
Policiais civis da 44ª DP (Inhaúma) fazem a operação "Butano" desde o início da manhã desta quarta-feira contra uma quadrilha que pratica o monopólio de venda ilegal de gás e também o tráfico de drogas em favelas da Zona Norte do Rio. A ação tem o objetivo de cumprir 17 mandados de prisão e 25 de busca e apreensão no Morro do Engenho da Rainha, no Complexo da Penha e do Alemão. Pelo menos 13 pessoas já foram presas em cumprimento aos mandados, entre eles um policial militar que recebia propina para fazer vista grossa aos crimes. Um outro PM ainda é procurado. Ambos militares são lotados na UPP Fazendinha.
Segundo as investigações, os criminosos impõem o monopólio da venda de gás e impedem a concorrência através de ameaças. Apenas um distribuidor estava autorizado a fornecer o produto nas regiões sob domínio da quadrilha e os comerciantes tinham que comprar dele. O esquema era comandado por Marcelo Fonseca de Souza, o Marcelo Xará. Ele foi preso em um condomínio de luxo em Belém do Pará, Norte do país.
De acordo com as investigações, o gás era vendido a R$ 60, mas dias considerados "de pico", como finais de semana, dias de jogo e feriados, chegava ao valor de R$ 80. Os envolvidos serão indiciados por organização criminosa, extorsão, crime contra o consumidor e lavagem de dinheiro. Todos os presos estão sendo levados para a Cidade da Polícia.
Durante a ação no Complexo da Penha e no Alemão houve troca de tiros. Na Fazendinha, policias da UPP que apoiam a operação da Polícia Civil apreenderam drogas, material para endolação, rádio transmissores e fogos de artifício.
A mulher e filha de um dos presos está na Cidade da Polícia nesta manhã. Elas alegam que os policiais chegaram na casa da família em Olaria por volta de 6h e o prenderam, mas disseram não saber o motivo. As duas afirmam que a revenda de gás que eles possuem no bairro desde 2007 é legalizada.
> Chefe de quadrilha solto há quatro meses
Marcelo Fonseca de Souza, o Marcelo Xará, apontado como o líder do grupo, estava em uma mansão em Belém do Pará, no Norte do país. Ele estava preso desde 1994 e foi solto em julho deste ano.
De acordo com a polícia, Xará comandou de dentro de Bangu a tentativa de invasão ao Morro dos Macacos, em Vila Isabel, que terminou com a derrubada de helicóptero da Polícia Militar em outubro de 2009. À época, três militares morreram.
O traficante cumpria pena por tráfico, associação para o tráfico, sequestro, homicídio e assalto. Em 2016, a Vara de Execução Penal (VEP) autorizou a transferência de Xará para presídios federais fora do Rio, a pedido do governo, mas em 2017 o criminoso voltou para Bangu.
Fonte: O Dia