Norte Fluminense tem força produtiva do abacaxi em nível nacional

Estado está entre os quatro maiores produtores; São Francisco, Campos, São João da Barra e Quissamã se destacam


  • 01/12/2025, 14h13, Foto: Reprodução.

O Rio de Janeiro ocupa posição de destaque no ranking de produtores de abacaxi, em nível nacional. O estado está entre os quatro maiores, tendo em São Francisco de Itabapoana, Campos dos Goytacazes, Quissamã e São João da Barra, juntos, um dos maiores territórios contínuos de produção do Brasil. A área cultivada no estado pode chegar a quase 12 mil hectares.
 
O quadro promissor foi realçado em debates sobre produtividade, novas variedades, desafios e os avanços para a criação da Indicação Geográfica (IG) do produto da região norte do estado na programação que marcou o Dia D do Abacaxi, sábado (30), em São Francisco do Itabapoana, na localidade de Imburi, reunindo produtores, técnicos e pesquisadores.
 
Realizado pela Associação dos Produtores de Abacaxi do estado (Apra-Rio), focada na cadeia produtiva da fruta no norte fluminense, a iniciativa contou com apoio da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-Rio), Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) e Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Foi detalhado que o IG exige padrões técnicos, rastreabilidade e decisões coletivas.
 
O professor Paulo César Santos, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), iniciou seus estudos sobre a cultura no norte fluminense há dez anos, pela Uenf. Ele explica que “Abacaxi do Norte Fluminense” é um selo que garante qualidade, autenticidade e origem da fruta produzida no território: “A iniciativa fortalece o produtor, reforça o vínculo cultural da atividade e reconhece a tradição da região na produção do abacaxi”.
 
Paulo César ratifica defende a padronização dos processos e a necessidade de dados atualizados, ratificando que a construção da IG depende de uma leitura precisa da realidade produtiva: “Os dados oficiais muitas vezes não refletem o campo. Se considerarmos perdas de até 50% por doenças, não podemos trabalhar com médias desatualizadas de 20 mil frutos por hectare”.
 
GUARDIÃO DA MARCA - Segundo o professor, já há produtores superando 30 mil: “O IG precisa se apoiar em números reais para fortalecer a identidade territorial. A associação (Apra-RJ) será a guardiã da marca. A IG envolve custos, normas e escolhas estratégicas que só fazem sentido quando tomadas de forma conjunta. Um produtor isolado não tem a mesma força que um CNPJ organizado”.
 
Pesquisadores envolvidos nas avaliações apontam que, além dos ganhos produtivos e econômicos, a IG amplia o potencial do turismo de experiência, agregando valor ao território. Existe consenso de que com o selo, propriedades poderão promover vivências de colheita, degustações, visitas guiadas e roteiros gastronômicos ligados ao abacaxi. Passam a ser atrativos turísticos a paisagem agrícola, as histórias de família e o modo tradicional de plantar.
 
Outra constatação é a ampliação de oportunidades para agricultores familiares, mulheres rurais e jovens que desejam permanecer na atividade. Na opinião do presidente da Apra-Rio, Heraldo Meirelles, a produção de abacaxi vive um momento de crescimento: “Vivemos um momento único. Duas variedades já foram lançadas e outras estão prestes a chegar ao produtor”.



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