PF afirma que Pezão cobrava 'taxa' de até 8% do valor de contratos para benefício próprio

De acordo com o delegado da PF, Pezão era parte do esquema de corrupção de Sérgio Cabral


  • 29/11/2018 10h38 Foto: Reprodução-G1.
Luiz Fernando Pezão não só fez parte do esquema de corrupção de Sérgio Cabral como também desenvolveu um mecanismo próprio de desvios quando seu antecessor deixou o poder. É o que afirmam autoridades da Lava Jato nesta quinta-feira (29) - quando pela primeira vez um governador do RJ foi preso no exercício do poder. As investigações apontam que era cobrada taxa média de 5% de contratos do estado para benefício próprio de Pezão e perpetuação do esquema criminoso. Um dos "acordos" chegou a 8% do valor. “Essa organização criminosa continua atuando especialmente em relação à lavagem de dinheiro", explicou a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, em Brasília. O governador do Rio de Janeiro recebeu voz de prisão nesta quinta-feira (29) no Palácio Laranjeiras, residência oficial do chefe do Executivo Fluminense. De acordo com os agentes, o governador se surpreendeu com a chegada da Polícia Federal e achou que era para cumprir um mandado de busca e apreensão no local e não de prisão. No entanto, Pezão reagiu bem e chamou os advogados imediatamente. No Rio, representantes da força-tarefa da Lava-Jato também deram detalhes da Operação Boca de Lobo e destacaram a continuidade dos malfeitos. "Após a saída de Sérgio Cabral do governo, Pezão passou a comandar seu próprio esquema de corrupção", afirmou o delegado Alexandre Camões Bessa, delegado da PF. As empresas envolvidas destinavam 5% dos valores dos contratos para o esquema de corrupção comandado por Pezão, diz a PF. Um dos casos apontados pelo delegado foi o da Fetranspor. De acordo com o delegado da PF Alexandre Camões Bezerra, Pezão era parte do esquema de corrupção de Sérgio Cabral. Uma vez estando no poder, o governador passou a ter seus próprios operadores e seguiu os atos de corrupção no comando do poder executivo do RJ. "O dinheiro era recolhido entre empresas e prestadores e entregues a operadores", destacou Bessa. "Essa operação estava madura para ser deflagrada neste momento", destacou o superintendente da PF no Rio de Janeiro, Ricardo Saadi. Ele afirmou que as mais modernas técnicas de investigação foram usadas na ação desta quinta. A prisão O político recebeu voz de prisão às 6h no Palácio Laranjeiras, residência oficial do governador. Batizada de Boca de Lobo, a operação é baseada na delação premiada de Carlos Miranda, operador financeiro de Sérgio Cabral. O ex-governador, de quem Pezão foi vice, também está preso. Segundo o Ministério Público Federal, Pezão opera esquema de corrupção próprio, com seus próprios operadores financeiros. Há provas documentais do pagamento em espécie a Pezão de quase R$ 40 milhões, em valores de hoje, entre 2007 e 2015. Fonte: G1



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