
O Ginásio Valdir Pereira, na Fundação Municipal de Esportes (FME), hoje não honra o ilustre campista consagrado como o maior jogador da Copa de 1958. No mais completo abandono, se transformou num depósito de entulhos, paredes com avarias e piso totalmente esburacado. Nas demais instalações, um quadro igualmente deplorável se assemelha: banheiros com pisos, vasos e pias quebrados, sujeira e lixo espalhado por todo lado. Ao fundo, uma vegetação alta fez desaparecer o campo de futebol. Nas piscinas insalubres, a sujeira torna impraticável qualquer atividade. O cenário de destruição é de uma praça de guerra em meio a escombros. Assim, o atual presidente da FME, Luciano Viana, encontrou a sede da entidade que passou a gerir desde o dia 21 do último mês. Ele fala ao Campos 24 Horas sobre a situação precária da fundação. (Leia mais abaixo)
— Quando cheguei aqui nesta sala não havia como trabalhar. Chamei um eletricista e pedi para que ele normalizasse a parte elétrica para que instalasse a energia. Não tem cozinha, não tem luz ou água e tivemos que religar tudo também em outras instalações. uma situação deplorável — disse Luciano, que não esperava encontrar a estrutura física da FME em tal situação.
— Isso aqui é a casa do esporte campista. Deveria ser um cartão de visitas, uma referência. Mas o que vemos aqui é o retrato do abandono e da falta de respeito com o dinheiro público, dinheiro nosso. Eu acho que deveria haver uma lei em que o gestor público que deixa um patrimônio público chegar a uma situação como essa deveria ser obrigado a pagar o prejuízo do próprio bolso — sugeriu.
De tão estarrecido com o cenário de terra arrasada, o novo gestor logo decidiu documentar num vídeo as imagens da realidade que encontrou na estrutura física das instalações da entidade. “Eu tive que me preservar porque, antes de tudo, quero documentar como encontrei e como vou entregar a Fundação de Esportes. E prepará-la para que aqui seja realizada alguma modalidade. Porque agora neste momento é impraticável, sem quadra, piscina, banheiros, equipamentos quase todos eles quebrados e instalações sanitárias em estado lamentável. É muito triste ver tanto abandono e desperdício”, declarou.
O que deveria ser um espaço para esporte como lazer, saúde do corpo e da mente tornou-se um ambiente insalubre. Em algumas salas de estruturas igualmente danificadas são vistas sacolas com documentos e arquivos, quase destruídos pela ação do tempo. Resíduos e dejetos são encontrados por todo canto, um convite para a proliferação de animais peçonhentos.
Além do precário estado de conservação da quase totalidade das instalações, Luciano Viana constatou outro dado no inventário de mazelas da FME: poucos funcionários trabalhavam. “Se chega a conclusão que isso aqui era um cabide de empregos. Nos computadores, não havia nada. apagaram tudo”, constatou. (Leia mais abaixo)
DESAFIO - O quadro de destruição com que se deparou, porém, não desanima o dirigente. “Minha vida no esporte e como gestor sempre foi movida a desafios. Vamos encarar mais esse. Como jogador profissional, tive também muitos obstáculos e consegui vencer. No Americano, como gestor e presidente, também não foi nada fácil, mas deixei o clube melhor do que quando entrei. Aqui não vai ser diferente. Isso tudo aqui que encontramos nos causa tristeza e revolta, mas a motivação, a vontade de trabalhar e deixar mais um legado para minha cidade é muito maior”.
Luciano lembra ainda ser grato ao prefeito Wladimir Garotinho (PSD). “Tenho uma dívida de gratidão com minha cidade e com o prefeito Wladimir pelo apoio que recebi quando presidente do Americano”.
Por ter origem no futebol, engana-se que a gestão de Luciano Viana terá um olhar voltado para privilegiar o esporte mais popular do país. “É óbvio que o futebol é um esporte de massa, o mais praticado no país. Vamos incentivar e organizar as competições. Este ano já será possível fazer algo pelos jogos do quarentão ou do cinquentão que movimenta a cidade. Mas vamos abrir espaço para todas as modalidades nas quais Campos tem muitas referências e conquistas.
TODAS AS MODALIDADES - O dirigente já recebeu os presidentes do Americano e do Campos. “Mas mas a fundação é eclética, vamos conversar com representantes de diferentes modalidades para ver o que podemos fazer para atender a demanda em todos os esportes. Nós temos 11 piscinas, ginásios e quadras”, explicou.
Viana lembrou que o esporte se reveste de maior importância no momento de uma pandemia. “Estamos vivendo numa pandemia quando as pessoas precisam da prática esportiva para tornar o corpo mais resistente e saudável”, frisou. (Leia mais abaixo)
Além das instalações da própria FME, Luciano começa a vistoriar e recuperar as vilas olímpicas e espaços como o Jardim São Benedito. "Vou fazer aqui como fiz no Americano. Montar uma equipe capacitada, qualificada e disposta a trabalhar e produzir".
Além do orçamento da fundação, o gestor idealiza fechar parcerias para realizar eventos e competições. “Qual a empresa não gostaria de ser parceira em eventos ou competições, de vincular sua imagem a um acontecimento voltado para o esporte, o lazer e a saúde de uma comunidade?”, concluiu.
CURRICULO - Aos 52 anos, Luciano Viana jogou cinco anos em Portugal. Além de ter sido jogador, gerente de futebol e presidente do Americano, atuou pelo Remo (PA), Vasco, Boavista e Gil Vicente (Portugal), Paraná Clube, Ituano (SP), Vila Nova (GO), Santa Cruz (PE) e Anapolina (GO). No Americano, foi campeão da Taça Guanabara (2002) numa final contra o Vasco, marcando os dois gols nos 2 a 1 contra os cruzmaltinos, tornando-se também ídolo da torcida alvinegra. Mas Luciano começou mesmo a carreira no Goytacaz, onde foi emprestado ainda ao Santos e Fluminense.