município não adere a Educação à Distância, a secretaria municipal de Educação respondeu: “A Secretaria municipal de Educação estuda a forma de reposição de aulas, considerando a realidade dos estudantes da rede municipal, que, em sua maioria, não possuem computadores ou internet domiciliar.   O próprio Conselho Nacional de Educação emitiu um parecer dizendo que as ferramentas Educação à Distância (EaD) representam uma das muitas possibilidades para reposição. A Secretaria de Educação entende que o maior prejuízo ao aprendizado virá pela adoção apressada a meios que não garantam a universalização da aprendizagem e sua subsequente qualidade”.

MÃE RESPONSÁVEL PELA EDUCAÇÃO AFETIVA/ ESCOLA PELA FORMAL

A professora universitária, Edinalda Almeida, acredita que um aluno diante de uma plataforma digital se transforma em um híbrido, em uma coisa só. O mesmo, segundo ela, acontece com o professor. “Toda a responsabilidade fica sobre a mãe ou responsável por acompanhar o filho nessas aulas, mas não existe formação para isso. Se ele for bem menor, ele vê aquele professor na tela como se fosse um desenho animado”, acrescenta Edinalda Almeida.

A professora analisa que, neste momento de pandemia, a EaD funciona como um S.O.S, um socorro apenas. E diz que, objetivamente, nem os professores e nem os alunos foram treinados para isso e por isso, neste momento, não pode ser visto como uma prática metodológica. “Não vejo uma identidade do magistério neste caso, porque há aí uma quebra de cumplicidade, de confiança e a relação humana é necessária no magistério, principalmente nos primeiros anos educacionais”, finaliza a professora de línguas. (Leia mais abaixo)

 



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