Após mais de duas semanas de angústia, a família de Leandro Leite Carvalho, de 29 anos, se despede neste domingo do paraquedista e produtor de conteúdo. O jovem foi morto ao ser confundido com um miliciano durante um luau na Praia do Pontal, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio, no dia 6. O corpo dele, no entanto, só foi encontrado pelo Corpo de Bombeiros na última quinta-feira na Restinga de Marambaia. O enterro acontece neste domingo, às 14h, no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap.
Leandro, que também trabalhava como vigilante, foi ao evento com dois amigos. No local, criminosos armados o confundiram com um miliciano e se aproximaram. Segundo o registro de ocorrência do desaparecimento dele, na 42ª DP (Recreio), ao perceber que os homens começaram a agir de maneira estranha, o paraquedista – que tinha porte de arma – teria pedido para que seus amigos pegassem uma pistola em seu carro. Ao retornarem e entregarem a arma, os bandidos perceberam e atiraram. (Leia mais abaixo)
Leandro foi atingido e não resistiu. Um dos amigos dele também se feriu. Segundo relatos de pessoas que estavam no local, para se livrarem do corpo, os criminosos o colocaram em uma prancha de surf e a jogaram no mar.
— Eu vejo isso o tempo todo na televisão. A gente só se dá conta quando acontece com a gente. É inadmissível alguém sair para ir à praia e não voltar. A gente está tentando encontrar forças. Ele era um cara de bem, trabalhador, estudava para concurso, produzia conteúdo. É muito revoltante — desabafa Rafael Leite de Assis, de 34 anos, irmão de Leandro.
Rafael contou que o irmão, que deixou um filho de 3 anos, foi ao luau para produzir vídeos — produzir conteúdos para as redes sociais era uma das paixões de Leandro:
— Ele tinha publicado um (vídeo) antes que viralizou, chegou a um milhão de visualizações. Estava feliz. No canal dele, ele mostrava o cotidiano de uma forma engraçada.
Outra vontade do paraquedista era tentar passar num concurso público: (Leia mais abaixo)
— Ele queria fazer a prova para a Polícia Militar, já tinha pago um curso preparatório. No computador dele, a gente vê um monte de documentos e coisas de concurso, ele era muito dedicado ao que gostava.
Os irmãos gravaram alguns vídeos juntos. O último foi lembrado com emoção por Rafael.
— No último vídeo que eu fiz com ele lá em casa, foi sobre implicâncias entre irmãos. Eu pegava o controle remoto dele, e ele "dormindo", dizia que estava assistindo à TV só para não me dar o controle, essas brincadeiras de irmão. Ele já estava ganhando reconhecimento, conseguido parcerias — relembrou. — É revoltante. Nós, negros, já temos poucas oportunidades, quando a gente consegue alguma coisa, vidas são ceifadas pela violência. Desde o tempo da escravidão a gente foi ensinado a sobreviver e não a viver — disse.
Fonte: Extra