Polêmica entre Câmara e Governo Diniz afeta votação do orçamento 2020

Vereadores reprovaram orçamento. Dizem que querem ter o direito de fiscalizar e alegam falta de diálogo. Prefeito faz coletiva e nega


  • 20/12/2019, 17h06, Foto: Campos 24 Horas.

Polêmicas e denuncias entre Vereadores e o Governo Rafael Diniz afetam a votação do orçamento de 2020 da Prefeitura na Câmara de Campos. Na sessão extraordinária do Legislativo realizada nesta sexta-feira (20), o orçamento acabou sendo reprovado com placar de 13 votos contra e 11, a favor. O ponto de maior polêmica diz respeito ao percentual de remanejamento. O Governo Diniz quer 30%. Já os vereadores da oposição e do grupo independente chamado G-8 querem que, em 2020, ter o direito de fiscalizar para saber como o prefeito vai gastar os recursos públicos. Eles concordaram em dar 10% de autorização para remanejamento. No orçamento, a Prefeitura prevê arrecadar R$ 1.887 bilhão em 2020.

Os vereadores se dizem insatisfeitos com a decisão do Governo de não dialogar e criar dificuldade  para a Câmara fiscalizar a forma de aplicar os recursos da Prefeitura em 2020, além de criticar, em tom de denuncia, a prática da 'velha política' e da falta de diálogo. Já o prefeito Rafael Diniz garante que o governo não fez pressão e nem ameaçou. (Leia mais abaixo)

Durante a sessão na Câmara, os vereadores Jorginho Virgílio e Igor Pereira, do G-8, falaram sobre a reprovação do orçamento. Igor alegou que os vereadores estariam sofrendo pressão nos últimos dias por parte de alguns membros do governo. Na tribuna da Câmara, ele também citou conversas supostamente comprometedoras, que comprovariam a prática da 'velha política'.

Jorginho Virgílio, por sua vez, frisou que os vereadores querem ter o direito de saber onde serão aplicados os recursos públicos ao longo de 2020: “É bom deixar claro que a emenda de 10% não engessa o governo. O que acontece é que, para remanejar, é preciso discutir aqui nessa casa de leis para saber onde vai ser remanejado um dinheiro que é do povo. E os representantes do povo estão aqui nessa casa de leis. Nós só queremos que a Câmara seja ouvida quando o governo foi remanejar e gastar o dinheiro do povo”, destaca Virgílio.

DEFESA - O líder do Governo na Câmara, vereador Genásio, e o vereador José Carlos defenderam o governo Diniz. "Quem tiver as gravações, que as apresente. Estou tranquilo, pois não há nada que disse que pode ser comprometedor", declarou Genásio.

Já o vereador José Carlos disse que a Câmara perdeu uma grande chance de aprovar o orçamento. "O governo Rosinha tinha autorização para remanejar até 50%. Foi no Governo Diniz que o percentual baixou para 30%. E agora, para ter sempre que conversar antes do governo tomar qualquer atitude, querem colocar em 10%. E quem pode perder com isso é a população", afirmou José Carlos.

O presidente da Câmara Fred Machado, disse que uma nova sessão será marcada ainda esse ano para que o orçamento seja colocado em votação, adiando o início do recesso parlamentar. A sessão vai ocorrer, segundo fontes, na próxima sexta-feira, dia 27. (Leia mais abaixo)

DINIZ NEGA PRESSÃO E FALA EM "POLÍTICA IRRESPONSÁVEL"

Após a sessão na Câmara com reprovação do orçamento, o prefeito Rafael Diniz concedeu entrevista coletiva e negou que o governo tenha feito ameaças e pressão. 

"Eu sou uma pessoa que não ultrapasso os limites. Muito pelo contrário, tenho até uma fama para com os vereadores de tratar as pessoas muito bem. Tenho três anos na Prefeitura e trato a todos bem, eles mesmo reconhecem isso. E outro ponto é a falta de diálogo. Isso não acontece, pois nossa gestão é a primeira que faz um orçamento participativo, ou seja, a gente rodou vários cantos da cidade apresentando o projeto. E teve também uma audiência na Câmara para discutir o projeto (orçamento)" disse o prefeito, acrescentando que:

"A única diferença foi que, com a queda de receita, a gente precisou pedir o projeto de volta para fazer os ajustes necessários, e devolver. Mas, hora nenhuma houve falta de diálogo. Na minha opinião o que houve foi a vontade de fazer uma política irresponsável", afirmou.

Finalizando, Diniz aumentou o tom da crítica aos vereadores, dizendo que eles deveriam fazer "uma política maior para que possamos continuar cuidando da nossa cidade". (Leia mais abaixo)

VOTARAM DE FORMA CONTRÁRIA A APROVAÇÃO DO ORÇAMENTO: G-8:  Igor Pereira (PSB), Enock Amaral (PHS), Ivan Machado (PTB), Joilza Rangel (PSD), Jorge Virgilio (PRP), Luiz Alberto Nenem (PTB), Marcelo Perfil (PHS) e Paulo Arantes (PSDB).

E a oposição: Álvaro Oliveira, Cabo Alonsimar, Josiane Morumbi,  Renatinho do Eldorado e Eduardo Crespo.

VOTOS A FAVOR: Abu, Alvaro César, Cláudio Andrade, Genásio, Rosilani do Renê, José Carlos, Jairinho é Show, Marcelle Pata, Silvinho Martins, Fabio Almeida, Pastor Vandely.

(Texto alterado às 20h12)



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