Nike diz que rompeu com Neymar após jogador não colaborar em investigação por assédio sexual

"Wall Street Journal" revela denúncia de funcionária, que teria sido assediada em 2016, e empresa confirma que há investigação aberta. Atacante nega todas as acusações


  • 28/05/2021, 14h10, Foto: Reprodução/Instagram.

O fim precoce do contrato entre Neymar e a Nike envolveu uma denúncia de assédio sexual contra o atacante. É o que revelou uma reportagem desta quinta-feira do “Wall Street Journal”. Ao jornal, a conselheira geral da empresa de materiais esportivos, Hilary Krane, confirmou que o rompimento veio após o jogador não colaborar com as investigações do caso, que teria ocorrido em 2016.

– A Nike encerrou seu relacionamento com o atleta porque ele se recusou a cooperar em uma investigação de boa-fé de alegações confiáveis feitas por uma funcionária de irregularidades cometidas – declarou Krane, ao jornal norte-americano. (Leia mais abaixo)

Diante da publicação nesta quinta, a Nike se posicionou por meio de nota e confirmou que houve a denúncia de assédio sexual contra Neymar. Segundo o “Wall Street Journal”, o contrato do jogador com a empresa tinha mais oito anos de duração quando foi encerrado, em setembro do ano passado. O camisa 10 do PSG logo firmou acordo com a Puma, que não comentou sobre o tema. A empresa afirma que o assunto não foi tratado publicamente porque a investigação ainda está em curso.

– A investigação foi inconclusiva. Não emergiram fatos suficientes que nos permitam falar substancialmente sobre o assunto. Seria inapropriado para a Nike fazer uma declaração acusatória sem poder oferecer fatos que a suportem. A Nike encerrou sua relação com o atleta porque ele se recusou a cooperar em uma investigação de boa-fé de alegações críveis de uma funcionária. Continuamos respeitando a confidencialidade da funcionária e reconhecemos que essa tem sido uma longa e difícil experiência para ela – afirmou a empresa, por meio de nota divulgada à imprensa.

A funcionária da Nike autora da denúncia afirma que Neymar tentou forçá-la a fazer sexo oral em seu quarto de hotel em uma viagem do jogador a Nova York. Ela coordenava a logística dos eventos nos quais o atacante participaria. Ao “Wall Street Journal”, uma porta-voz do jogador brasileiro negou todas as acusações.

– Neymar Jr. se defenderá vigorosamente contra esses ataques infundados caso alguma reclamação seja apresentada, o que não aconteceu até agora – diz a nota enviada pela representante do brasileiro, que reitera que a separação foi por motivos comerciais.

Logo após a veiculação da reportagem, o pai de Neymar deu uma entrevista à GloboNews e também negou com veemência que o filho tenha cometido assédio. (Leia mais abaixo)

"Nós estamos surpresos, a gente não sabe o que está acontecendo, só soa estanho para a gente. Por que a Nike solta essas coisas agora?", disse o pai de Neymar.

O pai do jogador brasileiro negou que o contrato com a Nike tenha sido encerrado após a denúncia de assédio.

– Claro que não, claro que não, ela queria fazer uma investigação que a gente não sabia (da alegação de assédio sexual)... O contrato da Nike foi rompido unilateralmente por falta de pagamento. Não tem nada a ver com isso (assédio) – declarou o pai de Neymar.

A denúncia da funcionária foi feita ao chefe de recursos humanos e conselho geral da empresa em 2018, depois de uma pesquisa interna da Nike sobre o tratamento às mulheres. A multinacional contratou advogados do escritório Cooley LLP, um dos mais prestigiados dos Estados Unidos, para conduzir a investigação, que começou em 2019.

Naquele momento, Neymar foi retirado das ações de marketing da empresa, segundo documentos obtidos pelo “Wall Street Journal". O jornal diz que representantes do atleta foram ouvidos na investigação, mas o próprio atleta se recusou a ser entrevistado. (Leia mais abaixo)

O caso teria ocorrido em junho de 2016, quando Neymar fez uma campanha publicitária no Citi Field, estádio de beisebol de Nova York. Na ocasião, o atacante se encontrou com o ídolo do basquete, Michael Jordan. A mulher que acusa o jogador brasileiro é funcionária da Nike há muito tempo e coordenava a logística do evento.

Naquela noite, o grupo foi a uma boate para comemorar e, segundo o “Wall Street Journal”, funcionários do hotel onde Neymar estava hospedado pediram ajuda à mulher e outro representante da Nike para que levassem o atacante ao seu quarto. O jogador estaria muito embriagado.

Ao entrar no local, a vítima afirma ter tido um breve momento sozinho com o brasileiro, que a impediu de sair do quarto. Neymar teria tirado a cueca e a forçado a fazer sexto oral. A funcionária relatou o incidente a vários amigos e colegas da empresa, segundo pessoas ouvidas pelo “Wall Street Journal”.

A porta-voz de Neymar ouvida pelo jornal citou o caso de 2019, quando o atacante também foi acusado de assédio sexual, em caso arquivado pela Justiça posteriormente.

– Semelhante às alegações de agressão sexual feitas contra ele em 2019 – alegações de que as autoridades brasileiras consideraram Neymar Jr. inocente – essas alegações são falsas – diz a representante do jogador. (Leia mais abaixo)

Neymar se manifesta sobre investigação e acusação de assédio sexual

O atacante Neymar se manifestou pela primeira vez, na manhã desta sexta-feira, sobre a alegação de que o contrato dele com a Nike foi rompido após uma denúncia de assédio sexual. O jogador do Paris Saint-Germain e da seleção brasileira tratou as afirmações da empresa de material esportivo como absurdas e mentirosas.

Em publicação em seu Instagram, Neymar disse que não teve a oportunidade de se defender e que acredita que o tempo "tratá as verdadeiras respostas".

A íntegra da nota de Neymar:

"Os fatos podem ser distorcidos porque as pessoas os enxergam de ângulos diferentes. Não temos como negar que a vida é assim. Faz parte! Até entendo quando alguém faz uma crítica sobre minhas condutas, minha forma de jogar e de viver a vida. Somos diferentes! Eu realmente não entendo como uma empresa séria pode distorcer uma relação comercial que está apoiada em documentos. As palavras escritas não podem ser modificadas. Elas sim são muito claras. Não deixam dúvidas! Desde os meus 13 anos, quando assinei meu primeiro contrato, sempre fui alertado: não fale sobre os seus contratos! Contratos são sigilosos! Contrariar essa regra e afirmar que o meu contrato foi encerrado porque não contribuí de boa-fé com uma investigação isso é absurdo, mentiroso. Mais uma vez sou advertido que não posso comentar em público. Indignado vou obedecer! Mas a matéria do WSL é muito clara. Em 2016 parece que já sabiam desse acontecimento. Eu não sabia! Em 2017 viajei novamente para os EUA para campanha publicitária, com as mesmas pessoas, nada me contaram, nada mudou! Em 2017, 2018, 2019 fizemos viagens, campanhas, inúmeras sessões de gravação. E nada me contaram. Um assunto com tamanha gravidade e nada fizeram. Quem são os verdadeiros responsáveis? Não me deram a oportunidade de me defender. Não me deram a oportunidade de saber quem é essa pessoa que se sentiu ofendida. Eu nem a conheço. Nunca tive nenhum relacionamento. Não tive sequer oportunidade de conversar, saber os reais motivos da sua dor. Essa pessoa, uma funcionária, não foi protegida. Eu, um atleta patrocinado, não fui protegido. Até quando? Ironia do destino continuarei a estampar no meu peito uma marca que me traiu. Essa é a vida! Sigo firme e forte acreditando que o tempo, sempre esse cruel tempo, trará as verdadeiras respostas. Fé em Deus!" (Leia mais abaixo)

Manifestação da NJR Sports:

"É importante esclarecer que os reais e verdadeiros fatos são totalmente dissociados da afirmação prestada. Não obstante todas as inverdades relatadas, não apresentaremos, por ora, os documentos que revelam a forma de encerramento do contrato, por questões óbvias de estrito sigilo e confidencialidade, em total observância aos princípios éticos e de governança corporativa que devem nortear a conduta de uma companhia. As medidas cabíveis estão sendo adotadas".

 
 
 
 
 
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Uma publicação compartilhada por NJ 10 🇧🇷 (@neymarjr)

Fonte: Globo Esporte (Leia mais abaixo)



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