Após nova operação da PF, Rodrigo Bacellar será transferido para um presídio federal

Nova fase da 'Operação Unha e Carne' apura agora ligação do ex-presidente da Alerj, pastor e bicheiro com a “Máfia do Cigarro”


  • 02/07/2026, 07h52 Atualização às 14h33, Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo.

Campos 24 Horas - Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Alerj, será transferido para um presídio federal após nova fase da Operação Unha e Carne nesta quinta-feira (02). Detido desde março, Bacellar foi levado à Polícia Federal no Rio (foto acima) nesta manhã. A operação também tem como alvos Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido bicheiro, e o pastor Márcio Poncio. A ação envolve suspeitas de ligação com a “Máfia do Cigarro” e  vazamento de informações e favorecimento ao Comando Vermelho.

 A OPERAÇÃO -  Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (02/07), a quinta fase da Operação Unha e Carne para apurar indícios de lavagem de dinheiro praticada pelo “capo da nova cúpula do jogo do bicho" e possível ramificação do esquema junto a integrantes dos Poderes Executivo e Legislativo do Estado do Rio. Na ação, os agentes cumprem três mandados de prisão preventiva e 14 de busca e apreensão. Entre os alvos estão o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) Rodrigo Bacellar, o contraventor Adilsinho — ambos já presos — e o pastor Márcio Poncio, preso em um hotel na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio. Inclusive,  Bacellar será transferido do Complexo Penitenciário de Bangu, em Gericinó, para um presídio federal. (Leia mais abaixo)

Márcio Poncio é pai de Sarah Poncio, deputada estadual. Ele  é investigado por possíveis ligações com a “Máfia do Cigarro”. Já Adilsinho é apontado como o chefão desse esquema.

Na ação de hoje, policiais federais cumprem cumprem três mandados de prisão preventiva e 14 mandados de busca e apreensão expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em endereços vinculados aos investigados, nas cidades do Rio de Janeiro e São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Além disso, o STF determinou o sequestro de bens e valores até o montante de cerca de R$ 22 milhões.

Esta é a quinta etapa da investigação conduzida pela Polícia Federal. As fases anteriores apuraram uma suposta rede de proteção que teria permitido o repasse de informações sigilosas sobre operações contra o Comando Vermelho (CV), comprometendo ações policiais e beneficiando integrantes da facção. Segundo os investigadores, os vazamentos teriam atrapalhado diligências, possibilitando a destruição ou ocultação de provas.

Esta nova fase teve início após a apreensão de listas em poder de Adilsinho indicarem a existência de registros relacionados a supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e contabilidade vinculada à lavagem de capitais. As listas chamaram a atenção dos investigadores por apontarem possíveis repasses diretos de valores a agentes políticos do Estado do Rio. Segundo a PF, as investigações prosseguem com a análise do material apreendido, a identificação do fluxo financeiro investigado e a apuração da participação de eventuais beneficiários, intermediários e operadores do esquema.

Operação Unha e Carne  As primeiras fases da Operação Unha e Carne foram deflagradas entre dezembro de 2025 e março deste ano. Na primeira etapa, Rodrigo Bacellar, então presidente da Alerj, tornou-se alvo da investigação sob suspeita de repassar informações sigilosas da Operação Zargun, que mirava o Comando Vermelho. De acordo com a Polícia Federal, o principal beneficiado pelo suposto vazamento seria o ex-deputado Thiego Raimundo de Oliveira Santos, conhecido como TH Joias, apontado como articulador político da facção e preso durante a ofensiva. (Leia mais abaixo)

Ainda em dezembro de 2025, a investigação avançou para a segunda fase e passou a apurar a origem dos supostos vazamentos. Na ocasião, a Polícia Federal prendeu preventivamente o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). Segundo os investigadores, o magistrado teria repassado informações sigilosas a Bacellar, que posteriormente as transmitiria a TH Joias. A PF afirma ter reunido mensagens, registros de ligações e outros elementos que apontariam para uma relação próxima entre os dois.

A terceira fase da operação foi deflagrada em março deste ano. Rodrigo Bacellar voltou a ser preso, desta vez em sua residência, em Teresópolis, na Região Serrana do Rio. A medida foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes após a cassação de seu mandato pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no âmbito do caso Ceperj, e depois de denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Na ocasião, a investigação passou a ser tratada também no contexto da ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, por envolver possíveis impactos sobre a atuação do Estado no combate ao crime organizado. Em maio, a quarta fase da Operação Unha e Carne ampliou o foco das investigações e passou a apurar um suposto esquema de fraudes em contratos da Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro. A Polícia Federal cumpriu sete mandados de prisão e 23 de busca e apreensão na capital e nos municípios de Campos dos Goytacazes, Miracema e Bom Jesus do Itabapoana, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo a corporação, as apurações apontaram indícios de direcionamento de contratos para aquisição de materiais, contratação de serviços e realização de obras de reforma em escolas estaduais. As empresas beneficiadas teriam sido previamente selecionadas e manteriam vínculo com a organização criminosa investigada.

Fonte: Extra e G1



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