
Depois de décadas no PT, o ex-ministro Antonio Palocci quebrou nesta quarta-feira (6) o silêncio, diante do juiz Sérgio Moro. Sem meias palavras, o antigo braço direito de Lula acusou o ex-presidente: ele tinha um pacto de sangue com a Odebrecht e recebeu um pacote de propina que incluía o terreno do Instituto Lula, o sítio em Atibaia, palestras com cachê de R$ 200 mil cada uma, e R$ 150 milhões para as campanhas do ex-presidente. Tudo dinheiro de corrupção em contratos superfaturados com empresas públicas. Palocci afirma que Dilma sabia e compactuava com o esquema criminoso, e que ele e Lula tentaram atrapalhar as investigações da força-tarefa da Lava Jato.
O ex-ministro Antonio Palocci falou por cerca de duas horas ao juiz Sérgio Moro. Nesta ação, além de Palocci, são réus o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outras seis pessoas.
A ação apura se a Odebrecht pagou propina de R$ 12 milhões a Lula com a compra de um terreno em São Paulo, onde seria construída a sede do Instituto Lula, e também de um apartamento vizinho ao de Lula, em São Bernardo do Campo.
Mas no depoimento desta quarta-feira (6), Palocci também foi questionado sobre outros assuntos e respondeu a todas as perguntas
Palocci está preso desde setembro de 2016. Em junho, em outra ação da Lava Jato, foi condenado a 12 anos de prisão pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.
Nessa ação, o Ministério Público afirma que o ex-ministro intermediou o repasse, no exterior, de US$ 10 milhões da Odebrecht ao casal de marqueteiros João Santana e Monica Moura, responsáveis por campanhas presidenciais de Lula e Dilma.
Palocci é apontado como o Italiano em planilhas do setor de propinas da Odebrecht.
Depois do depoimento desta quarta a Sérgio Moro, Antonio Palocci foi levado de volta à carceragem da Polícia Federal, onde segue preso.
Vantagens indevidas
Palocci confirmou que são verdadeiras as denúncias de pagamento de vantagens indevidas, em forma de doação de campanha e benefícios pessoais, nos governos Lula e Dilma.
Moro: Senhor Palocci, eu vou fazer aqui uma inquirição mais restrita ao objeto dessa acusação específica. Há uma referência na acusação de que a Odebrecht teria adquirido esse imóvel na Rua Haberbeck Brandão, isso em 2010, para utilização do Instituto Lula. O senhor participou de alguma maneira desses fatos?
Palocci: Os fatos narrados nela são verdadeiros. Eu diria apenas que os fatos narrados nessa denúncia dizem respeito a um capítulo num livro um pouco maior do relacionamento na empresa em questão, a Odebrecht, com o governo do ex-presidente Lula e a ex-presidente Dilma, com uma relação bastante intensa, bastante movida a vantagens dirigidas a empresas, a propinas pegas pela Odebrecht para agentes públicos em forma de doação de campanha, em forma de benefícios pessoais, em forma de caixa 1, caixa 2. E esse foi um episódio desse conjunto de práticas que envolveu essa empresa em relação ao governo do ex-presidente Lula e da ex-presidente Dilma.
Relação intensa com Odebrecht
O ex-ministro disse que a relação dos governos de Lula e Dilma com a Odebrecht era intensa e gerou doações ilegais para campanhas eleitorais.
Fonte: Globo