O maior órgão do corpo humano pode ser reconstituído em Campos

CAMPOS 24 HORAS entrevista Angela Carlos do Amaral, responsável pela Comissão de Pele dos hospitais Ferreira Machado e São José


domingo, 17 de maio de 2015       -       Foto: Campos 24 Horas Postado por: Fabiano Venancio angela amaral5 Para tudo tem jeito na vida, só não tem para a morte. Um provérbio popular, que pode ser aplicado até no caso de pacientes que sofrem queimaduras de 1º, 2º ou 3º graus e que perdem a pele, lesões tipo fratura exposta com perda de tecido (traumas), deiscências (abertura espontânea de tecido após procedimento cirúrgico), enxertos de pele, problemas de cicatrização com lesão com a proposta de prevenir, entre outros. E para tudo isso e mais alguma coisa tem jeito, aqui em Campos, ao alcance não só dos campistas, mas também de pessoas vindas de toda a região, no Hospital Ferreira Machado (HFM). E o mais interessante que o mesmo tratamento, mas ambulatorial, pode ser encontrado também na rede pública local, no Hospital São José. Somente nesta unidade são feitos de 3 a 4 mil atendimentos/mês desta natureza. Que o diga a enfermeira, pós-graduada em Dermatologia em Enfermagem e professora universitária, Angela Carlos do Amaral, responsável pela Comissão de Pele da unidade, que existe há dois anos. Se comparadas as fotos tiradas dos pacientes ao entrarem no hospital e ao sair, muitos deles com a pele praticamente torrada e outros com fraturas expostas com rompimento da pele, pode-se dizer que essa comissão faz verdadeiro milagre. Não foi à toa que Angela, do alto dos seus mais de 25 anos de profissão, acabou de chegar de um simpósio no Texas, Estados Unidos, onde apresentou seu mais recente trabalho científico sobre crianças queimadas, com a proposta de um tratamento novo para o paciente dessa natureza, misturando glicerina e colágeno. Confira a entrevista: angela amaral3Campos 24 Horas – Primeiro vamos entender essa Comissão. É formada por quem? Angela Carlos do Amaral Ela é formada por uma enfermeira, que sou eu, um técnico de enfermagem e seis cirurgiões plásticos. Essa equipe dá atenção ao paciente com problemas de cicatrização com lesão ou, também, com a proposta de prevenir. A equipe avalia o paciente que chega à unidade e, a partir daí, traça um plano de cuidados. No caso da prevenção, é aplicada àqueles pacientes internados com dificuldade de mobilização, principalmente, os de terapia intensiva, ou ainda outra lesão que o impossibilite de se mobilizar no leito, estes com probabilidade maior de desenvolver úlceras por pressão (escaras). C24H – Como é esse trabalho preventivo para quem está impossibilitado de mobilização? Para evitar escaras, por exemplo? Angela – São variados procedimentos, um conjunto de ações. Um colchão especial, placas de proteção na pele, hidratação após o banho, entre outros. E esse cuidado é 24h por dia, não para. Existe uma escala de avaliação e aqui usamos a Escala de Braden, que é a mais usada no mundo, justamente por ser mais prática e muito eficaz, sem complicações. C24H – Vamos falar das queimaduras e, claro, dos pacientes queimados... Angela – Sim. As queimaduras são classificadas em graus (1º, 2º e 3º graus) e, dependendo do grau, um tipo de tratamento adequado. Aqui no HFM usamos gaze antimicrobiana, que previne a infecção do paciente, além de gel de colágeno e a toda eficiência e dedicação da equipe. Também quando é necessário o enxerto da pele, o tecido é preparado para receber o enxerto e, depois, acompanhamos para que aquele enxerto sobreviva, não seja perdido. angela amaral2 C24H- Nestes dois anos da Comissão de Pele devem ter relatos tristes, verdadeiros milagres, não? Angela – São muitas casos. Tivemos um marcante, de um paciente de São Fidélis, que sofreu um acidente de carro e teve queimaduras de 3º grau do joelho para baixo e de 2º e 1º graus da cintura para cima. E ele já está andando, tendo perdido somente alguns dedos dos pés, que já chegaram aqui totalmente queimados. Na época eu achei que não tinha condições de assumir aquele paciente, mas a direção do hospital apostou e a parceria com a cirurgia plástica fez com que obtivéssemos esse sucesso. Mas são muitos casos... C24H– E os traumas, aqueles que chegam por causa de acidentes de trânsito, por exemplo, com perda de pele? Angela – Esse, aliás, é o grande perfil do HFM, a grande missão, podemos dizer assim. Pacientes chegam politraumatizados, com fraturas expostas, também passam pela Comissão de Pele, além dos pacientes que sofrem acidentes com objetos cortantes, arma branca, arma de fogo, entre outros, todos traumatizados ou politraumatizados. C24H – E no ambulatório do Hospital São José, como funciona? angela amaralAngela – Lá a demanda é grande, com uma média de 3 a 4 mil atendimentos/mês, porque lá é ambulatório, com curativos. Lá atendemos pessoas do programa Pé Diabético e as que já passaram pela nossa Comissão de Pele aqui no HFM, além de outros com úlceras vasculogênicas, entre outros. O paciente recebe alta aqui no Ferreira, mas ele precisa continuar sendo assistido com curativo, por exemplo, neste caso ele passa a ser atendido no São José. C24H– A rede privada tem uma Comissão de Pele como essa pública? Angela – Eu desconheço e sei de muitos hospitais particulares que encaminham esses pacientes para aqui, justamente por ser de boa referência. Aliás, todas as unidades de saúde da região mandam esses pacientes, até mesmo Itaperuna, que tem hospital que é referência em várias especialidades.



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