terça-feira, 02 de Dezembro de 2014 - Foto: Divulgação

O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa afirmou, nesta terça-feira (2), que se arrepende amargamente de ter aceitado apoio político para assumir a Diretoria de Abastecimento da estatal. Segundo ele, essa era a única forma que existia para conseguir realizar o sonho de ser diretor e, quem sabe, presidente da petroleira.
As declarações foram dadas em depoimento na CPMI da Petrobras, que se reúne para realizar a acareação entre Costa e o também ex-diretor da estatal, Nestor Cerveró.
— Eu não posso dizer que não seja um sonho de qualquer empregado da Petrobras, era um sonho meu ser diretor e, quem sabe, chegar a presidência da empresa. Mas, desde o governo Sarney [...] todos os diretores da Petrobras se não tivessem apoio político não chegavam a diretores. Isso é fato. Infelizmente, eu me arrependo amargamente, porque estou sofrendo isso na carne e estou fazendo minha família sofrer, aceitei apoio político para uma diretoria. Aceitei esse cargo, e esse cargo me deixou onde eu estou hoje. Estou arrependido, quisera eu não ter feito isso.
Costa voltou a dizer, como na primeira vez que compareceu à comissão, que usaria o direito de ficar calado porque fez um acordo de delação premiada com a Justiça.
De acordo com Costa, tudo que ele sabia já foi dito para o Ministério Público, para Polícia Federal, e pela Justiça de Curitiba que juntos, colheram 80 depoimentos do ex-diretor. Mesmo, assim, Costa decidiu fazer um desabafo e deu a entender que sua carreira foi destruída a partir do momento que aceitou apoio político na direção da estatal.
Outro integrante da acareação, o ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró voltou a comentar as irregularidades na Petrobras. Questionado se havia recebido propina em contratos fechados com a estatal, Nestor Cerveró foi enfático:
— Eu ratifico o que eu disse aqui no meu depoimento no dia 12 de setembro que não recebi.