sexta-feira 28 de novembro de 2014 - Foto: Divulgação

O anúncio definitivo da nova equipe econômica para o próximo mandato da presidenta Dilma Rousseff provocou repercussões diversas no Congresso Nacional. Para a oposição, a escolha de Joaquim Levy para a Fazenda, Nelson Barbosa para o Planejamento e a manutenção de Alexandre Tombini no Banco Central representam um “estelionato eleitoral” por parte da presidente. Já os governistas elogiaram as indicações e rebateram as críticas.
Aécio Neves disse que nova equipe econômica busca recuperar "a credibilidade perdida" principal opositor de Dilma Rousseff na campanha presidencial, considerou a escolha uma tentativa de acalmar o mercado financeiro. No entanto, avalia Aécio, outras manobras fiscais da presidente acabam levando o País ao descrédito, caso da tentativa de rever a meta de superávit para este ano.
“A presidente escolheu novos nomes para a área econômica do governo tentando acalmar o mercado e recuperar a credibilidade perdida. Mas, ao mesmo tempo, protagoniza no Congresso mais um violento ataque à credibilidade do País ao afrontar a Lei de Responsabilidade Fiscal, alterando as metas de superávit e usando como moeda de troca os cargos públicos de sempre”, avaliou.
O líder do Democratas na Câmara, deputado Mendonça Filho (PE), considerou que as escolhas de Dilma representam o oposto do que ela prometeu ao longo da campanha eleitoral. A ortodoxia econômica associada aos novos ministros, na opinião de Mendonça, era o que Dilma criticava em seu principal adversário, o senador Aécio Neves.
“Cada atitude da presidente nesse pós-período eleitoral mostra que ela iludiu os brasileiros. Os juros subiram, a inflação bate o teto da meta corroendo o poder de compra do povo, e agora empossará um ministro da Fazenda ortodoxo para administrar o rombo nas contas do governo. Dilma age totalmente diferente do seu discurso de campanha”, declarou o líder.
Os governistas, no entanto, elogiaram as escolhas e rebateram as acusações da oposição. A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), que foi ministra da Casa Civil de Dilma, lembrou que os três ministros já fazem parte dos governos petistas desde os mandatos do ex-presidente Lula. Segundo ela, isso significa que não há contradição, uma vez que Dilma não está trazendo pessoas estranhas ao seu projeto de governo.
O líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (CE), também defendeu a escolha e disse que os nomes geram “credibilidade” e “expectativa positiva” no mercado financeiro. “Joaquim Levy é alguém que tem experiência na área e credibilidade. Convivi com o agora ministro Nelson Barbosa, portanto acho que a presidente fez a escolha adequada, e espero que isso gere a confiança no mercado para que a gente possa viver momento de expectativa positiva e de esperança”, disse.
Apesar do anúncio dos nomes, a nova equipe econômica só deverá tomar posse no próximo ano. Em nota, a Secretaria de Imprensa da Presidência da República informou que os ministros Guido Mantega e Miriam Belchior permanecerão em seus cargos na Fazenda e no Planejamento, respectivamente, até que se conclua a transição e a formação das novas equipes de seus sucessores.