Delação da JBS: Pedidos de impeachment de Temer na Câmara quase quadruplicam

Antes de ser pego nos grampos de Joesley Batista, havia quatro ações contra o presidente; agora já são 12


  • 20/05/2017 22h54 | Foto: ABr.
O número de pedidos de impeachment contra o presidente Michel Temer (PMDB) quase quadruplicou depois de ser pego numa gravação com o delator Joesley Batista, dono da JBS, revelada pelo GLOBO. Antes, tramitavam na Câmara três propostas de impedimento — uma quarta, de 14 de fevereiro deste ano, foi arquivada. Agora já há um total de 11, o que representa um crescimento de 266%. Apenas nas últimas 48h foram protocolados oito processos. Destes, o primeiro foi do deputado federal Alessandro Molon (Rede-RJ). Na denúncia por crime de responsabilidade, Molon afirma que o presidente procedeu de modo "incompatível com a dignidade, a honra e o decoro do cargo". O deputado ainda lembra a reportagem do GLOBO e diz que Temer foi "gravado em diálogo embaraçoso". No Twitter, Joaquim Barbosa defende que brasileiros saiam às ruas para pedir 'renúncia imediata' de Temer Em gravação, Temer diz que não vai ser cassado porque ministros do TSE têm ‘consciência política’ 'Não renunciarei', diz Temer em pronunciamento após denúncias da JBS Seguiram-se a esse outros sete pedidos de impeachment. Todos estes pelo mesmo motivo. Na ordem, quem os apresentou foram: deputado JHC (PSB-AL); senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP); deputado Alessandro Molon (Rede-RJ), novamente; deputado João Gualberto Vasconcelos (PSDB-BA); deputado estadual Júnio Alves Araújo (PRP-GO), conhecido como Major Araújo; deputado Diego Garcia (PHS-PR); e Beatriz Vargas, professora de Direito da Universidade de Brasília (UnB). Nas gravações que motivaram os pedidos, Temer escuta de Joesley, sem repreendê-lo, que estava fazendo pagamentos ilegais ao deputado cassado Eduardo Cunha. Joesley também relata que está interferindo em investigações. O presidente nega que tenha solicitado pagamentos pelo silêncio de Cunha e já afirmou que não vai renunciar. PRIMEIROS PROCESSOS Das 11 propostas que tramitam atualmente na Câmara, a primeira de todas foi de Raimundo Luiz Araújo, presidente nacional do PSOL, em 28 de novembro do último ano. Naquela época havia outro escândalo: a denúncia feita pelo ex-ministro da Cultura Marcelo Calero de que o então ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima (PMDB), o pressionou a interferir para liberação de empreendimento imobiliário milionário, cuja construção estava impedida pelo Instituto do Patrimônio Histório e Artístico Nacional (Iphan). Na denúncia, Calero também acusou Temer de reforçar a pressão. O presidente confirmou que houve uma conversa com o antigo ministro, mas negou que o tenha pressionado. Um dia depois do presidente do PSOL, mais um pedido de impedimento foi feito. Desta vez, por um civil. E, em 8 de dezembro de 2016, foi feito o último dos pedidos que ainda tramitam anteriores à delação da JBS. A ação movida no dia 14 de fevereiro deste ano contra o presidente, pelo Movimento Estudantil Nova Mobilização, foi arquivada logo depois, no dia 20 daquele mesmo mês. Na ementa havia a "denúncia de crimes de responsabilidade, atentado contra a Constituição e lesa-humanidade diária". Fonte: O Globo



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