Campos 24 Horas – O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Nunes Marques, determinou neste domingo (11) a suspensão do canal de WhatsApp "Exército do Lula", criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). A decisão atende a um pedido feito pelo candidato à Presidência senador Flávio Bolsonaro (PL) e vale até o fim do segundo turno das eleições presidenciais.
A decisão também determina que o Facebook, empresa que gere o WhatsApp no Brasil, apresente um relatório com todas as mensagens publicadas no canal e a existência de outros canais criados ou administrados, desde 5 de outubro, pela conta de Janones.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou a medida. Em conversa com jornalistas em São Paulo, o mandatário afirmou que seus advogados entrarão na Justiça Eleitoral para pedir explicações sobre essa medida. De acordo com ele, as medidas da Corte têm sido “tendenciosas” contra a campanha petista.
“Eu acho um absurdo, os nossos advogados vão entrar com um pedido de explicação ao presidente do TSE porque há alguns dias vem acontecendo decisões tendenciosas contra a nossa candidatura. Nós não vamos permitir que seja fechado um canal de um deputado que está pedindo para as pessoas participarem do canal. Não é possível que o presiente da Justiça Eleitoral não tenha um comportamento civilizado, republicano, e deixe as eleições fluairem sem a interferencia da justiça", declarou.
Lula disse ainda estar desconfiado com a postura da Corte eleitoral: "Eles tem bloqueado gente nossa e permitido ações dele (Flávio)". Segundo o presidente, a equipe jurídica vai entrar com um pedido para "equilibrar esse jogo".
"Nas redes nós estamos ganhando o jogo. Nosso povo ta postando muita coisa, está muito ativo e por isso tenho desconfiado da postura da Corte eleitoral que tem blioqueado gente nossa e permitido as ações dele. Por isso vamos entrar com um pedido para equilibrar esse jogo".
A decisão assinada pelo ministro Nunes Marques declara a mobilização de Janones como "lícita" e considera que a estrutura esteja sendo usada para "fins ilícitos, entre os quais a difusão coordenada de fatos sabidamente inverídicos em desfavor de candidato", e por isso pede a derrubada do canal.
Com base nessa avaliação, o presidente da Corte afirma que:
"o canal, que contava com cerca de 55 mil seguidores na manhã de 5 de outubro de 2026, alcançou 2.090.796 seguidores em 7 de outubro e 2.967.820 na tarde de 9 de outubro, e as mensagens nele publicadas somavam, até 7 de outubro, 3.582.366 encaminhamentos;
o administrador não esconde a finalidade do canal, pois afirmou aos seguidores que “tudo que ele mandar falar de narrativa, vocês vão falar”, que com um milhão de pessoas “eu consigo controlar a narrativa no país inteiro” e, em transmissão de 8 de outubro, que a regra é “comando único”, “só obedece” e “agir igual um robô”;
o que o canal manda repetir são, em grande medida, afirmações que esta Corte já reconheceu como inverídicas em processos movidos contra o próprio administrador, como a de que o requerente pretenderia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil, a de que estaria “envolvido com a milícia” e as de que reduziria aposentadorias, pensões e Benefício de Prestação Continuada (BPC) ou teria mandado cancelar o reajuste do Bolsa Família;"
E pede que a plataforma suspenda em no máximo duas horas o canal "Exército do Lula" até o segundo turno e suspenda a conta de Janones.
A decisão cita como exemplos publicações que vinculam Flávio à retirada do título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida, a redução das aposentadorias e o envolvimento com a milícia.
Nas redes sociais, Janones repudiou a decisão do TSE e afirmou que "se Flávio Bolsonaro for eleito, a censura será instalada".
A mobilização começou depois do primeiro turno das eleições. Flávio terminou a primeira rodada com 47,03% dos votos enquanto o atual presidente recebeu 45,16%.
Fonte: CNN