Papa inaugura conferência sobre abuso sexual infantil prometendo ações "concretas"

Cerca de 190 pessoas estão participando da conferência


  • 21/02/2019 13h37 Foto: Divulgação.

O papa Francisco prometeu ações concretas contra os abusos sexuais infantis cometidos por padres em uma conferência que ele inaugurou nesta quinta-feira, contrapondo-se ao ceticismo de algumas vítimas que disseram que a reunião parece um exercício de relações públicas.

Francisco convocou líderes católicos de todo o mundo para o encontro de quatro dias para tratar do escândalo que abalou a credibilidade da Igreja nos Estados Unidos – onde gastou bilhões de dólares em acordo judiciais –, Irlanda, Chile, Austrália e outras partes do mundo nas últimas três décadas. (Leia mais abaixo)

"Diante do flagelo dos abusos sexuais cometidos por homens da Igreja contra menores de idade, quis procurá-los", disse Francisco aos bispos e chefes de ordens religiosas reunidos, pedindo-lhes para "ouvir o brado dos pequeninos que estão pedindo justiça".

As vítimas esperam "medidas concretas e eficientes", e não meras condenações, acrescentou.

Depois que o papa se pronunciou, o cardeal filipino Luis Tagle rompeu em lágrimas ao ler um discurso sobre a pauta do encontro em que reconheceu que "feridas foram infligidas por nós, os bispos, às vítimas".

Alguns grupos de vítimas disseram que a conferência só almeja limpar a imagem da Igreja de 1,3 bilhão de fiéis, maculada por estupros e abusos de crianças cometidos por padres e acobertamentos de autoridades da instituição.

Mas Anne Barrett-Doyle, da bishopaccountablity.org, que monitora casos de abuso em todo o mundo, disse ter ficado agradavelmente surpresa com os comentários inaugurais do papa. (Leia mais abaixo)

"Eles disseram que isto seria só uma sessão educativa, mas agora ele está falando de medidas concretas. Isso é bom, mas vamos ver como termina", disse ela à Reuters.

Cerca de 190 pessoas estão participando da conferência, e os jornalistas podem ouvir os discursos graças a conexões de áudio e vídeo, mas não podem acompanhar os debates que se seguem.

O arcebispo Charles Scicluna, de Malta, o principal investigador de abusos sexuais do Vaticano, disse que a Igreja tem que analisar como padres e bispos são escolhidos.

"A questão da verificação futura de candidatos ao sacerdócio é fundamental", disse ele em um discurso centrado em detalhes legais sobre como os bispos têm que colaborar com as autoridades civis, adotando uma "cultura de divulgação" para a sociedade saber que "falamos sério".

Fonte: Reuters (Leia mais abaixo)



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