
O “Concerto do pianista amazonense Marcos Leite” marcou a noite de sexta-feira (13) no Teatro de Bolso (TB) Procópio Ferreira. Com duas sessões, ambas com entrada gratuita, o musicista apresentou programas com destaque para a música erudita brasileira. Ao lado de seus alunos Rogério Duarte (ao piano) e Francisco Manuel da Silva (flauta transversa), passeou por obras de Richard Wagner ao conterrâneo Heitor Villa-Lobos.
As duas sessões tiveram diferentes obras apresentas pelos músicos. Às 18h30, o concerto foi iniciado por Rogério Duarte com “Turuna”, de Ernesto Nazaré, e seguido da primeira peça nacionalista brasileira, “Sertaneja”, de Brasílio Itiberê da Cunha. O segundo músico a se apresentar, Francisco Manuel, exibiu uma transcrição para flauta da peça de Villa-Lobos inspirada no folclore brasileiro, “Nhapopé”. Marcos Leite, profissional com 35 anos de carreira, fechou o programa com Lorenzo Fernández e as três “Suítes Brasileiras”.
— Há muito tempo estou pleiteando dar concertos aqui em Campos. Tenho 35 anos de carreira profissional como pianista e 33 de magistério porque comecei minha carreira muito jovem. Dou aula a uma professora do antigo Conservatório de Música de Campos, a Sônia Mara. Ela, então, produziu o concerto. Não quis que fosse cobrada bilheteria, trabalho com entrada franca. Para a comunidade campista tinha que ser entrada franca — comentou Marcos Leite sobre sua visita à cidade goitacá.
A segunda sessão da noite ousou em tons mais dramáticos. Marcos iniciou o concerto com a abertura da ópera Rienzi, de Richard Wagner. Rogério Duarte seguiu a apresentação com o “Prelúdio Nº 8” do Primeiro Caderno de Claude Debussy. O evento seguiu com “Impressões Seresteiras” de Villa-Lobos e, mais uma vez, Brasílio Itiberê da Cunha com “Sertaneja”. Marcos voltou ao palco com as “Bachianas Brasileiras” Nº 5, de Villa-Lobos, uma peça internacionalmente conhecida. E, do amazonense Arnaldo Rebello, Marcos apresentou “As Oito Valsas Amazônicas”.
— Faço comentários entre as peças porque é essencial que as pessoas saibam o que estão ouvindo, senão o momento se torna frio. O artista entra no palco, dá o seu recado e vai embora. Isso é um costume europeu no qual passei a guilhotina. Também trago, essencialmente, artistas brasileiros, porque temos obras que merecem ser valorizadas. É comum que muitos figurões da música apresentem seus programas repletos apenas de música europeia, isso é absurdo — comentou Marcos Leite.