Cerca de 900 policiais fazem o patrulhamento das ruas do ES

Maior parte dos PMs que estão trabalhando são oficiais e praças que estavam de férias e que estão sendo convocados


10/02/2017   21h29   |   Foto: G1    -     Atualizada em 11/02 às 08h59 Quase 900 policiais militares estão fazendo o patrulhamento das ruas do Espírito Santo neste domingo (12). Segundo a Secretaria estadual de Segurança Pública, são 250 na região metropolitana de Vitória, 275 no sul do estado, e 350 no norte, totalizando 875 agentes que atenderam à chamada do Comando-Geral da corporação. Caso não se apresentem, os PMs poderão sofrer punições administrativas. Policiais de diferentes unidades, incluindo cavalaria e polícia ambiental, apresentaram-se diretamente nos locais determinados pela corporação sem passar pelos quartéis para evitar o bloqueio feito na entrada dos batalhões pelo movimento de mulheres acampadas há nove dias em protesto por melhorias salariais. A maior parte dos policiais que estão retornando são oficiais e praças que estavam de férias e de folga e que estão sendo convocados. Na capital capixaba, grupos de policiais militares se apresentaram para trabalhar na Praça Oito, na região central, e na Rodoviária de Vitória, e fazer o patrulhamento dos municípios da região metropolitana. Ontem (11) à noite, a Polícia Militar informou que 70 policiais foram retirados de helicóptero do Quartel do Comando-Geral, em Maruípe, na região central de Vitória. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, esses agentes queriam voltar ao trabalho e foram impedidos de sair pelo movimento das mulheres. Com informações da Agência Brasil. PMs começam a se apresentar nas ruas de Vitória Atualizada em 11/02 às 18h34 - Policiais militares foram vistos em pontos de Vitória e o governo do estado disse que eles se apresentaram para começar a fazer o policiamento ostensivo no Centro de Vitória, na tarde deste sábado (11). A informação é da Secretaria de Segurança Pública do Espírito Santo (Sesp). A reportagem da TV Gazeta viu mais de 10 policiais fardados, na Praça do Papa, na capital, por volta das 16h. Outros grupos também foram vistos na Praça Oito, no Centro, e na Rodoviária de Vitória. A Secretaria de Segurança Pública (Sesp) disse que a chegada dos militares aconteceu após uma chamada operacional realizada às 16h, na Praça Oito e na Rodoviária. Questionada sobre a apresentação dos militares, a Sesp não respondeu se eles saíram dos batalhões que estão com as entradas ocupadas pelas mulheres de PMs ou se os militares que se apresentaram nas ruas estavam fora dos quarteis. Ao longo do dia, o G1 ficou por 10h na porta de um dos batalhões em Vitória, das 7h às 17h, no bairro Maruípe, e nenhum militar foi visto saindo pelo portão principal. O coronel Cássio Bassetti, diretor de inteligência da PM, disse que cerca de 60 policiais se apresentaram na Rodoviária. Metade foi direcionada ao policiamento na rua. Alguns militares também foram vistos na Praça do Papa, também em Vitória. ⁠⁠⁠O Major Rogério Fernandes Lima, da Associação dos Oficiais Militares do Espírito Santo, disse que não tem informação sobre o policiamento nas ruas de Vitória. Segundo ele, quem confirma é a própria instituição da Polícia Militar. Ministro da Defesa O ministro da Defesa, Raul Jungmann, pediu neste sábado (11) que os policiais militares paralisados no Espírito Santo "venham às ruas" e apelou para que as mulheres que protestam por eles "não levem seus companheiros a uma armadilha", referindo-se à onda de violência que completa oito dias no estado. "Existem policiais que querem trabalhar. Existem policiais hoje mantidos em situação de detenção. Para estes eu quero falar que venham para as ruas e venham cumprir seu juramento", disse o ministro diante de jornalistas. Crise A onda de violência no Espírito Santo deixou 138 mortos até as 17h desta sábado (11), segundo o Sindicato dos Políciais Civis do Espírito Santo (Sindipol). Desde o início da crise, a Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp-ES) não divulga números de homicídios. Mesmo após acordo, PMs não voltam às ruas no ES As mulheres de PMs seguem ocupando as portas dos batalhões da Polícia Militar no Espírito Santo após o fim do prazo firmado entre representantes da categoria e o Governo do Estado. Acordo previa que os policiais voltassem ao trabalho às 7h deste sábado (11). A associação dos Oficiais Militares diz que a maioria dos PMs quer continuar nos batalhões. A Secretaria de Estado da Segurança Pública confirma que as ruas da Grande Vitória e do interior continuam sem a PM. Ônibus: Transcol só opera em linhas que ligam terminais, neste sábado. Veja as linhas. Representantes dos policiais militares e do Governo do Estado chegaram a um acordo, na noite desta sexta-feira (10), em uma reunião sem a participação das mulheres dos PMs que ocuparam a frente dos batalhões no estado. "Não vimos nenhum movimento de volta da PM, só o governo pode falar. Rodamos alguns batalhões e havia bastantes resistência das mulheres e dos PMs. A maioria deles quer ficar nos batalhões", afirmou o major Rogério Fernandes Lima, da Associação dos Oficiais Militares. Segundo Lima, os policiais "se dizem revoltados com o secretário e com os governadores (em exercício e licenciado). Eles acham que as falas do governo são agressivas e ofendem as mulheres deles. Isso acabou acirrando os ânimos." Sobre uma possível volta à normalidade, o major disse que só diálogo é o caminho. "Só aposto no diálogo. Acho que é o melhor caminho. Qualquer medida contrária só vai agravar." Na porta do quartel de Maruípe, uma policial militar conversou com as manifestantes. Ela pediu para que as mulheres deixassem o local. "Ontem nós recebemos uma ordem, e nós temos que dar um jeito. Nosso último recurso é querer algum problema. A gente sabe que são mães, mulheres grávidas, eu quero pedir de coração, encarecidamente para vocês saírem. Estamos todos aqui à flor da pele, nervosos. Oito horas a gente tem que estar lá. Não sei o que vai acontecer depois do que aconteceu ontem. Nós estamos precisando. O pessoal não está aguentando”, disse. Negociação A negociação terminou sem reajuste salarial para a categoria, mas ficou acertado que o governo vai desistir das ações judiciais contra as associações e formar uma comissão para regulamentar carga horária dos policiais. O secretário de Estado de Direitos Humanos, Julio Pompeu, disse que a paralisação precisa terminar. "Eu faço apelo para que os policiais voltem às suas atividades. O povo capixaba está cansado de ter medo. Chega. Chega", afirmou. Uma das manifestantes que ocupam a porta do Batalhão de Missões Especiais (BME), em Vitória, negou que o movimento tenha se encerrado após a reunião entre associações e Governo. Ela preferiu não se identificar na reportagem. “Eles não podem fechar um acordo sendo que o movimento é das mulheres. Não tinha nenhuma de nós lá. A reunião tem que ser passada por nós da comissão. O movimento continua, agora é que começam as negociações, porque conseguimos mobilizar representantes do Governo Federal”, disse, referindo-se à vinda do ministro da Defesa, Raul Jungmann, para o estado neste sábado (11). “É mais uma mentira. As associações nunca estiveram com nosso movimento. Estamos reunidas agora discutindo isso. Mas para as esposas o movimento continua”, disse outra manifestante. A noiva de um policial militar disse que tudo não passa de uma “estratégia política para enfraquecer as mulheres”. “Soube que colocaram homens da Força Nacional para rodar com os carros da PM”, disse. Associações O major Rogério Fernandes Lima, presidente da Associação dos Oficiais Militares do Espírito Santo (Assomes), explicou que a proposta definida na reunião ainda será apresentada aos policiais militares. Rogério disse que este é um acordo firmado entre as associações e o Governo. "O militar não vai precisar atender ao acordo. Mas se ele não atender, poderá responder ao rigor da lei. Vamos rodar as unidades para conversar com policiais e militares e explicar a eles as implicações e penalidades das questões envolvidas”, disse. O major ainda pontuou que as associações não têm nenhuma participação com o movimento, mas que protagonizaram essa negociação porque, segundo ele, “as mulheres [que organizam a manifestação], não têm personalidade jurídica para representá-las”. Fernandes explicou que "as associações são os únicos entes legitimados a fechar esse acordo. Fizemos isso para evitar que os policiais sejam punidos”. "Acredito que haverá anistia para os policiais que já foram indiciados, caso o Congresso Nacional lute por isso", disse o Major Rogério. Rogério disse que acredita que os militares conseguiram chegar a um bom termo até as 7h. "Vamos conversar com os policiais e, se for preciso, vou virar a noite e rodar todas as unidades. Essa decisão vai garantir o emprego deles. Um processo, seja ele criminal ou administrativo, sempre é um peso para um policial militar, pois não se sabe a decisão. Geralmente esses processos se resolvem em 30 dias, então pode ser quem em 30 dias tenhamos menos policiais", disse o Major Rogério. Ele também disse que as mulheres mandaram um grande recado com o movimento, mas que a partir do convite do Governo, as associações precisaram intervir, pois as piores penalidades seriam para os PMs, não para elas. O subtenente Gonzaga, que foi testemunha da reunião, disse que o grande avanço do acordo foi a manutenção dos empregos dos policiais que saírem para trabalhar a partir das 7h deste sábado (10) e o combinado de que, a cada quadrimestre, o Governo vai avaliar a arrecadação do Estado para dar reajuste a todos os servidores que precisam, aos poucos. Participaram da mesa de negociação Governo Eugênio Riccas - Secretário de Controle e Transparência Julio Pompeu - Secretário de Direitos Humanos José Carlos da Fonseca Júnior - Casa Civil Paulo Roberto Ferreira - Secretário da Fazenda Representantes das Associações Rogério Fernandes Lima- Major da Polícia Militar, presidente da Assomes Paulo Araújo de Oliveira -  Capitão da Polícia Militar - Asses Renato Martins Conceição - Sargento da Polícia Militar -  ACS Sérgio de Assis Lopes - Sargento dos Bombeiros Militares -   ABMES   Fonte: G1-ES



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