27/01/2016 08h15 | Foto: Divulgação

O governo está muito apreensivo com o impacto da epidemia sobre as Olimpíadas, uma vez que alguns dos bebês nascidos com microcefalia nos Estados Unidos e na Europa, até agora, são de mães que passaram pelo Brasil. Até por isso, o combate intensivo no Rio é fundamental. É preciso ainda, segundo assessores da presidente Dilma Rousseff, evitar a redução do número de turistas e até mesmo de atletas no evento, já que agências internacionais de controle de doenças estão recomendado que somente se deve viajar ao Brasil em caso de extrema necessidade, o que resultaria em um fracasso para o governo e para a imagem do país.
Além do trabalho de exterminação e prevenção de criadouros do mosquito, seja em residências, prédios públicos ou demais áreas de convivência, o governo investirá em campanhas publicitárias para passar uma mensagem “forte e direta” sobre a necessidade de combater o zika, com destaque para as consequências que a propagação do Aedes pode trazer.
— A fotografia do zika serão os milhares de bebês com sequelas que poderiam ter nascido completamente saudáveis. Isso deve ser mostrado para que as pessoas tenham a dimensão do problema. O Brasil agora está em guerra — disse ontem um ministro.
O Ministério da Educação ficará responsável por uma campanha de conscientização das crianças em idade escolar. O Ministério do Planejamento cuidará dos prédios públicos de praticamente todos os municípios, como agências dos Correios e da Previdência Social, além de edifícios abandonados e terrenos baldios que possam acumular água e ser foco do mosquito.
Além da ação focada no Rio de Janeiro devido à estratégia de comunicação, o governo também decidiu que dará prioridade a uma relação de cerca de 110 municípios onde os casos têm crescido exponencialmente.
Cinco países recomendam evitar gravidez
Na batalha contra a zika, cinco governos de países do continente americano — Colômbia, Jamaica, República Dominicana, Equador e El Salvador — recomendaram em comunicados oficiais que mulheres em idade reprodutiva evitem engravidar nos próximos meses. Desde que o vírus se espalhou pela região, esses países lançaram mão de orientações rigorosas para a prevenção de casos de microcefalia em bebês. O alerta parte da comprovação de que há relação entre a microcefalia e o surto de zika, especialmente no Brasil.
Em El Salvador, o Ministério da Saúde sugeriu às mulheres adiar a gravidez por pelo menos dois anos. No país, 5.397 casos de contaminação foram registrados desde o ano passado. Ao todo, 96 grávidas podem ter contraído o vírus, mas até agora nenhuma teve bebê com microcefalia. Na Colômbia, onde há 560 confirmações de gestantes com a doença, o tempo recomendado de espera para engravidar foi de seis a oito meses.
Equador e República Dominicana alertaram para os riscos associados à microcefalia sem indicar prazos específicos. A Jamaica não registrou ainda ocorrências da zika, mas o governo também pediu que as mulheres atrasem a gravidez, já que é só uma questão de tempo para que o vírus chegue ao país. A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou, na segunda-feira, que todo o continente americano deve ser atingido, com exceção de Chile e Canadá.
Os pedidos para se evitar a gravidez provocaram críticas nas redes sociais e meios de comunicação, principalmente na Colômbia e em El Salvador. Movimentos pelos direitos das mulheres destacaram o alto índice de gestações não planejadas na região. Em meio à reação da opinião pública, a ministra da Saúde salvadorenha, Violenta Menjívar, amenizou o tom alarmista e disse que não defende um “controle de natalidade”, mas um alerta sobre os perigos.
No Brasil, ministro pediu Cautela
Na última sexta-feira, o ministro da Saúde da Colômbia, Alejandro Gaviria, deixou aberta a possibilidade para que sejam permitidos abortos legais a gestantes que contraíram o vírus zika. Embora tenha afirmado que a mulher “deve decidir”, Gaviria disse que o aborto “não pode ser uma recomendação explícita do ministério”. Em El Salvador, a recomendação de autoridades da área da Saúde também reacendeu o debate sobre a legislação no país, que proíbe o aborto em todos os casos e prevê pena de 40 anos de prisão para quem realizá-lo.
No Brasil, o ministro da Saúde, Marcelo Castro, disse em novembro que mulheres que desejam engravidar devem ter cautela. O diretor do Departamento de Vigilância Epidemiológica do ministério, Cláudio Maierovitch, também aconselhou que mulheres pernambucanas não engravidem. Em nota, o ministério diz que “considera que a gravidez é uma decisão pessoal, que deve ser avaliada e ponderada pela própria mulher, juntamente à sua família”.
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