PMs são encontrados mortos dentro de viatura no Rio

O sargento Rosemberg e o soldado Bruno podem ter sido intoxicados por monóxido de carbono


  • 05/05/2018 18h37 Foto: Reprodução.
Policiais civis estão investigando se o sargento Rosemberg de Jesus Príncipe, de 38 anos, e o soldado Bruno Pereira Martins dos Santos, de 36, lotados no 31ª BPM (Recreio dos Bandeirantes), morreram vítimas de intoxicação por monóxido de carbônico, gás que teria vazado do motor para o interior da viatura em que os dois estavam. Os PMs foram encontrados dentro do carro da corporação, desacordados, por volta das 4h deste sábado na Estrada Roberto Burle Marx, em Barra de Guaratiba, na Zona Oeste do Rio. Socorridos para o Hospital Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, eles não resistiram e morreram. O caso foi entregue à 16ª DP (Barra da Tijuca), mas conta com apoio de médicos e peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), e de agentes da Divisão de Homicídios (DH). Se for confirmada a morte por intoxicação de monóxido de carbônico, não será a primeira vez que isso ocorre na Polícia Militar. Em junho de 2016, o cabo Carlos Eduardo Ferreira Pinto e o soldado Marcelo Custódio da Silva, lotados no 7º BPM (São Gonçalo), foram hospitalizados depois de serem intoxicados por um vazamento de gás dentro de uma viatura em São Gonçalo. Eles foram encontrados desacordados dentro do veículo, no bairro do Engenho Pequeno. Ficaram cerca de um mês hospitalizados na UTI até receberam alta. Na época a PM revelou que uma funcionária da Área de Preservação Ambiental do Engenho Pequeno, onde os policiais estavam, percebeu que eles estavam desmaiados e acionou o Corpo de Bombeiros. Durante o socorro, foi constatado que um deles espumava pela boca e, o outro, estava completamente inconsciente. Segundo fontes ouvidas, no caso deste sábado, os dois estavam dentro de um Voyage, modelo antigo de viaturas que a Polícia Militar está substituindo por veículos da marca Ford Ka. Desde o dia 26 de abril, os novos carros passaram a ser entregues. Dos 580 que serão comprados, 265 já foram distribuídos aos batalhões para serem empregados no patrulhamento. — Eles estavam desmaiados, dentro do carro. É o que sei. O carro é o modelo antigo, velho. O Voyage. Ainda não sabemos o que aconteceu. Vai depender da perícia e do exame de necrópsia — revelou um colega dos policiais militares, também lotado no 31º BPM. O perito aposentado Mauro Ricart, que durante 32 anos trabalhou no Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), disse que intoxicação por monóxido de carbônico é muito comum no Rio e no país. — O que vai determinar a causa das mortes é o exame de necrópsia e a perícia que eles já devem estar realizando. Falando em tese, já que não tenho detalhes das investigações, isso é muito comum e é bem possível que essa tenha realmente ocorrido. Ou melhor: pode acontecer por vazamento. O carro fechado facilita. Sem perceber, a pessoa vai sendo intoxicada desmaia e acaba morrendo se não for socorrido a tempo. É uma morte tranquila — afirmou o perito. O local onde eles foram achados ficava dentro da área de patrulhamento de responsabilidade dos dois. Em nota, a Polícia Civil informou que o caso foi registrado na 16ª DP e está sendo investigado. Revelou também que já foi realizada perícia de local e no veículo, com apoio de agentes da Delegacia de Homicídios. Os policiais civis da Barra da Tijuca também solicitaram perícia de engenharia no veículo. Os corpos dos PMs foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML). Já a Polícia Militar lamentou as mortes e informou em nota que irá aguardar a perícia dos corpos para saber as causas das mortes. Segundo a corporação, o sargento Príncipe estava na PM desde 2005, era solteiro e não tinha filhos. O soldado Bruno estava na corporação desde 2013, era casado e deixa dois filhos. Os sepultamentos devem ocorrer neste domingo. (O Globo)



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