Paes e Castro ordenam desocupação de prédio no Centro do Rio, com ação do Choque

Deputado federal Tarcísio Motta foi atingido por spray de pimenta e famílias relatam agressões


  • 08/09/2025, 07h50, Foto: Divulgação .

Agentes do Batalhão de Choque da Polícia Militar, da Guarda Municipal e da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop) desocuparam um prédio na Região Portuária, no Centro do Rio, na manhã deste domingo (7). O imóvel foi ocupado na mesma manhã por militantes do Movimento de Luta por Bairros, Vilas e Favelas (MLB). Durante a ação, uma pessoa foi detida e duas ficaram feridas, encaminhadas ao Hospital Souza Aguiar.

O deputado federal Tarcísio Motta (Psol) esteve no local e acusou a Seop de impedi-lo de fiscalizar a ação, chegando a discutir com o secretário Marcus Belchior, também presente. Nas redes sociais, o prefeito Eduardo Paes disse que ordenou a ação, depois de conversar com o governador Cláudio Castro. (Leia mais abaixo)

Em um vídeo publicado por Tarcísio, um agente joga gás de pimenta contra o parlamentar. Outros militantes também alegaram terem sido agredidos durante a ação e o deputado estadual Professor Josemar (Psol) afirmou que irá prestar queixa por isso. O clima no local era de tensão e gritaria.

— Houve muita bombada gás lacrimogênio, bala de borracha. A polícia entrou por um lado, e a Guarda Municipal veio pelo outro, jogando bombas. A PM já tinha entrado, estava tudo sendo desocupado lá dentro. A Seop entrou, e eu disse que, como deputado, queria acompanhar o que seria feito lá dentro. Mas a Guarda Municipal não deixou. impediram a prerrogativa de um parlamentar. Tinha um dos guardas que estava à paisana, sem nenhuma identificação e me agrediu — afirma Tarcísio, que completa: — Parte deste prédio é do Governo Federal e está listado para moradia popular. A ocupação era para que este processo ande.

Os agentes da Seop apreenderam pertences dos ocupantes, como mochilas, bandeiras e comidas. Os representantes do movimento chegaram a pedir uma lista do que estava sendo levado para checarem quando fossem reavê-los. O secretário informou que isso seria feito apenas no depósito, e uma das lideranças foi para o local inspecionar.

— Os pertences foram levados sem nenhum auto de apreensão, mais uma irregularidade — avalia Tarcísio.  

Paes alega que imóvel vai virar Centro Cultural   O prefeito Eduardo Paes e o governador Cláudio Castro determinaram que a Guarda Municipal e a Polícia Militar fizessem a desocupação imediata do prédio. Segundo Paes, o imóvel foi escolhido para virar o Centro Cultural Rio África, na entorno do Cais do Valongo, mas 40 famílias sem moradia chegaram ao local na manhã deste sábado. Elas serão acolhidas em outra ocupação. (Leia mais abaixo)

Em postagem no X, o prefeito acusou o Partido Socialismo e Liberdade (Psol) de promover a ocupação, através de um braço chamado Movimento de Luta dos Bairros, Vilas e Favelas (MLB). Mas integrantes do partido que estavam no local disseram que o MLB não faz parte do Psol. A crítica de Paes foi ampliada ao governo federal, de Lula: "O que mais me impressiona é que essa gente (do Psol) chegou ao poder e faz parte da base do governo federal. O governo federal é o maior latifundiário urbano na cidade do Rio de Janeiro e poderia facilmente destinar boa parte de suas áreas para habitação popular no centro do Rio. Mas preferem sempre ocupar e esculhambar com a cidade". Tarcísio Motta negou a organização direta do movimento pelo Psol, mas disse que apoia as famílias. E acrescentou que o imóvel está na lista de destinação para moradia do governo federal. "Estamos aqui na Avenida Venezuela, numa ocupação absolutamente pacífica pelo direito à moradia, num prédio que está abandonado, que pertence ao governo federal e está inclusive na lista de destinação para moradia. Estamos apoiando o movimento social", alegou em vídeo postado.  

Ocupação teria sido fruto de engano   A divergência de informações entre Paes e Motta poderia ser explicada, aparentemente, por uma confusão. Segundo Leonardo Mesquita, diretor da Cury, proprietária do imóvel, as famílias que chegaram neste sábado ao prédio que deve virar o Centro Cultural Rio África teriam entrado no terreno errado.

— Aparentemente, eles entraram no terreno errado. Ao lado fica um terreno da União, ocupado por peruanos. Esse imóvel que foi ocupado hoje está em um processo de doação para a prefeitura — explicou o diretor da Cury: — Os dois terrenos integravam a antiga sede da antiga Pró-Matre. A área invadida pelos chilenos é alvo de uma ação de desocupação da União e não faz parte do projeto da prefeitura do Rio. Já Tarcísio afirma que o prédio é o mesmo. Mas que há dois proprietários.

— Não há dúvidas de que uma parte deste terreno, exatamente aqui onde está o prédio maior da Pró-Matre, seja da União. Portanto, este não está no museu. Se o Eduardo Paes está contando com esta parte do prédio, ele precisa falar com a Secretaria de Patrimônio da União e dizer para onde vão as famílias que estariam alocadas aqui — afirma Tarcísio.  

Há dez meses, concurso definiu projeto para centro cultural   No fim de outubro do ano passado, a Prefeitura do Rio anunciou o arquiteto vencedor de um concurso para tocar o projeto do Centro Cultural Rio-África, na Região Portuária da cidade. A iniciativa foi realizada em conjunto entre a Companhia Carioca de Parcerias e Investimentos (CCPar) e o Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB-RJ). Marcus Vinicius Damon Martins De Souza Rodrigues, do Estúdio Modulo De Arquitetura e Urbanismo, de São Paulo, foi escolhido para o desenvolvimento do espaço dedicado à ancestralidade afro-diaspórica, que deve receber exposições, mostras e programas educativos. No entanto, as obras não foram iniciadas até o momento, cerca de dez meses depois.   (Leia mais abaixo)

 



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