quinta-feira 04 de dezembro de 2014 - Foto: Arquivo/Campos 24 horas

Acidentes de motos têm sido frequentes nas metrópoles brasileiras e nas grandes cidades do país. Grande parte destes acidentes vem de um problema cultural no Brasil onde condutores de automotivos e motociclistas não respeitam as regras do trânsito. De acordo com estatísticas do Hospital Ferreira Machado (HFM), nos últimos 12 meses, 3.847 vítimas de acidente de moto deram entrada na unidade. Em cinco anos, foram 13.754. O resultado disso tem sido muitas vítimas perdendo a vida e outras ficando com sequelas graves.
Segundo pesquisas, o alto índice de acidentes com moto é derivado do momento econômico que o país viveu nos últimos anos, permitindo que muitos brasileiros adquiram carros e motos financiados em até 60 meses, sendo a moto um veículo de baixo custo e de fácil circulação no meio do caótico trânsito das grandes cidades, o que gera imprudência e, consequentemente, acidentes.
Dados da Guarda Civil Municipal apontam que, de janeiro a julho deste ano, é grande o número de condutores que ultrapassam sinal vermelho e dirigem utilizando telefone celular, além dos motociclistas que trafegam sem capacete. “O custo de atendimento é extremamente elevado, pois muitas vezes, o acidentado precisa passar por cirurgias complexas e, até mesmo, receber próteses de alto valor no mercado. Sem falar no principal custo, que é a própria vida, e as sequelas de muitos dos acidentados, que levarão, em alguns casos, a tratamentos longos, de alto custo, podendo levar à recuperação da mobilidade ou não da vítima”, informa o secretário de Governo, Suledil Bernardino.
- O governo federal, assim como incentiva o crédito para aquisição de motos, precisa investir em publicidade, de natureza educativa, em nível nacional, com a finalidade de mudar a cultura brasileira de veículos motorizados. A conta pelo tratamento de acidentados, no interior do país, está ficando totalmente por conta dos municípios, que vêm sofrendo, cada ano que passa, com mais serviços e menos recursos federais – lembra o secretário.
Suledil ressalta que o município vem fazendo sua parte ao investir na ampliação de ciclovias e ciclofaixas. "Antes de 2009, eram pouco mais de sete quilômetros de ciclovias. Hoje, já são mais de 50 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas e cerca de 16 em fase de implantação. Mas, tudo isso, tem que ser aliado à conscientização e ao respeito ao trânsito", diz o secretário.
O HFM é classificado como nível 3 pelo Ministério da Saúde e funciona como referência regional no atendimento de emergência, principalmente, de trauma. Para a unidade hospitalar, são direcionados os casos traumáticos graves do eixo da BR-101 entre a divisa com o estado do Espírito Santo e o limite com a cidade de Macaé, além da BR-356 no trecho entre Santo Antônio de Pádua e São João da Barra.
Preocupado com o grande número de pacientes internados na clínica cirúrgica vítimas de acidentes motociclísticos, o presidente da FMS, José Manuel Moreira, solicitou o levantamento e os dados são preocupantes. “Essas vítimas, quando não perdem a vida, ficam com sequelas gravíssimas, na maioria das vezes”, comentou, lembrando que o Hospital conta com uma equipe de traumatologistas, diariamente, de plantão para atender pessoas vítimas de acidentes.