A Prefeitura informou ao Campos 24 Horas que finalmente recebeu um novo lote de vacina contra a influenza. A partir da próxima segunda-feira (3), a imunização acontece, enquanto houver estoque, em 15 postos, sendo que na sede da Secretaria Municipal de Saúde é exclusivo para gestantes e puérperas. Já no o Centro de Referência e Tratamento da Criança e do Adolescente (CRTCA1), que funciona na Cidade da Criança, além das gestantes e puérperas, também são vacinadas crianças com idade entre 6 meses a 6 anos, 11 meses e 29 dias. Nos demais postos são por livre demanda. No entanto, as vacinas disponíveis não protegem contra a gripe H3N2, nova cepa responsável pelos casos registrados.
A vacina contra a nova variante do vírus influenza H3N2, a Darwin, deve chegar ao Brasil na segunda quinzena de fevereiro, início de março de 2022.. O Instituto Butantan, maior produtor de vacinas para a gripe do Hemisfério Sul, já iniciou a preparação dos bancos virais para atualizar o imunizante contra essa nova variante, que vem causando surtos no país. (Leia mais abaixo)
Como funciona a vacina da gripe O diretor do Butantan, Ricardo das Neves, explica que a vacina produzida pelo instituto é a chamada trivalente, ou seja, abriga três cepas. "A composição é sempre um vírus H1N1, um vírus B e um vírus H3N2. Ao longo do tempo, esses vírus vão sofrendo mutações e, seguindo as orientações da OMS, a gente vai atualizando" (veja mais abaixo como é feita a atualização).
As vacinas quadrivalentes, disponíveis no mercado privado, têm na composição quatro cepas. "A diferença é que a quadrivalente tem uma cepa B a mais. Na trivalente, temos só a B victoria. O Butantan vem trabalhando no desenvolvimento da vacina quadrivalente e ela deve sair nos próximos anos", diz o diretor.
No entanto, ele alerta que a vacina trivalente, disponível no SUS, cobre muito bem o vírus influenza, pois mais de 90% dos casos de cepa B que circulam no país são da linhagem victoria. "A outra cepa tem uma relevância pequena para o próximo ano".
Atualização das vacinas As atualizações de cepa da Organização Mundial da Saúde ocorrem duas vezes por ano: Em fevereiro, com recomendações para o Hemisfério Norte Em setembro, com recomendações para o Hemisfério Sul (onde está o Brasil)
"A OMS junta os dados e avalia o que aconteceu no inverno do Hemisfério Sul. Geralmente, os casos de gripe aumentam entre final de abril e maio até julho e agosto. Esses dados da OMS vão embasar a composição da próxima recomendação, que ocorre em setembro", explica Ricardo das Neves. O mesmo processo ocorre para o Hemisfério Norte, mas em fevereiro. (Leia mais abaixo)
Entre as recomendações da OMS para o próximo ano está a linhagem Darwin. Ricardo explica que o Butantan ainda está produzindo o imunizante contra a nova variante.
O que são os bancos virais? "Os bancos virais são as sementes para produzir os Insumos Farmacêuticos Ativos (IFA)", diz das Neves. O IFA é a matéria-prima para a produção de qualquer vacina.
O diretor explica que o Butantan recebe dos laboratórios referência da OMS um volume muito pequeno, uma amostra do vírus, e que os cientistas amplificam esse vírus para começar a produção.
Por que temos vacinação anual contra a gripe? As vacinas de influenza não criam memória a longo prazo, explicou o diretor de produção do Butantan. Além disso, todo ano há atualização de cepas. "A eficácia diminui quando tem uma mutação do vírus, mas ainda protege. As mutações são relevantes, mas os vírus continuam sendo parentes, como se fosse primos. A produção diminui, mas ainda existe".
Sobre os surtos de influenza registrados no Brasil, Ricardo lembra que é natural a proteção da vacina diminuir um pouco após cinco, seis meses (a campanha de vacinação no país começou em abril). Contudo, a procura pela vacina da gripe esse ano foi menor, já que muitas pessoas priorizaram a vacinação contra a Covid-19. (Leia mais abaixo)
Redação com informações do g1