15/07/2015 às 03h25 - Foto: Divulgação

Cumprindo prisão domiciliar após ficar preso por pouco mais de um ano na Penitenciária da Papuda, em Brasília, José Dirceu, ex-ministro-chefe da Casa Civil do governo Lula, o cabeça do esquema do mensalão, corre o risco de ser preso novamente – desta vez por ordem do juiz Sérgio Moro, do Paraná, que investiga a corrupção na Petrobras.
Moro pediu à construtora OAS documentos que comprovassem seus negócios com a JD Consultoria, empresa de José Dirceu. A OAS negou-se a fornecê-los. Alegou que eles poderiam ser usados pelo juiz para decretar a prisão de alguns dos seus executivos. Citou em defesa de sua posição decisões da Justiça de Portugal e da Alemanha, que aqui não são válidas.
Delator diz que pagou R$ 4 milhões
O empresário Julio Camargo disse nesta terça-feira que entregou R$ 4 milhões para o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu a pedido do ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque. Ligado ao grupo Toyo Setal, o empresário fez essa declaração durante o segundo dia de interrogatório dos réus da Lava-Jato, de acordo com o advogado Edward Carvalho, que acompanhou a audiência representando a construtora OAS. Camargo colabora com a Justiça Federal desde dezembro do ano passado. O advogado de Dirceu, Roberto Podval, nega que seu cliente tenha recebido esse valor de Júlio Camargo.
A Polícia Federal já havia rastreado o caminho do dinheiro que liga o cartel de empresas que fraudaram a Petrobras a Dirceu. Antes de chegar à JD Consultoria, do ex-ministro, o dinheiro passou por dois intermediários, segundo a investigação. Um deles, Milton Pascowitch, dono da empresa Jamp, disse em delação premiada, no começo do mês, que o pagamento feito a Dirceu era propina oriunda dos desvios da Petrobras.
Laudo da PF mostra que, de 2009 a 2014, durante a vigência do contrato de obras da refinaria, a Camargo Corrêa repassou R$ 67,7 milhões a duas empresas do consultor Julio Camargo, a Piemonte (que recebeu R$ 22,7 milhões) e Treviso (para a qual foram repassados R$ 45,048 milhões). No mesmo período, essas duas empresas depositaram R$ 1,375 milhão a Pascowitch.
Camargo foi o segundo a ser ouvido pelo juiz Sergio Moro, da 4 Vara Federal, nesta terça-feira. Pedro Barusco havia sido o primeiro a ser interrogado. Ele falou por cerca de três horas. De acordo com o advogado Jeffrey Chiquini, Barusco reafirmou que o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto centralizava o recebimento do dinheiro propina do PT.
Advogado de Dirceu nega
O advogado de José Dirceu, Roberto Podval, negou que seu cliente tenha recebido R$ 4 milhões do empresário Júlio Camargo, um dos delatores da Operação Lava-Jato.
— Não vou fazer juízo de valor sobre quem está delatando, as condições em que isso está ocorrendo. Mas o que posso afirmar é que esse tipo de pagamento não existiu. Todos os serviços prestados pelo meu cliente e por sua empresa já foram informados à Justiça, foram emitidas notas fiscais. É uma surpresa para nós que ele traga essa informação agora — disse o defensor.
Para Podval, “se alguém diz que você recebeu valores, essa pessoa tem que provar o que está dizendo”, o que não teria ocorrido no caso de Júlio Camargo.
— Duro é ter que fazer prova negativa — completou o advogado.
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Fonte: Globo online