Patrono da Mocidade e histórico de atentados: quem é Rogério Andrade

Sobrinho de Castor de Andrade, morto em 1997, Rogério dividiu a herança do tio, de quem era braço direito, com o filho do bicheiro, Paulo Roberto de Andrade, e com o genro de Castor, Fernando Iggnácio


  • 29/10/2024, 08h40, Foto: Reprodução/ TV Globo.

Sobrinho de Castor de Andrade, que foi um dos nomes mais conhecidos da contravenção carioca, Rogério de Andrade assumiu os negócios da família após a morte do tio, causada por um ataque cardíaco em 1997. Desde então, o sobrinho ficou responsável pela exploração do jogo do bicho, de máquinas de caça-níqueis, bingos e cassinos, na Zona Oeste do Rio.

Na manhã desta terça-feira (29), o Ministério Público prendeu o bicheiro pela acusação de ser o mandante do assassinato do rival Fernando Iggnácio. (Leia mais abaixo)

A herança de Castor tinha sido dividida entre o sobrinho Rogério de Andrade, o filho Paulo Roberto de Andrade, e o genro Fernando Iggnácio. Paulo Roberto morreu um ano após o pai, em 1998. Fernando Iggnácio foi assassinado a tiros em 2020 em um heliporto do Recreio. Rogério foi investigado como mandante dos dois crimes.

Investigações da Polícia Federal mostram que a disputa entre Rogério de Andrade e Fernando Iggnácio entre 1999 e 2007 resultou em 50 mortes. Algumas dessas mortes envolveram policiais, acusados de prestar serviços para os contraventores.

Desde que o tio Castor morreu, segundo as investigações, Rogério começou a explorar também máquinas de caça-níqueis, investiu em atividades para lavar o dinheiro, promoveu ações de corrupção ativa para manter os negócios, cometeu lesão corporal de natureza grave, homicídio, entre outros.

Histórico de atentados Em 1998, as disputas internas nos negócios ilícitos herdados de Castor de Andrade refletiram no assassinato de Paulo Roberto. Rogério foi apontado como suspeito. Paulinho, como a vítima era conhecida, foi executado com cinco tiros na Avenida das Américas, na Barra da Tijuca.

De acordo com a perícia feita na época, ele foi atingido no peito, no rosto, no pescoço e nas costas por tiros de pistola 9mm, dentro de seu carro. (Leia mais abaixo)

Meses depois, a polícia identificou como autor dos disparos o ex-PM Jadir Simeone Duarte. Em depoimento, Duarte acusou Rogério de ser o mandante do crime.

Rogério chegou a ser denunciado como mandante da morte Paulo Roberto pelo Ministério Público na época, tendo Jadir Simeone Duarte como executor. Ele foi condenado pelo Tribunal do Júri em 2002 e posteriormente absolvido em 2013.

2001: Rogério de Andrade sofre atentado em hotel Em 2001, Rogério de Andrade foi vítima de uma tentativa de assassinato. Ele sofreu uma emboscada num apart-hotel na Barra da Tijuca, mas a arma do atirador falhou.

2010: Filho de Rogério é morto após bomba explodir no carro Em 2010, Rogério Andrade foi alvo de outro atentado no carro em que ele e o filho Diogo, de 17 anos, estavam na Avenida das Américas, uma das mais movimentadas da Barra da Tijuca. O adolescente dirigia um carro de luxo, escoltado por outros dois, quando uma bomba explodiu enquanto o veículo estava parado no sinal.

O atentado, de acordo com as investigações, foi uma tentativa de matar Rogério. Pai e filho haviam acabado de sair de uma academia, a 300 metros do local do acidente. Rogério sofreu apenas uma fratura no rosto. Diogo morreu na hora. (Leia mais abaixo)

2017: criminosos atiram contra Rogério e sua mulher Em 2017, criminosos atiraram contra Rogério e sua mulher, Fabíola, quando eles estavam chegando na casa onde moram, em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio.

O contraventor sofreu apenas ferimentos leves. A polícia disse que a mulher dele foi atingida por um tiro no braço e precisou passar por uma cirurgia. Eles foram levados para o Hospital Barra D'or, e a segurança na porta da unidade chegou a ser reforçada durante a noite.

Dias depois, a polícia descartou a hipótese de atentado.

2020: Rogégio x Iggnácio O nome de Rogério de Andrade passou a ser citado na investigação de outra morte que aconteceu em 2020, o assassinato de Fernando Iggnácio, que foi executado a tiros em novembro daquele ano no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio. Rogério foi apontando como mandante da morte juntamente com Márcio Araújo, também denunciado na "Operação Calígula".

Entretanto, em 2022, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu encerrar a ação penal contra Rogério. (Leia mais abaixo)

Grupo de matadores de aluguel Em 2020, o Ministério Público Estadual descobriu que o escritório do crime - um grupo de matadores de aluguel - teria sido contratado por Rogério Andrade para matar Fernando Iggnácio.

As investigações mostram que integrantes do escritório do crime buscaram na internet informações para comprar uma metralhadora, capaz de romper a blindagem de veículos.

Mocidade Independente de Padre Miguel A família Andrade vem de uma longa linhagem de contraventores. O mais famoso foi o patriarca, Castor de Andrade. Nas mãos dele, os negócios da família se transformaram num império do jogo do bicho.

Castor era conhecido como "capo di tutti capi", ou o chefão dos chefões, e era respeitado até pelos seus pares. Ele também foi patrocinador do Bangu Atlético Clube. Sob a patrocínio de Castor, o time chegou a final do campeonato brasileiro de 1985.

Outra característica herdada do tio Castor é o amor pelo samba. Ele segue os passos do contraventor e continua patrocinando a escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel - como Castor começou a fazer na década de 1970 -, e é tido como presidente da honra da agremiação. (Leia mais abaixo)

De acordo com as investigações, o objetivo é, em parte, para exaltar o nome da família, e, em parte para ajudar a lavar o dinheiro da contravenção, como o tio fazia.

Fonte: G1



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