Suledil: “Oposição de hoje é aquela que se uniu com um dos envolvidos no Petrolão”

Campos 24 Horas ENTREVISTA Suledil Bernardino


Atualizado: segunda-feira, 16 de março de 2015   -   Foto: Campos 24 Horas Postado por: Fabiano Venancio Embora não seja economista, seu forte sempre foi falar do assunto e, neste momento em que vive o país, como bom professor que é, levanta números, discute cotação, taxa de juros, Produto Interno Bruto (PIB), ICMS, IPI, barril de petróleo (em qualquer tipo de contrato negociado no mercado mundial de petróleo, como Brent, WTI ou Dubai), além de ganhos e perdas de uma economia nacional que, até 2012, era considerada a sétima maior economia do mundo. Suledil-AL (10)É assim o professor e atual secretário municipal de Controle Orçamentário e Auditoria, Suledil Bernardino, que, com uma língua afiada, também não deixa de falar de política, uma área que domina bem. Dono de uma memória privilegiada, levanta nomes, partidos, coligações, disputas eleitorais, sem esquecer da oposição local, a ponto de uma frase sua se transformar em título dessa matéria, como o leitor pode constatar acima.   Confira a entrevista: Campos 24 HorasNa sua opinião essa crise econômica nacional estourou a partir de que ponto? Suledil Bernardino– Estourou porque fracassou a tentativa de montar a economia só na base de incentivo ao consumo. Exemplo: Concessão de isenção de IPI para a indústria automobilística e a chamada linha branca (geladeira, fogão, máquina e outros aparelhos). C24H– Mas, só por isso? Suledil – Não, também pela ampliação do Programa Bolsa Família, com inclusão de pessoas no mercado de consumo e, entretanto, a perda de receitas fez com que o governo estourasse a meta fiscal. Passadas as eleições não sobrou alternativa senão a retomada do modelo ortodoxo na economia, com objetivo de cumprir o superávit primário para pagamento da dívida pública que chega a quase R$ 2 trilhões e 400 bi. Suledil-AL (4)C24H – O senhor que dizer que a inflação fugiu da meta. Seria isso? Suledil - Com certeza. E o remédio tem sido o aumento das taxas de juros nos últimos quatro meses, como estamos vendo, chegando a taxa de 12,75%, na tentativa de frear a oferta de crédito e reduzir o consumo. Os preços públicos tiveram que ser realinhados depois de longo período de congelamento, sendo os principais, o aumento dos derivados do petróleo (gasolina e diesel), além de energia elétrica, esta em função da crise hídrica, forçando a produção de energia à base de termoelétrica movida à diesel e termogás, que é muito mais caro que a produção à base de hidrelétrica. C24H – Vamos trazer a discussão mais para perto de nós... Suledil – Então tá. O Estado vem sofrendo perdas de receitas de ICMS desde 2014, afetando os repasses para as 92 prefeituras em que a maioria tem o imposto como principal fonte de receita. As cidades ligadas ao petróleo, incluindo Campos, têm sido afetadas não só pela crise nacional e estadual, mais pela crise internacional em função do preço do barril de petróleo, que caiu de US$ 115 por barril, para menos de US$ 50, fazendo com que Campos, por exemplo, perdesse no primeiro bimestre, R$ 110 milhões entre royalties e participação especial. E a região, R$ 247 milhões de perdas. C24H – A oposição tentou atribuir a crise de Campos às eleições passadas. O que você fala sobre isso? Suledil – Essa atribuição foi por desconhecimento ou por má fé. Mas como mentira tem pernas curtas, a máscara caiu, porque não se fala em outra coisa nos noticiários, a não ser a crise que está mergulhando a economia do país e as finanças do Estado. A Prefeita Rosinha, com sua experiência, foi pioneira em alertar sobre a crise e tomar medidas duras para atravessar o momento crítico de perdas de receitas que, diga-se de passagem, devem ultrapassar a casa dos R$ 800 milhões este ano, comparando com 2014. Suledil-AL (2)C24H – Como você explica essa frase colocada como título dessa matéria, da união da oposição com gente do petrolão? Suledil - Mas é verdade. A oposição se uniu como unha e cutícula com a candidatura do atual governador Pezão, defendendo como melhor projeto para Campos. Cabral saiu pela porta dos fundos do Palácio Guanabara, sumiu durante as eleições, isso para forjar uma farsa à candidatura de Pezão. E essa semana o Superior Tribunal Federal (STF) autorizou investigação com quebra de sigilo de informação, do enrolo em que estão medidos Cabral, Pezão e com Regis Fichtner, então secretário da Casa Civil, entre outros colaboradores do governo, beneficiados no maior escândalo de corrupção do país, o Petrolão. Suledil-AL (6)C24H – Você fala no início da entrevista do “poder pelo poder” da oposição. Pode explicar? Suledil – Olha, a oposição sabe dos escândalos de Cabral com a empresa Delta de construção no desenvolvimento de obras para a Copa do Mundo, sabe das manifestações do Rio contra o governo Cabral e Pezão que, até então era seu principal secretário, na pasta de Obras, mas na ânsia do poder pelo poder, como já falei, tentando denegrir a imagem da prefeita, metem os pés pelas mãos. E, agora, estão maculados pelo que fizeram. O povo de Campos sabe a origem desses paladinos da falsa moralidade e, na hora certa, saberá separar o joio do trigo. C24H – Com todas essas crises, e agora Suledil? Suledil – Estamos cumprindo com o nosso dever de casa, reduzindo salários de secretários, de DAS, vamos reduzir secretarias, cortar cargos comissionados e reduzir contratos. Mas vamos, principalmente, continuar dando prioridade àquilo que é essencial à vida, como saúde, educação, moradia digna para famílias que residem em áreas de risco ou aluguel social, transporte de qualidade com novos ônibus e uma cidade mais limpa e iluminada, como forma de segurança para a população.



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