O Supremo Tribunal Federal (STF) tem um placar de 4 a 1 para a escolha indireta do governador do Rio de Janeiro. Votaram nesse sentido os ministros Luiz Fux, André Mendonça, Nunes Marques e Cármen Lúcia.
O ministro Cristiano Zanin votou pela realização de uma eleição direta com a população votando. As ações discutem como será a eleição para governador do Rio de Janeiro após a renúncia do governador Cláudio Castro (PL) e a cassação do presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacelllar (PL). (entenda o cenário abaixo). (Leia mais abaixo)
O ministro Flávio Dino pediu vista do julgamento, que foi suspenso. Além dele, ainda precisam votar os ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Edson Fachin, presidente do tribunal.
Até que Dino devolva o caso para julgamento, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, exercerá o cargo de governador.
O STF começou a analisar os processos na quarta-feira (8) com os votos dos ministros Cristiano Zanin e Luiz Fux. A análise continuou nesta quinta.
O ministro André Mendonça pediu para adiantar o voto após o pedido de vista de Dino. Mendonça acompanhou Fux, que entendeu que a escolha do governador do Rio deve ser feita por meio da escolha do presidente da Alerj.
Nunes Marques, que também pediu para antecipar o voto, afirmou que a vacância do cargo de governador ocorreu por motivo não-eleitoral. Assim, o ministro entende que deve ser aplicada a lei estadual do Rio, que prevê eleições indiretas. (Leia mais abaixo)
Flávio Dino, por sua vez, argumentou que é preciso aguardar o TSE publicar o acórdão da decisão do TSE, que renunciou um dia antes do julgamento.
Para Dino, é preciso saber se o TSE reconheceu a renúncia de Castro durante o julgamento como legítima para decidir se a escolha do novo governador deve ser por via direta ou indireta.
O ministro afirmou que vai liberar o processo para julgamento quando a decisão do TSE for publicada. No entendimento de Dino, enquanto o caso não é resolvido, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, deve ser mantido no cargo.
A ministra Cármen Lúcia, que também exerce a presidência do TSE, afirmou que o caso deve ter acórdão publicado em breve, mas também adiantou seu voto. Ela entendeu que, neste caso, o Código Eleitoral, que prevê a realização de eleições diretas, não é aplicável.
No primeiro dia de julgamento, o ministro Cristiano Zanin votou pela realização de eleições diretas. Já Luiz Fux foi contrário e defendeu a eleição indireta. No julgamento, são debatidos dois processos: a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7942, do ministro Luiz Fux, e a Reclamação (RCL) 92644, de Cristiano Zanin. A primeira pede mudança nas regras de uma eventual eleição indireta. A segunda, pede para que a escolha seja feita de forma direta. (Leia mais abaixo)
Entenda - O imbróglio no Governo do Estado do Rio começou quando Cláudio Castro renunciou, em 23 de março, com o objetivo de se candidatar ao Senado nas Eleições de 2026. No dia seguinte, o Supremo Tribunal Eleitoral (TSE), condenou Castro à inelegibilidade pelo prazo de oito anos, a contar do pleito de 2022.
Pela linha sucessória, o vice Thiago Pampolha é quem deveria assumir o cargo, mas ele renunciou ao cargo em maio de 2025 para assumir um cargo no Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ). Terceiro na linha de sucessão, o então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, também teve o mandato cassado. Com isto, o desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) assumiu o cargo de forma interina.
Em 26 de março, a Alerj elegeu, em uma sessão relâmpago, o deputado Douglas Ruas como presidente da casa por 45 votos a 0, sob protesto da oposição, que não participou da eleição e foi à Justiça para pedir a anulação da escolha. Ruas iria assumir o governo interinamente, pela linha sucessória.
No mesmo dia, à noite, a presidente em exercício do TJRJ, desembargadora Suely Lopes Magalhães, anulou a votação. O cargo, então, voltou para Ricardo Couto.
Na noite do dia 27 de março, o ministro do STF Cristiano Zanin suspendeu a realização das eleições indiretas para o cargo. O magistrado ainda determinou que Ricardo Couto permanecesse no cargo até que o processo fosse julgado. (Leia mais abaixo)
Um dos principais pontos em análise é o modelo de eleição: se será direta, com voto da população, ou indireta, realizada pelos deputados estaduais. As discussões chegaram ao STF por meio de ações apresentadas pelo PSD.
Fonte: G1