O Twitter marcou como enganosas publicações do presidente Jair Bolsonaro, do Ministério da Saúde e de outras figuras públicas brasileiras desde a última sexta-feira (15) com uma mensagem que aponta que a publicação feriu as regras da rede social.
A plataforma afirma que, por ser um conteúdo que pode ser do interesse público, os posts são mantidos no ar. Esse tipo de marcação passou a acontecer com mais frequência durante a pandemia de Covid-19, após a plataforma definir regras para conter a desinformação sobre a crise sanitária. (Leia mais abaixo)
As publicações rotuladas pelo Twitter ficam escondidas sob um aviso no perfil de quem as publicou.
O alerta colocado em posts de Bolsonaro, do Ministério da Saúde e de deputados tem um texto que diz: "Este tuíte violou as Regras do Twitter sobre a publicação de informações enganosas e potencialmente prejudiciais relacionadas à Covid-19. No entanto, o Twitter determinou que pode ser do interesse público que esse Tweet continue acessível."
Os tuítes continuam no ar, mas, quem abre a postagem vê primeiro esse aviso.
O que acontece com esses tuítes?
O Twitter afirma a marcação de posts reduz sua visibilidade e circulação: (Leia mais abaixo)
Quais posts podem ser rotulados?
Nas regras sobre remoção de conteúdo que envolva desinformação sobre a Covid-19, em texto de julho passado, a rede social aponta o que leva em conta ao considerar essa medida. Podem ser alvos posts que:
Não são apenas publicações sobre Covid-19 que podem receber um rótulo como esse. Posts que desrespeitem qualquer uma das regras de uso da rede social estão sujeita à marcação, incluindo aqueles que incitem violência ou que possam manipular ou interferir em eleições ou outros atos cívicos.
Por que marcar e não remover?
Os critérios do Twitter para decidir se uma publicação será removida ou mantida no ar não estão expostos nas regras da plataforma. Segundo a rede, a decisão depende do "interesse público". (Leia mais abaixo)
No caso de posts de líderes mundiais, o Twitter diz que, ainda que a mensagem viole as regras "se houver um claro interesse público em mantê-lo na plataforma, nós o colocaremos atrás de um aviso que trará contexto sobre a violação e permitirá que as pessoas cliquem e vejam o conteúdo se assim desejarem".
"O aviso é potencialmente informativo. Ele pode fazer com que a pessoa passe a procurar informações verdadeiras em outros canais e romper o canal da desinformação”, avalia Yasmin Curzi, especialista em Direito Digital, da FGV-Rio.
“Adicionar uma informação a mais, um aviso ou um link para que a pessoa chegue à checagem de fato daquela informação é uma boa medida porque não suprime a manifestação de um usuário”, diz Ivar Hartmann, professor associado do Insper e especialista em direito digital.
Fonte: G1