A primeira oferta da Pfizer ao governo brasileiro para venda de vacinas contra Covid foi feita no mês agosto do ano passado, disse nesta quinta-feira (13), o presidente da farmacêutica norte-americana para a América Latina, Carlos Murillo, em depoimento à CPI da Covid no Senado. Segundo ele, o governo do Brasil não deu resposta para a oferta.
Murillo afirmou que, na ocasião, no dia 14 de agosto, foram feitas duas ofertas vinculantes de vacinas, uma prevendo a entrega de 30 milhões de doses e uma segunda de 70 milhões de doses do imunizante, desenvolvido em parceria com a alemã BioNTech. (Leia mais abaixo)
O executivo da Pfizer afirmou ainda que, no dia 26 de agosto, foi feita uma terceira proposta, de 30 milhões de doses da vacina.
Murillo confirmou, inclusive, que a empresa enviou em 12 de setembro uma carta assinada pelo CEO global da companhia, Albert Boula, para o presidente Jair Bolsonaro e com cópia para o vice-presidente, Hamilton Mourão, o ministro da Casa Civil, Braga Netto, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Nestor Forster. A correspondência reafirmava o interesse da empresa em fechar o contato com o país e também não foi respondida.
Após a carta de setembro, a Pfizer fez mais ofertas. Em novembro, a empresa passou a ofertar 70 milhões de doses em duas ocasiões diferentes. Em 2021, foram feitas propostas em fevereiro e em março, quando, enfim, fechou o contrato para o fornecimento de 100 milhões de doses, que já começaram a chegar ao Brasil.
Investigação Murillo foi convocado pela CPI da Covid para depor como testemunha e sua oitiva acontece um dia após Fabio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação, revelar à comissão a carta enviada pela Pfizer ao governo Bolsonaro, que não foi respondida.
Em entrevista a VEJA em julho do ano passado, Murillo afirmou que havia contato com o governo para tratar da proposta. Em outubro de 2020, Murillo também relatou a VEJA que a empresa havia feito uma proposta formal, seguida de uma carta, de fornecimento de vacinas ao governo brasileiro. O executivo afirmou que, até aquele momento, não havia recebido resposta. (Leia mais abaixo)
A comissão no Senado já ouviu os ex-ministros da Saúde Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, o atual titular da pasta, Marcelo Queiroga, o presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, e o ex-chefe da Secom Fabio Wajngarten. Na próxima semana será a vez do ex-ministro Eduardo Pazuello prestar depoimento, além de outro ex-ministro, o ex-chanceler Ernesto Araújo.
A CPI também pode aprovar nesta semana novos requerimentos. Entre eles, o pedido do senador. Randolfe Rodrigues que solicita a Pazuello o resultado de exame para detecção do coronavírus, motivo do adiamento de sua oitiva. Também deve ser votada a convocação de Mayra Pinheiro, secretária de Gestão do Trabalho no Ministério da Saúde. Ela é conhecida por sua posição favorável ao chamado “tratamento precoce” contra a doença.
Fonte: Terra e Veja