domingo, 30 de março de 2014 - Foto: Campos 24 Horas
Entrevista / Paulo Dias_____________________________________ Diretor de projetos viários do Instituto Municipal de Trânsito e Transporte (IMTT) (Leia mais abaixo)
Imagina dentro do tema mobilidade urbana, planejar um município com cerca de 500 mil habitantes, onde circulam mais de 220 mil veículos cadastrados (incluindo carros, caminhões, ônibus, motos e outros devidamente emplacados, sem contar as bicicletas), o que dá uma média de um veículo para três campistas, enquanto o perfil nacional aponta um veículo para quatro brasileiros. Aliado a tudo isso, imagina esse mesmo município com um atraso neste setor de quase 20 anos, praticamente sem investimento nenhum nesta área, segundo os especialistas em transporte. Continue imaginando essa cidade, apesar do crescimento populacional, com uma cultura ainda de cidade do interior, onde muitos acham que tudo podem, como por exemplo, estacionar fora das faixas permitidas, não respeitar as sinalizações nas vias públicas, colocar quebra molas em todos os caminhos, sem critérios, entre outros que ferem o Código Nacional de Trânsito.
Agora imagina uma equipe que cuida deste trabalho e, principalmente, de quem a comanda. Aí entra o diretor de projetos viários do Instituto Municipal de Trânsito e Transporte (IMTT), Paulo Roberto Ribeiro Dias, técnico em estrada, arquiteto e urbanista, além de engenheiro de segurança do trabalho, já tendo atuado no setor de trânsito no Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Acre. Paulo mostra números e diz que com sua experiência e conhecimento, não sabe de nenhuma cidade no estado do Rio que esteja investindo tanto em infraestrutura (pavimentação) e, em sequência, em mobilidade urbana, como Campos. Segundo ele, igual a Campos somente a capital, mas assim mesmo, com uma série de retenções, só com incentivos federais e com obras visando grandes eventos, através do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Paulo Dias é um sonhador e sonha com uma Campos preparada para daqui a 20 anos.
Campos 24 Horas– Vamos começar falando do seu trabalho. Como é neste setor?
Paulo Dias– A gente cuida de toda a parte de trânsito, tipo sinalização (vertical, horizontal e semafórica) e operações na cidade em obras ou eventos que dependam de interdição de vias. Também passa por aqui, além de informações (pareceres) para aprovação de projetos de arquitetura, caso de construção de grandes empreendimentos, tipo conjuntos residenciais, shoppings Center, campo de futebol, isso na parte de aprovação viária entorno, como estacionamentos e outros.
C24H – Agora vamos falar de problemas. Quebra molas é um deles. Todos querem ter um em frente de casa... (Leia mais abaixo)
Paulo – É. Mas não existe por parte do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) uma regulamentação fechada sobre eles, são poucas diretrizes, o que se sabe bem é onde eles não podem ser colocados. A partir daí fica mais a cargo do órgão de trânsito local, segundo o Código Brasileiro de Trânsito. Em Campos todos os bairros estão passando por pavimentação e isso faz com que, pavimento de melhor qualidade, veículos transitem em maior velocidade. Mas as ruas continuam sendo de interior de bairro, de acordo com classificação viária.
C24H– Então, trata-se de faca de dois gumes, porque a população vai pedir quebra molas. Não é?
Paulo– Sim e é isso que acontece. Aumenta o número de solicitações, realmente, mas tem locais que por causa da especificação que falei acima, não podem ser colocados. O morador tem que solicitar, através de abaixo assinado, ou quando estatística aponta que há perigo. O órgão vai estudar a viabilidade e necessidade para a execução ou não. Os colocados por conta própria, por exemplo, comum em bairros e ruas menores, a gente solicita à secretaria de Obras que faça a remoção. E bairros novos, o asfalto já é preparado para a implantação do quebra molas, quando necessário.
C24H– E o quebra molas que foi colocado recentemente na subida da ponte Leonel Brizola em direção a Guarus? Pode?
Paulo – Ali não é quebra molas, é um trafic calm, uma passagem de pedestres no mesmo nível da calçada e meio fio, como tem em alguns pontos no Centro Histórico. É um caminho para o pedestre atravessar com um pouco mais de segurança, porque ali o motorista tem que passar mais devagar. O trabalho no local não terminou, vai ser feita faixa de pedestre por cima. (Leia mais abaixo)
C24H– E o projeto Onda Verde? Está parado?
Paulo– Não. O onda verde é necessário onde há maior intensidade de veículos e onde hjá sinais muito próximos. Assim, quando um sinal abre, outros a frente também, como se fosse mesmo uma onda. Só que para vias de dois sentidos, como 28 de Março, por exemplo, a empresa não consegue o sincronismo nos dois lados. O onda verde está na 28 de Março no sentido Turf Club/IFF, da rua dos Goitacazes a Barão da Lagoa Dourada, na Arthur Bernardes sentido trevo da BR 101/28 de Março, na Alberto Torres da Barão de Miracema a rua Álvaro Tâmega. Também na rua Gil de Góis toda e estamos trabalhando para melhorar o sistema na avenida José Alves de Azevedo.
C24H– Mesmo assim, o trânsito em Campos está um caos. Como explicar isso?
Paulo– Em todo o país os responsáveis buscam a melhoria do transporte coletivo, desestimulando o transporte individual, além de incentivar o transporte alternativo ecologicamente correto, como a bicicleta. Em Campos grande número de pessoas usa o individual para trabalhar, por ainda não se ter um transporte de qualidade (inclui quantidade, assiduidade e outros). E nosso governo vem trabalhando para isso. Você pode perguntar, de que forma? Licitando um sistema que alcance esse objetivo e, somado à licitação de ônibus, a licitação do aeromóvel com etapas já sendo cumpridas e, também, a breve utilização da linha férrea da FCA para transporte de passageiros. Então são três vertentes que vão fazer a diferença em Campos.
C24H– O senhor acredita que isso vai mudar o trânsito no município? (Leia mais abaixo)
Paulo – Tenho certeza. Assim, com a licitação dos ônibus, a licitação do aeromóvel e a linha férrea, teremos três modais de transporte no município, aliado à reestruturação de trajetos e construção de terminais, ganhando a população um transporte de qualidade e um trânsito fluente. Quem trabalha com mobilidade urbana sabe que não se resolve o problema com uma ação isolada. São várias que fazem o conjunto, como o governo vem fazendo. Sem contar que vai ser mais econômico para a população.
C24H– O senhor falou sobre incentivo ao transporte alternativo, como a bicicleta. Campos está nesta linha de pensamento?
Paulo– Claro que sim. Estamos com licitação em andamento para completar ações, com criação de ciclovias. Estão sendo criadas e em muitos trechos já foram, ciclofaixas e bicicletários fazendo ligação das ciclovias existentes. Teremos 11 pontos de bicicletários, no Centro Histórico, Praça São Salvador, terminal urbano, Cidade da Criança, entre outros. Assim, a pessoa que quiser deixar sua bicicleta em qualquer dos 11 bicicletários e apanhar outra condução ou seguir para o trabalho, o fará com segurança.
C24H – Mas tem outras reclamações da população sobre trânsito em Campos. A RJ 216...
Paulo – Junto com a secretaria de Obras, o IMTT vem trabalhando para melhorar a sinalização local, aproveitando os espaços para ciclovias. Ali não tem quebra molas, porque tem que se respeitar os parâmetros de uma rodovia. Mas tem sinalização para redução de velocidade nas partes de travessia e com acessibilidade nos pontos de interesse, alinhado aos pontos de parada de ônibus. Já as vias laterais, sim, tem quebra molas, redutor de velocidade e tudo mais, porque recebeu tratamento para o condutor não confundir rodovia com via de bairro. ________________________________ Postado por Fabiano Venancio (Leia mais abaixo)