Operação da PF que já prendeu ex-deputado Bacellar, ex-prefeito Canella e delegado Amim tem nova fase nesta quinta

9ª fase da Operação Unha e Carne hoje mira uma organização criminosa “com ramificações voltadas a lavagem de dinheiro e ocultação de bens e valores”


  • 29/10/2026, 08h08, Foto: Divulgação.

Campos 24 Horas – A Operação Unha e Carne, da Polícia Federal (PF), que já prendeu o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, o ex-prefeito de Belford Roxo e deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil), e o ex-chefe da Polícia Civil Marcus Amim, tem nova fase na manhã desta quinta-feira (29), tendo como um dos alvos o pastor Márcio Poncio. O religioso foi preso na 5ª etapa, em 2 de julho, e está em prisão domiciliar.

Outro alvo nesta quinta é Bernardo Coutinho Loyola, sobrinho do bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, contra quem foi cumprido, na Unha e Carne 5, um mandado de prisão.

(Leia mais abaixo)

Desta vez, agentes miram uma organização criminosa “com ramificações voltadas a lavagem de dinheiro e ocultação de bens e valores”. A PF diz ter encontrado indícios de “uma complexa rede patrimonial” composta por imóveis de alto padrão, aeronaves executivas, veículos de luxo e empresas.

Essas firmas, segundo a corporação, eram registradas em nome de familiares, colaboradores próximos e terceiros “formalmente desvinculados do núcleo investigado”, mas que permaneceriam sob administração de integrantes da organização criminosa.

“Também foram constatadas a utilização recorrente de dinheiro em espécie, movimentações financeiras sem rastreabilidade compatível e o emprego de empresas nacionais e estrangeiras, além da possível utilização de entidades religiosas e holdings patrimoniais”.

Mandados - Policiais saíram para cumprir 4 mandados de busca e apreensão na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro. As ordens judiciais foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A TV Globo apurou que entre os endereços vasculhados estão salas comerciais de Poncio, apontadas pela PF como “estruturas operacionais e administrativas”.

(Leia mais abaixo)

Já Bernardo é apontado como “um dos principais operadores” do esquema. A PF foi até um imóvel residencial vinculado a ele.

A Polícia Federal explicou que a Unha e Carne 9 foi deflagrada após a análise dos dados extraídos do celular de Poncio.

“Tais informações revelaram novos endereços, estruturas empresariais e ativos patrimoniais supostamente utilizados pelo grupo na administração, ocultação e movimentação de recursos financeiros”, explicou.

A Unha e Carne 5 - A 5ª fase da Unha e Carne, deflagrada em 2 de julho, mirava pagamentos do jogo do bicho e da “Máfia do Cigarro” a agentes públicos.

Adilsinho, que já estava encarcerado e teve um mandado de prisão contra si, é apontado como o chefão desse esquema. Márcio Poncio, membro da Igreja da Nuvem e empresário, construiu sua trajetória no setor do tabaco, atividade que lhe rendeu o apelido de “pastor do cigarro”.

(Leia mais abaixo)

O religioso foi preso em um flat na Praia da Barra da Tijuca, mas na semana seguinte o STF converteu a prisão preventiva em domiciliar, e em 12 de julho Poncio deixou a cadeia.

Outro alvo de prisão nessa etapa foi o hoje ex-deputado Rodrigo Bacellar, que também já estava encarcerado.

As investigações da Unha e Carne 5 começaram em 2021 e miraram Adilsinho. Uma delas foi a Operação Smoke Free, de novembro de 2022. Em um dos endereços de Adilsinho, a PF encontrou listas de políticos — a TV Globo apurou que eram pelo menos 25. Os documentos estavam dentro de uma mala de couro na cabeceira da cama do bicheiro.

A PF não revelou nenhum nome, mas disse que esses agentes políticos são investigados por suspeita de receber doações de Adilsinho para a campanha de 2022.

Segundo a PF, as planilhas indicam “a existência de registros relacionados a supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e contabilidade vinculada à lavagem de capitais”.

(Leia mais abaixo)

“As listas chamaram a atenção dos investigadores por apontarem possíveis repasses diretos de valores a agentes políticos do Estado do Rio de Janeiro”, afirmou a Polícia Federal.

Em 2024, a reportagem mostrou que a Máfia do Cigarro controlava, na época, ao menos 45 dos 92 municípios do Rio de Janeiro. Nesses lugares, só os maços produzidos pela quadrilha podiam ser vendidos.

Fonte: g1



fique bem informado