PM segurança dos palácios do RJ é preso em ação contra milicianos

A Polícia Civil afirma que ele era um dos responsáveis por gerir as finanças da milícia


  • 28/11/2019 14h41 Foto: Rafael Nascimento de Souza.

Um dos policiais militares preso nesta manhã durante operação contra milicianos que atuavam na Baixada Fluminense realizada pela Polícia Civil é lotado na 1ª Companhia Independente da PM, grupo responsável pela segurança dos palácios das Laranjeiras e Guanabara, respectivamente residência e sede oficiais do Governo do Estado do Rio de Janeiro. O sargento Carlos Vinicius Gomes do Nascimento, conhecido como Miojo, estava na unidade há apenas dois meses.

De acordo com o Ministério Público (MP), Nascimento trabalhou no 39º Batalhão (Belford Roxo) antes de assumir a função atual. No entanto, ele estava detido desde ontem cumprindo dois dias de detenção disciplinar (detenção) por ter faltado ao serviço. A Polícia Civil afirma que ele era um dos responsáveis por gerir as finanças da milícia e pela venda de cigarros contrabandeados pela quadrilha. (Leia mais abaixo)

A Polícia Militar confirmou que Carlos Vinicius é lotado na unidade, que fica no Palácio Guanabara. Segundo a corporação, "o fato dele estar no quartel, foi um facilitador para prende-lo hoje", disse o porta-voz da PM, coronel Mauro Fliess.

Além de Carlos Vinicius, outros quatro policiais militares foram presos na ação desta quinta-feira. Foram detidos Alex Bonfim de Lima Silva e Leandro Calazans, lotados no 39º Batalhão, e José Eduardo Silva Farias, conhecido como Zé Cachorro, que está afastado da Polícia Militar. De acordo com os investigadores, todos faziam parte do braço armado da milícia. O titular da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), delegado Moisés Santana, afirma que o bando era extremamente violento e é o principal responsável por homicídios que ocorrem em Belford Roxo.

— Existem pelo menos 20 homicídios praticados por essa quadrilha em Belford Roxo neste ano. Eles eram extremamente violentos com quem não aceitava suas ordens e também com os seus desafetos — lembrou o delegado.

Também foi detido na operação um policial civil, identificado como Walter Marques de Oliveira Filho. Segundo o MP, o agente acobertava homicídios cometidos pelos milicianos.

— Eles cometeram um homicídio e os milicianos ligaram para esse policial civil para tentar resolver a situação antes da Delegacia de Homicídios da Baixada chegar. Ele o fez. Além disso, toda vez que a quadrilha cometia um assassinato ele era o primeiro a chegar na cena do crime — contou Santana. (Leia mais abaixo)

Investigadores também cumpriram um mandado de busca e a apreensão casa do vereador Eduardo Araújo (PRB), da Câmara de Belford Roxo. Há a suspeita de que ele teria envolvimento com a milícia, mas a DHBF ainda está apurando qual seria a função dele no grupo criminoso. Nada foi encontrado na casa do parlamentar.

Quadrilha apontada como "maior homicida da Baixada" A operação “Vingadores” desencadeada pela DHBF e pelo MP nesta manhã começou a partir de um homicídio cometido por essa milícia há seis meses no bairro Nova Aurora, em Belford Roxo. Na ocasião, um suspeito de fazer parte do tráfico de drogas foi executado pelos milicianos. A partir daí, os investigadores identificaram e prenderam os assassinos, paramilitares que atuavam em Belford Roxo e Nova Iguaçu.

— Conseguimos notar que, mesmo preso, o líder do grupo continuava dando ordens de dentro da cadeira para essa organização. Notamos que eles cometiam diversos assassinatos a luz do dia — lembrou o delegado Moisés Santana.

O promotor Fábio Correa classificou a quadrilha como a “maior homicida da Baixada”.

— Essa organização é o principal foco de homicídios de Belford Roxo. Eles praticam homicídios em grande escala. Com a prisão, há um reflexo no recuo e na fonte dessas pessoas em praticarem crimes. Eles são um grupo bem organizado e ramificado — disse o promotor. (Leia mais abaixo)

Durante as investigações, a Polícia Civil identificou dois cemitérios clandestinos com mais de 20 corpos.

— Descobrimos outros locais usados por esses milicianos para esconder os corpos. Vamos identificar essas vítimas e solucionar muitos casos de desaparecimentos em Belford Roxo — completou Santana.

O coronel Mauro Fliess, porta-voz da Polícia Militar, afirmou que a Corregedoria Interna da corporação acompanhou e deu todo apoio à Polícia Civil na operação. Segundo Fliess, “a PM não compactua com qualquer tipo de crime praticado por agentes da corporação”. Mauro Fliess repudiou a participação dos militares com grupos paramilitares.

A Polícia Militar informou que a 8ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM) se transformou em Delegacia Judiciária de Polícia Militar para Crimes Complexos. Segundo a corporação, essa nova delegacia vai atuar em investigações envolvendo PMs ligados à milícia e o trágico de drogas.

Witzel: "Não tenho bandido de estimação" O governador Wilson Witzel foi questionado sobre o policial militar preso na operação desta quinta-feira que travam na segurança dos palácios Guanabara e Laranjeiras, sede do governo é residência oficial do chefe do executivo estadual. Witzel respondeu que não tem "bandido de estimação": (Leia mais abaixo)

— Não tenho bandido de estimação. Esteja onde estiver estamos trabalhando para encontrá-los. Isso (milícia) é máfia. Já prendemos quase 400 deles, e teremos mais operações até o final do ano. Polícia está trabalhando em investigação. Atrasou um pouco por conta daquela decisão do Supremo Tribunal Federal (do Coaf - que impediu investigações sem a autorização judicial prévia), que agora caminha para validar as investigações. Investigações que são muito vultosas em termos de quantias e bens estão a caminho. Quem estiver no meio vai ser preso, nos não temos compromisso com ninguém a não ser com a justiça e o melhor para o Rio de Janeiro — afirmou Witzel.

Como funciona a 1ª Companhia Independente da PM que cuida dos palácios Instalada no Palácio Guanabara, a companhia é um pequeno batalhão, com 240 PMs, que atua na segurança dos espaços físicos dos palácios das Laranjeiras e Guanabara.

De acordo com o porta-voz da corporação, o coronel Mauro Fliess, os militares que prestam serviço nesse pequeno batalhão são escolhidos através da análise da ficha profissional e do passado fora da unidade.

— Qualquer policial pode ser lotado nesta unidade, já que ela é igual as outras unidades da Polícia Militar — explicou Fliess. A 1ª Companhia não faz a segurança do governador do estado.

Fonte: Extra (Leia mais abaixo)



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