Artigo: O porquinho da poupança em tempo de regime


sábado, 09 de maio de 2015   -    Foto: Campos 24 Horas Suledil 3Artigo Suledil Bernardino (*)Secretário de Controle Orçamentário e Auditoria Esta semana, o Banco Central anunciou que os saques na caderneta de poupança em abril atingiram 156,36 bilhões de reais e superaram os depósitos em 5,85 bilhões no mês.  Pelo quarto mês consecutivo, o povo continua sacando parte de sua poupança, conforme divulgado pelas autoridades do governo federal. Sabemos que há uma onda de boatos se espalhando em redes sociais de que a presidenta Dilma vai confiscar parte do dinheiro depositado em poupança copiando o que foi feito na Era Collor de Melo. Os momentos são tão diferentes que não dá para acreditar nessa intriga de maus brasileiros tentando por em xeque a credibilidade que a caderneta de poupança tem, principalmente, se tratando de bancos oficiais, como é o caso do Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. O que pode estar acontecendo é que muitas pessoas colocaram dinheiro na poupança, não com o objetivo de poupar, mas se aproveitando do atrativo da remuneração da poupança para usá-la como investimento. E, agora, com o crescimento inflacionário e a elevação da cotação do dólar, esses “investidores” estariam retirando dinheiro para aplicar em outras modalidades mais rentáveis, neste momento, mesmo correndo risco em detrimento das garantias dos depósitos em poupança. De qualquer forma, retirar dinheiro de poupança é um mau sinal de credibilidade da população perante a política econômica adotada pelo governo federal. Nenhum país prosperou sem fazer poupança porque é com ela que se gera capacidade de fazer investimentos tão necessários para o crescimento econômico e geração de empregos. A queda na captação de recursos pela poupança acontece, logo agora, quando a Caixa Econômica Federal, maior concessora de empréstimo habitacional do país, com cerca de três quartos do mercado, tem elevado juros e apertado as condições de financiamento para o setor imobiliário. Nos últimos dias, a Caixa também reduziu a cota de financiamento de imóveis usados para operações com recursos da poupança (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo), de 80 para 50 por cento. Com tudo isso, o tradicional porquinho, símbolo da poupança no Brasil, está fazendo um regime obrigatório, mas como toda pessoa que faz regime, um dia se cansa dele e tudo volta ao normal, como era antes.



fique bem informado