Petroleiro, candidato a vice-prefeito do PT em Campos vê antipetismo enfraquecido

ENTREVISTA- Moaldenir Freire é o vice da chapa ‘puro sangue petista’, encabeçada por Odisséia Carvalho


  • 14/10/2020, 08h43, Foto: reprodução/Campos 24 Horas.

O petroleiro Moaldenir Domingues Freire, de 64 anos, não para. Alagoano, filiado ao PT desde 1989, freqüenta a igreja (é católico), leva vida de atleta (participa de corridas e maratonas), se dedica a cultura (é saxofonista da Lira de Apolo), membro do Conselho Comunitário de Segurança, administra cursos na área empresarial e ainda encontra tempo para suas atividades na política. Como candidato a vice da professora Odisséia de Carvalho (PT), já pode perceber que, caso a chapa puro sangue petista seja eleita, não será peça decorativa. Mas também não exige cargo. Ele fala ao Campos 24 Horas dentro da rodada de entrevistas que o site faz com os candidatos a vice-prefeito. (leia a entrevista completa abaixo)

“Quero contribuir de alguma forma. A minha tendência é não ser um vice que vai ficar só olhando. Quando a prefeita não puder ir a um compromisso ou uma solenidade, lá estarei para representá-la. Estamos e vamos continuar afinados, trabalhando juntos. Quero somar”, disse o alagoano, que revela o segredo para absorver intensas atividades. (Leia mais abaixo)

— Eu sou um sujeito disciplinado. Quando entrei no PT, quis estudar o partido para conhecer não apenas o seu programa e o seu estatuto, mas as suas engrenagens. Saber se o que aquilo batia com a minha linha de pensamento. Antes havia muito radicalismo no partido, eu era e ainda sou de uma linha mais moderada. Não se pode fazer nada sozinho, muito menos governar. E governar para todos, porque os recursos são de todos, por isso que defendo o diálogo, nunca o sectarismo, o isolamento — opinou.

O candidato a vice considera que o antipetismo já não prejudicará tanto o PT, com o país ainda politicamente dividido, efeitos do resultado eleitoral na disputa de 2018 e os fatos que lhe antecederam como o impeachment  da presidente Dilma Roussef e a prisão do ex-presidente Lula. “O antipetismo já foi pior e os nossos opositores souberam usar muito bem o que a mídia fez conosco. Mas hoje a mídia parou de bater no PT e vê o que o Bolsonaro anda fazendo e que muita gente reprova, como também a população analisa o comportamento de Sérgio Moro como algo muito condenável ao aceitar o convite para ser ministro depois do que ele fez para condenar o ex-presidente Lula”, comentou.

Moaldenir acrescenta o clima de ódio reinante no país, especialmente através das redes sociais que, em sua ótica, também pode também contribuir para um melhor julgamento da população em relação ao PT. “Antes desta ascensão de Bolsonaro não havia nada disso. Hoje eu vejo que até nas igrejas, independente de denominação, há correntes muito odiosas, um sentimento disseminado pela postura dele e através do gabinete do ódio do presidente e seus filhos, desafiando as leis e desrespeitando as pessoas. O próprio Jesus Cristo era um político, mas pregava exatamente o contrário disso tudo. E eles que falam tanto em Deus...”.

Questionado se o PT faz a auto-crítica de seus erros, Moaldenir afirma que estas ponderações  existem no partido. “Em nossas discussões internas há este reconhecimento, mas precisamos reconhecer que onde existe a pessoa humana vai existir erros. O erro maior também foi acharmos que o povo iria reconhecer nosso trabalho, mas tudo parece ter caído no esquecimento. Agora mesmo o governo alardeia que deu R$ 600,00 de auxílio-emergencial, quando na verdade quis dar apenas R$ 200,00. O esforço foi das esquerdas para que se chegasse a R$ 600,00. Acho que falhamos sempre na comunicação. O que o PT fez neste país em beneficio dos mais necessitados não foi feito por governo algum na história do Brasil”.

Sobre a disputa da sucessão municipal, o candidato a vice do PT buscou demarcar territórios. “O que se percebe na campanha é uma disputa hereditária, o controle do poder por famílias. O ultimo das famílias foi o Rafael Diniz que não cumpriu o que prometeu e hoje se tornou o maior cabo eleitoral do grupo que derrotou nas urnas em 2016. O povo não quis mais o grupo de Garotinho e se decepcionou com Rafael. E a nossa candidatura está fora desse contexto. Eu vejo ainda o povo bastante indeciso, estou confiante de que poderemos chegar lá”, apostou. (Leia mais abaixo)

  A continuidade das coisas que considera boas para o povo será observada num eventual governo petista, especialmente quanto às políticas sociais. “Tudo o que for pelo social terá o apoio do PT. Nós temos esse DNA, da luta contra as desigualdades. Não vejo porque desmanchar coisas boas que foram do governo anterior como se faz em Campos. Aí, a cidade não anda pra frente. Vamos manter programas sociais, mas iremos inovar, trazer programas que o PT inaugurou em Maricá como o transporte de ônibus gratuito, assim como a moeda social que vai manter os recursos circulando no município. O Orçamento Participativo também pode vir, mas queremos ouvir a sociedade. Dialogar com ela para mostrar o que é. Vamos proteger ”.



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