Obras estruturantes na pauta para decolar o desenvolvimento de Campos e região

Campos 24H ouve setor produtivo sobre obras. Governador Cláudio Castro aponta ferrovia que liga o Rio ao ES como prioridade


  • 23/02/2023, 07hh18, Fotomontagem: Campos 24 Horas.

Postado por Fabiano Venancio - O ano de 2023 é cercado de grandes expectativas para o campista, a partir de projetos e obras estruturantes que deverão contribuir decisivamente para o desenvolvimento regional. A ferrovia F-118 e a Ponte da Integração são apontadas como vitais pelo setor produtivo, cujos representantes foram ouvidos pelo site Campos 24 Horas. No final de janeiro, o presidente Lula (PT) reuniu os governadores e pediu que os gestores estaduais lhe apresentassem uma lista de quatro obras prioritárias para a infraestrutura dos estados. Entre as demandas encaminhadas pelo governador Cláudio Castro (PL) estão a ferrovia F-118, que liga o Rio ao Espírito Santo.

A F-118 visa interligar o Estado do Rio ao Espírito Santo, conectando-se à malha existente e permitindo o escoamento da produção agrícola pelo Porto do Açu e de minério de ferro pelo porto do Ubu. O investimento previsto é de R$ 7,8 bilhões. (Leia mais abaixo)

Mas outro projeto de importância prioritária para o desenvolvimento regional é a Ponte da Integração, sobre o Rio Paraíba do Sul, que interliga o tráfego de veículos entre Campos, São Francisco de Itabapoana e São João da Barra. A obra é de responsabilidade do governo estadual.  

Para o presidente da Associação Comercial e Industrial de Campos (Acic), Fernando Loureiro, a F-118 é de importância capital não apenas para Campos, mas também para o Brasil decolar de vez na vanguarda da logística do transporte de cargas e de passageiros.  

“Será de extrema importância não apenas para o Açu, mas para Campos e o Brasil, que precisa retomar o transporte pela malha ferroviária, que é um tranporte mais seguro, de maior rapidez. É o caminho que toda a Europa seguiu, com o transporte misto (de cargas e passageiros), e o trem-bala (exclusivo para passageiros) que também tem um custo menor do que o transporte rodoviário”, analisou.

JÁ PASSOU DA HORA - “A Ponte da Integração é cansativo falar porque é uma vergonha que sucessivos governantes tenham adiado sua conclusão desde a época de Alair Ferreira (ex-deputado federal) para só agora termos esta perspectiva. Quantas licitações e relicitações até agora? Quantos caminhões de pedras ali não foram gastos? Já passou da hora de concluir a obra”, disse Loureiro.   

Para o economista Ranulfo Vidigal, os sinalizadores para conclusão das obras da ponte autorizam expectativas otimistas após “as águas de março” que ainda estão por vir. “O Paraíba está cheio. Assim que passar o período das chuvas que tem vindo de Minas Gerais e o nível de chuvas zerar eu acredito que a conclusão sairá porque a obra já está em sua reta final. Já não há impeditivos de ordem orçamentária ou de licitação. A questão agora é operacional e a obra está pronta para deslanchar após as famosas águas de março para ser executada em definitivo”, avaliou Ranulfo. (Leia mais abaixo)

IMPORTANCIA CAPITAL - Quanto as obras da F-118, o economista considera que Claudio Castro acertou em listar o empreendimento como prioridade. “A ferrovia será de capital importância para que o Porto do Açu viabilize a sua consolidação no embarque de petróleo e outras commodities, sendo também impulsionado pelo novo BNDES que retoma agora seu papel de propulsor do desenvolvimento nacional. Os grandes portos no Brasil e no exterior só se conseguem viabilizar como grandes terminais através de estreita conexão com grandes ferrovias”, pontuou.

Outra obra de infraestrutura importante apontada por Ranulfo é a duplicação da BR-356. “Para os próximos anos, logo ali na frente, há uma estimativa de aumento significativo do fluxo de transporte de cargas nesta rodovia que liga o Porto do Açu à BR-101. É imprescindível a sua duplicação”, concluiu.  

Estrada de ferro 118  - A EF-118 pode gerar seis mil empregos diretos e indiretos e uma arrecadação em impostos de R$ 457 milhões.  O projeto tem duas opções, com custos diferentes:  Opção A: O projeto de construção da ferrovia EF-118, trecho do Porto do Rio de Janeiro (RJ) ao Porto de Tubarão (ES), com conexão ao Porto do Açu (RJ) e Porto Central (ES), Opção B: O projeto de construção da ferrovia EF-118, trecho São João da Barra (RJ) – Anchieta (ES), visa a interligar o Estado do Rio de Janeiro ao Espírito Santo, conectando-se a malha existente e permitindo o escoamento da produção agrícola pelo Porto do Açu e de minério de ferro pelo porto do Ubu.   O empreendimento prevê uma extensão de 160 km e conectará 8 municípios, sendo eles: São João da Barra (RJ), Campos dos Goytacazes (RJ), São Francisco de Itabapoana (RJ), Presidente Kennedy (ES), Itapemirim (ES), Rio Novo do Sul (ES), Piúma (ES) e Anchieta (ES). São R$ 2,5 bilhões na expansão do Corredor Centro-Leste.

Ponte da Integração - Com obras iniciadas há cerca de 40 anos, desde a época do deputado Alair Ferreira (falecido em 1987), que viabilizou as verbas para sua execução, a Ponte da Integração – interligando os municípios de São João da Barra e São Francisco do Itabapoana,– tem previsão de ser inaugurada no dia 31 de maio deste ano.

O Departamento de Estradas de Rodagem do Rio de Janeiro (DER-RJ) informa que os serviços se concentram na parte estrutural da ponte (envolvendo lajes de continuidade armadas e concretadas), montagem de treliças de lançamentos, além da instalação de barreiras e guarda-corpos. (Leia mais abaixo)

O DER-RJ avalia que, com a previsão de um período sem tantas chuvas fortes, a expectativa é que as obras, que começaram em fevereiro do ano passado, não tenham mais interrupções em seu cronograma. “Ao todo, serão gastos mais de R$ 40 milhões para finalizar o projeto”. 

O projeto aponta que, com 16,2 metros de largura, a ponte tem 35 pilares, sendo 17 no trecho sobre o Rio Paraíba do Sul, 14 em São João da Barra – onde a estrutura fica entre a intersecção com a BR-356 (próxima ao Trevo do Açu) - e quatro em São Francisco do Itabapoana, na RJ-194, na localidade Campo Novo.

Estudos sobre a construção concluem que “a estrutura de 1.344 metros, que encurtará a viagem entre os dois municípios em até 80 quilômetros, vai beneficiar milhares de produtores rurais e promete alavancar o turismo local”.

A estimativa é de que mais de um milhão de pessoas serão beneficiadas após a conclusão dos trabalhos, sem contar os empregos gerados a partir do desenvolvimento do Porto do Açu.  



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