“Ninguém atira pedra em árvore que não dá frutos”

Campos 24H entrevista o secretário da Família e Assistência Social, Geraldo Venâncio


domingo, 28 de dezembro de 2014     -      Foto: Campos 24 Horas Postado por: Fabiano Venancio Geraldo Venancio verticalEm sentido figurado, a árvore citada acima, título dessa matéria, é um programa que foi plantado há cinco anos e já deu mais de cinco mil frutos, mas, mesmo assim, vez ou outra vem sendo apedrejada. E nem por isso a “árvore” cai ou morre, pelo contrário, continua dando frutos e a previsão é de que nesta segunda temporada de semeadura, dê quase a mesma quantidade de frutos da primeira. Esse é mais ou menos o pensamento do atual gestor do programa, um médico, que recentemente se aborreceu com um comentário de que estaria deixando crianças fora da sombra desta “arvore” e, pior ainda, que elas estariam correndo perigo de vida em meio a escombros, o que não ficou comprovado pelo Comissariado de Justiça da Infância, da Juventude e do Idoso do município. O atual secretário da Família e Assistência Social, Geraldo Venâncio, resume o Programa Morar Feliz, consagrado hoje como o maior programa habitacional do país em âmbito nacional, na história acima. E foi ele que afirmou que, como médico do SUS há quase 40 anos, nunca deixaria crianças morando em meio a escombros como foi dito no caso da comunidade da Margem da Linha, local vistoriado por membros do Comissariado no dia 22 passado e, de acordo com relatos de moradores, “...não havia crianças e adolescentes em situação de risco, vez que estariam sob responsabilidade de parentes em outros bairros...”. Veja a entrevista Geraldo VenancioCampos 24 Horas – O senhor ficou aborrecido com alguns segmentos da mídia ao falarem de crianças correndo risco na Margem da Linha... Geraldo Venancio– Claro, fiquei, porque como médico foge aos meus princípios deixar crianças numa situação como a que foi citada. Eu tenho em mãos o relatório do Comissariado de Justiça da Infância, da Juventude e do Idoso que não encontrou no local as crianças citadas. O relatório diz ainda que os comissários foram informados que havia uma criança na localidade, “numa casa que era muito simples, mas que não estava demolida e, aparentemente, fora de situação de risco, sendo guarnecida por cômodos e móveis”. C24H – O relatório também diz que às 25 famílias do local que possuem filhos foi oferecida inserção no Programa Aluguel Social e elas não estariam encontrando casas para alugar... Geraldo – Curioso é que todas as 25 famílias assinaram documento para comparecer à secretaria na semana passada para as providências ao Aluguel Social, mas somente duas delas compareceram. Essas duas, no entanto, já estão com contrato assinado para se mudarem para suas casas provisórias. Hoje a prefeitura mantém 269 famílias em Aluguel Social, totalizando R$ 99.198,00 e o pagamento das casas está em dia. A prefeitura não pode procurar a casa, porque está pagando, as pessoas devem procurar a casa, do jeito delas e a gente efetua o pagamento. E também foi oferecido a elas casas no Morar Feliz de Saturnino Braga, onde foram construídas 90 casas. C24H– E porque elas foram ainda para Saturnino Braga? Geraldo Venancio 3Geraldo – Porque não quiseram. Elas afirmaram que era muito distante e que preferiam esperar as próximas que estarão prontas em Ururaí. Como se trata de demanda judicial, eu propus até excluir pessoas já cadastradas para Saturnino Braga, que poderiam esperar mais um pouco para receber as casas, como forma de atender de imediato a essas 23 famílias. Ou seja, nós estamos apresentando duas opções: aluguel social e casa no Morar Feliz de Saturnino Braga. C24H– Em 2009, quando a Prefeita Rosinha Garotinho assumiu existia um deficit de 11 mil moradias. E hoje? Geraldo – Olha, o governo vai chegar dentro de poucos dias, com a entrega das casas de Saturnino Braga, à marca de seis mil casas entregues à população, tendo retirado 24 mil pessoas de áreas de risco. Mas, por incrível que pareça, o deficit não é de quatro mil como se poderia contabilizar e, sim, 10 mil. Isso mostra que o Morar Feliz mudou paradigmas e todo mundo quer casa, fazendo com que pessoas até de outros municípios venham para Campos com esse intuito, embora elas não possam ser beneficiadas, já que entre outros critérios, um deles é residir a mais de três anos na cidade. Sem falar nos problemas que surgem, como casais que forjam separações para que cada um obtenha uma casa, ou ainda, pessoas que colocam um filho no quintal de casa e diz que ele faz parte de uma outra família, e por aí vai... C24H – No serviço social, esses fatos citados acima são denominados estratégia de sobrevivência. E no caso de quem vende as casas? Geraldo Venancio 2Geraldo– Crime. Antes das famílias receberem as casas, elas respondem a um criterioso questionário socioeconômico e têm que estar dentro dos critérios. E se vendem, é porque não precisavam e mentiram quando foram questionadas da necessidade. Quem vende perde o direito e não pode entrar mais no programa. Mas nós detectamos pessoas que ganharam, venderam e quiseram entrar novamente no programa, como se fossem passa despercebidos. Teve até um que colocou anúncio de venda no Google, falando inclusive da boa infraestrutura do local, com foto e tudo da casa do programa. C24H– O programa é considerado de excelência. Na sua opinião, porque jogam tanta pedra nele? Geraldo– E quem joga pedra? Quem joga pedra é o grupo do “quanto pior, melhor”, que a todos os momentos desqualifica qualquer ação ou projeto municipal, tudo em nome da política. Eu acho que se pode fazer oposição a um grupo político, mas não precisa ser ao município num todo. E esse grupo deprecia o poder de avaliação da população, prova disso é a demanda de pessoas ao Morar Feliz, por exemplo. Oposição responsável e prepositiva é uma coisa e isso não é o que vemos da oposição em Campos. O que a oposição acha que ganhou no município? C24H – Mas o senhor também já esteve do outro lado, também já foi oposição ao grupo atual que governa o município... Geraldo– Fui e naquela época era uma oposição mais no campo da ideologia, não se critica por criticar, aliás, nem existiam esses programas de excelência como hoje. E como já disse se fazia uma oposição responsável e prepositiva. Em oito anos de mandato fiz 72 projetos e fiscalizei o Executivo fazendo proposições realizáveis. E a oposição atual? Nem ganhou nada. Quem ela elegeu em Campos, por exemplo? Um deles teve uma votação inexpressiva, outro perdeu também apesar de ter mais votos, outro a mesma coisa, e por aí vai. Garotinho não ganhou a eleição no estado do Rio, mas ganhou em Campos, além disso, o nosso grupo elegeu a deputada Clarissa Garotinho, a que recebeu maior votação proporcional no país, reelegeu o deputado Paulo Feijó, elegeu Bruno Dauaire e elegeu Geraldo Pudim. A oposição só quer atacar... C24H – O Programa Minha Casa Minha Vida é federal. Qual a ingerência que tem o governo municipal nele? Geraldo – A gestão é do município, toda a parte de cadastro. Em março vamos entregar 600 casas do programa no bairro Santa Rosa e em agosto mais 900 casas no Jardim Aeroporto. O Morar Feliz ao final de oito anos terá deslocado 10% da população de áreas de risco. E ou não é um grande programa?



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