Plano: Retomada da economia em Campos, mas comércio segue sem data para reabertura

Prefeito Rafael Diniz apresentou plano aos representantes do comércio na noite desta sexta-feira


  • 30/05/2020, 00h47, Foto: reprodução-Campos 24 Horas.

Com grande parte das lojas de portas fechadas devido a pandemia do novo coronavírus, representantes do comércio e da prefeitura de Campos se reuniram mais uma vez na noite desta sexta-feira (30) para discussão em torno da reabertura dos estabelecimentos. Diante do avanço do número de mortos e de casos de pessoas contaminadas, o prefeito Rafael Diniz mais uma vez disse não ter condições de definir em que data o comércio será reaberto. Por outro lado, Diniz apresentou um plano para retomada das atividades econômicas. Foi a primeira vez, desde o início da isolamento social e fechamento do comércio, que ocorreu uma sinalização para reabertura gradativa dos estabelecimentos. A reabertura vai depender, segundo o prefeito, de um plano que foi dividido em cinco níveis e que será apresentado na próxima segunda-feira, data em que expira o prazo de vigência do decreto municipal que manteve medidas de isolamento e impôs restrições como o não funcionamento de atividades comerciais consideradas não essenciais, incluindo também o lockdown, para evitar a aglomeração de pessoas. .

O dilema se arrasta na difícil escolha entre a flexibilização e a manutenção das medidas para evitar a propagação do vírus e a perda de vidas. O chefe do Executivo fala em responsabilidade diante da necessidade das medidas para evitar a propagação  do contágio e evitar mortes. Já os comerciantes temem que a duração prolongada das medidas possa agravar a situação de empresas já em sérias dificuldades. Segundo estimativas da Câmara de Dirigentes Lojistas de Campos (CDL), pelo menos 30% dos estabelecimentos fechados poderão não mais reabrir suas portas, gerando mais pessoas desempregadas. (Leia mais abaixo)

PLANO SERÁ APRESENTADO SEGUNDA-FEIRA - Segundo o prefeito Rafael Diniz, o plano para retomada das atividades econômicas foi dividido em cinco níveis, classificados por cores (vermelho, laranja, amarelo, verde e branco), de acordo com os segmentos comerciais e sociais essenciais, bem como o nível de contágio em cada atividade. Não há data definida para o início e o fim de cada fase. A avaliação será feita semanalmente pelo Gabinete de Crise definido pela Prefeitura de Campos para enfrentamento ao novo coronavírus, conforme modelo matemático, a partir de índices de evolução da pandemia e capacidade de atendimento do sistema de saúde, utilizados pelas autoridades de Saúde. Se for necessário, poderá ser determinado o retorno a uma fase anterior. Caso o Governo do Estado adote uma medida mais restritiva, o município de Campos seguirá a mesma orientação.

- Definimos este plano levando em consideração as orientações de saúde com base científica, as demandas apresentadas pelas entidades em reuniões anteriores e dados estatísticos, contando com uma equipe de especialistas dedicados. É importante destacar que a luta é nossa, poder público e sociedade, contra o coronavírus. O isolamento social não é porque queremos, mas porque é preciso. Com esse plano, estamos preparando o município para a nova realidade frente e pós essa pandemia - destacou o prefeito Rafael Diniz.

ENTIDADES PEDEM REABERTURA IMEDIATA - Em algumas fechadas lojas no Centro, comerciantes afixaram faixas nos estabelecimentos com um alerta sobre as medidas que paralisam o comércio. “Prefeito, apoiamos o combate ao coronavírus, mas não mate o comércio”. Embaixo das frases de advertência, as logomarcas da CDL, Sindivarejo (Sindicato do Comércio Varejista de Campos) e Carjopa (Comerciantes e Amigos da Rua João Pessoa e Adjacências).    

Lideranças do comércio reclamam da falta de diálogo da prefeitura. Em carta aberta publicada logo após as últimas medidas anunciadas pelo Executivo, o presidente do Sindivarejo, Roberto Viana dos Santos, queixou-se da falta da participação de um representante do setor e considera que faltou equilíbrio nas decisões.

“Nenhuma das decisões tomadas pela administração pública municipal contou com a participação de um representante do comércio local, mesmo sendo este um dos principais precursores da economia da região. Acreditamos que faltou equilíbrio nestas decisões”. (Leia mais abaixo)

De acordo com a análise de Roberto na carta aberta, “hoje a população em geral, inclusive os empregados do comércio que está fechado não tem acesso às práticas de prevenção. Com o comércio funcionando, adotando todos os procedimentos indicados para a prevenção, reduziríamos a propagação da Covid-19, pois seriam vários gestores atuando em parceria com a administração municipal, treinando presencialmente  empregados, proporcionando conhecimento e uso de protocolos da saúde” argumentou.

ANÁLISE DA CARJOPA –  O presidente da Associação de Comerciantes e Amigos da Rua João Pessoa (Carjopa), Expedito Cardoso falou sobre o plano apresentado pelo prefeito Rafael Diniz.   “Nos foi apresentado o Plano de Retomada das atividades comerciais que será implantado gradativamente dependendo da evolução da chamada "Curva" e da criação de novos leitos de UTI. Cabe ressaltar que diante da explanação de um associado da Carjopa, embasada em dados Técnicos aliada às necessidades da nossa Economia, percebemos que todos ficaram bastante sensibilizados com nossa realidade e necessidade da implantação o mais rápido possível da tão esperada flexibilização”, salientou Expedido.

Algumas atividades funcionam com restrições, casos dos supermercados, farmácias, açougues, peixarias, padarias, bancos, lotéricas, lojas de materiais de construção, oficinas mecânicas, borracheiros e clínicas, entre alguns outros.  

CAI ARRECADAÇÃO DA PREFEITURA - Segundo o economista Ranulfo Vidigal, em Campos a pandemia já retirou R$ 200 milhões em receitas do Orçamento municipal em relação ao R$ 1,9 bilhão arrecadado no ano passado, sem contar o mês de maio. “Essa queda tende a se manter nos próximos meses”, admite.  

O especialista assinala ainda que nas três principais economias do Norte Fluminense, que compreende também os municípios de Macaé e São João da Barra, a perda liquida de vagas atingiu 8 mil postos de trabalho com destaque para 6 mil empregos a menos em Macaé, que sofre os efeitos da paralisação das plataformas na Bacia de Campos. (Leia mais abaixo)



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