Saúde x Economia em Campos: medidas para evitar o caos e protestos

Medidas do governo Wladimir e Frederico para enfrentar o avanço da Covid encontram reações por parte de setores do comércio


  • 21/01/2021, 10h33, Foto: Campos 24 Horas e Divulgação.

Os casos de contaminação e mortes por conta da Covid 19 avançam assustadoramente em Campos nos últimos dias, com mais de 16.800 pessoas contaminadas e 609 óbitos confirmados. Outro dado preocupante é que a taxa de ocupação dos leitos de UTI em mais de 90%, inclusive nos hospitais da rede particular. Diante deste quadro, o prefeito Wladimir Garotinho (PSD) decidiu baixar o decreto 026/2021 que estabelece restrições da circulação de pessoas para evitar a proliferação do coronavírus, retornando à fase laranja, com o fechamento de todo o comércio considerado não essencial. Todavia, a coragem e firmeza de Wladimir e seu vice Frederico Paes em enfrentar o avanço da Covid em Campos encontraram reações por parte de setores do comércio, que realizam protestos nos últimos dias na frente da sede da prefeitura e bloqueando rodovias. É a mesma "briga" desde o início da pademia, economia versus saúde. A queda de braço partiu dos que reclamaram da falta de comprovação estatística e científica de que o lockdown é responsável por frear os casos de Covid.

Atualmente, restaurantes, bares, academias de ginásticas, inclusive de condomínios, salões de belezas, estádios e igrejas devem ficar fechados por uma semana. A prefeitura evita uso da expressão lockdonwn. Enquanto Wladimir se mantinha atarefado no Rio com a logística do transporte do lote de vacina para Campos, coube ao vice-prefeito Frederico Paes (MDB) anunciar as medidas, enquanto o subsecretário de Atenção Básica e Vigilância Sanitária, Charbell Kury cuidava de explicar o decreto em seus aspectos técnicos, estatísticos e científicos.  (Leia mais abaixo)

Uma radiografia do coronavírus no município revelou que Campos, na terça e quinta da semana passada, chegou a ter quase 100% de ocupação dos seus leitos de UTI reservados aos doentes de Covid. Só esta semana já ocorreram 366 casos de contaminação e 23 mortes.

Frederico Paes tem assumido o protagonismo de um vice que trabalha e concentra sua atuação especialmente no campo da Saúde. Ao justificar as medidas ele reconheceu o desconforto, mas alertou: “Eu sei o quanto é duro para o comerciante fechar o seu estabelecimento, com contas a pagar e salários a pagar. Mas se não seguiremos a ciência e recomendação das autoridades médicas vamos caminhar para o pior. Não podemos deixar acontecer aqui o que acontece em Manaus”, alertou.  

 A coragem e firmeza de Wladimir em enfrentar o avanço da Covid em Campos encontrou reações por parte de setores do comércio. A queda de braço partiu dos que reclamaram da falta de comprovação estatística e científica de que o lockdown é responsável por frear os casos de Covid. 

Não tardou para que se desencadeasse logo uma manifestação de protesto. Comerciantes fizeram uma manifestação de protesto contra a medida com a queima de pneus e barricadas na confluência da Avenida Artuhr Bernardes com a Rodovia BR-101, perto do trevo do índio. Entre as faixas de protesto lia-se: "Aglomerações na campanha eleitoral, festas clandestinas e praias cheias. E o comércio é quem paga a conta". 

O presidente da Associação Comercial e Industrial de Campos (Acic), Leonardo Castro de Abreu, reconheceu a situação crítica de Campos, mas pondera que não faltou aglomerações durante a campanha eleitoral, em parte responsável pelo aumento dos casos de Covid.  (Leia mais abaixo)

— Chegamos numa situação crítica com o alto índice de internações e óbitos. Mas isto já era previsto, fruto das aglomerações na campanha eleitoral e festas de final de ano que contribuíram para este caos. As pessoas ainda precisam entender da necessidade do uso da máscara, álcool gel e distanciamento, enquanto não houver esta consciência os índices continuarão altos. Os empresários que estão cumprindo com os protocolos não devem ser “punidos” por aqueles que não o cumprem. Reflete  no fechamento do estabelecimento, desempregando e não pagando os impostos, acarretando um custo maior ao poder público— desabafou.

Já a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) se manifestou em seu portal na internet. “Destacamos que o comércio foi exemplar na pandemia ainda em curso, observando todos os parâmetros de segurança determinados pelas autoridades sanitárias, estabelecendo um ambiente de segurança para o consumidor e funcionários, não sendo dessa forma um vetor do vírus da Covid-19”. 

Outros comerciantes ponderavam que atividades excluídas do decreto consideradas essenciais como supermercados, bancos e lotéricas tem registrado aglomerações. 

A fim de minimizar o quadro de saturação, 10 novos leitos que o prefeito conseguiu junto à Prefeitura de Duque de Caxias deverão ser utilizados a partir da próxima semana. Além da quase lotação dos leitos de UTI da rede pública de Campos, a situação nos hospitais particulares é crítica. Num deles, 9 pacientes em situação de agravamento da doença esperavam vaga diante dos leitos de UTI completamente ocupados.

As medidas drásticas adotadas em Campos encontram paralelo em Belo Horizonte, onde o comércio também já entrou em lockdown, além de alguns países como Alemanha, Itália e Reino Unido. Em Portugal, a medida entra nas cogitações do governo dada a gravidade da situação.   (Leia mais abaixo)



fique bem informado