Dezenas de membros de três igrejas evangélicas de Guarus também caíram no golpe do falso emprego no Porto do Açu. Trata-se do segundo estelionatário que age na cidade e que foi denunciado à Polícia Civil. Desta vez, estima-se que o prejuízo total pode chegar a R$ 50 mil. Após a divulgação feita ontem de que um estelionatário foi preso no Parque Cidades Luz (aqui), após dar o mesmo golpe e enganar cerca de 150 pessoas, que pagavam para conseguir um emprego no Porto do Açu, o Campos 24 Horas foi procurado por um membro da Igreja Batista, situada no Parque Rio Branco, um bairro que fica perto do Hospital Geral de Guarus (HGG), onde 27 membros foram vítimas do segundo estelionatário. E neste caso, o estelionatário foi ainda mais audacioso: levou as vítimas para pegar documentos na Prefeitura de São João da Barra e também esteve com elas no Porto do Açu. As outras vítimas são membros das igrejas Assembleia de Deus e Maranata, do Parque Cidade Luz. Veja o relato do membro da Igreja Batista e os detalhes do golpe.
O entrevistado, cuja identidade pediu para ser preservada, diz que o estelionatário também era membro da Igreja Batista e foi conquistando a confiança das vítimas. “Ele levou dois anos freqüentando a igreja e dizia representar a Empresa MR, que presta serviços ao Porto. Ele nos mostrou uma papelada referente a planos de saúde que teríamos direito. Tudo em papel timbrado com o CNPJ da empresa. E foi nos convencendo que iria conseguir vagas de supervisor, vigilantes, entre outras”, disse. (Leia mais abaixo)
Os valores que foram pagos pelas vítimas são diferentes, afirma nosso entrevistado. Segundo ele, o valor dependia da função, e ressalta que não havia má fé por parte das pessoas que pagavam, porque o acusado cobrava alegando ter despesas com combustíveis, alimentação, documentos, entre outras despesas, durante seus deslocamentos.
“O valor pago era de acordo com a função e outros detalhes, como a dificuldade para conseguir documentos. Um dos membros da igreja chegou a pagar R$ 3 mil. Até o pastor foi uma das vítimas”, revela nosso entrevistado.
AUDÁCIA
A audácia com que o estelionatário agiu chamou a atenção da Polícia, porque chegou a estar com as vítimas na Prefeitura de São João da Barra, sob alegação de que precisavam ter uma declaração emitida pela prefeitura para conseguir as vagas no porto.
“Ficamos no carro, enquanto ele (o estelionatário) entrou na prefeitura com a cópia dos nossos documentos. Em outro dia, fomos ao Porto do Açu com ele”, conta o entrevistado, que acrescenta: (Leia mais abaixo)
“No Porto, tivemos acesso à uma área de visitantes. Apontando para os galpões das empresas, ele nos dizia onde iríamos trabalhar. E quando passamos perto de um grupo de funcionários do Porto, ele (estelionatário) fez um aceno com a mão. Os funcionários responderam. Mas, agora descobrimos o que aconteceu. Os funcionários do porto não o conheciam, mas também o cumprimentaram por educação”, diz nosso entrevistado.
Nos primeiros levantamentos feitos pelas próprias vítimas, foi descoberto que o acusado de estelionato, cujo nome é Felipe e tem 33 anos, teve vários endereços em Campos. Alugava casas e mudava-se pouco tempo depois, sem pagar o aluguel. A família dele reside em um bairro de Guarus. O pai do estelionatário, segundo as vítimas, disse que o filho despareceu após uma viagem ao Rio.
O delegado titular da 146ª DP/Guarus, Pedro Emílio, informou ao Campos 24 Horas que está organizando as investigações dos dois casos e prevê que a polícia terá muito trabalho nos próximos meses.