Hoje entrevistaremos a Dra Andressa Amaral - Neuropsicopedagoga e especialista em neuromodulação autorregulatória, para falarmos um pouco destes novos tratamentos para transtornos mentais
Campos 24 Horas - Dra. o que é exatamente a neuroterapia?
Dra. Andressa Amaral - Na verdade são diferentes técnicas de neuromodulação autorregulatória, ou seja, técnicas que buscam modificar padrões de ondas cerebrais disfuncionais em pacientes com algum transtorno, de modo que o próprio paciente encontre caminhos no decurso do tratamento a se autorregular, por meio de recursos de feedback.
C24H - E quais as estas técnicas de neuroterapia mais utilizadas?
AA- hoje as mais utilizadas são as técnicas de neurofeedback, por ser um procedimento não invasivo e não medicamentoso e com resultados muito satisfatórios.
C24H - O que é exatamente o neurofeedback?
AA - O equipamento de Neurofeedback consegue detectar os padrões de ondas cerebrais e redirecioná-los para otimização do equilíbrio e potenciais cerebrais. Também conhecido como Eletroencefalograma Biofeedback, através deste equipamento as habilidades naturais do cérebro são estimuladas, regenerando e desenvolvendo suas potencialidades.
É uma técnica que vem sendo muito utilizada como opção em tratamento para TDAH, Depressão, Ansiedade, Insônia, Dificuldades de Aprendizagem e de memória, dentre outros, por ser não medicamentosa.
C24H - Como é o tratamento através do neurofeedback?
AA - Antes de iniciar o tratamento o aparelho faz através do sistema de EEG espectral, uma avaliação de P.O.C – padrão de ondas cerebrais, para avaliar em quais freqüências o cérebro atua enquanto ele realiza tarefas, que ativam áreas diferentes do seu cérebro (cálculos, leituras, memorizações, raciocínios lógicos, concentração). De posse desta avaliação inicial, é possível detectar quais áreas cerebrais estão com seu desempenho comprometido e que precisam ser ensinadas a trabalhar de maneira mais funcional.
Após esta avaliação o sistema gera um treinamento individualizado, concentrado nas áreas cerebrais que estiverem disfuncionais do referido paciente.
A terapia com Neurofeedback é completamente natural e se dá através de condicionamento operante, no qual o cerebro identifica e altera as frequências das ondas cerebrais nas áreas que demandam correção.
C24H - Existem outras técnicas de neuroterapia?
AA - Sim, há a neurometria, que também é um sistema de neurofeedback, contudo nesta técnica além do treinamento no consultório, o paciente faz exercícios orientados pelo terapeuta em casa. Contudo, as duas são eficazes, quem avalia o melhor caminho a ser utilizado é o profissional responsável pela supervisão do tratamento do paciente.
C24H - Em quais casos pode ser aplicado neurofeedback?
AA - Inúmeros são as patologias beneficiadas com este tratamento. Dentre elas: Déficit de Atenção e Hiperatividade – TDAH; Dislexia e Demais transtornos da aprendizagem, Controle de crises convulsivas na epilepsia; Prevenção de cefaleias de tensão e enxaquecas; Ansiedade e Stress; Depressão e outras perturbações do humor; Distúrbios do sono; Síndrome do Pânico; Hiperatividade, Depressão, etc.
Além disso, neurofeedback tem sido muito utilizado para treinos de alta performance.
C24H - De que forma o neurofeedback ajuda em situações de alta performance?
AA - O aperfeiçoamento de cérebros saudáveis também pode ser beneficiado com o Neurofeedback, aumentado suas capacidades cognitivas, de concentração, de criatividade e também no desempenho de atletas, artistas, executivos, educadores e outros profissionais. Muito usado para: Otimização da performance no esporte; Treino de otimização da Performance Mental (Mente de Alta Performance); Otimização da Performance Profissional; Aumento de concentração e memória para concursandos e vestibulandos também é muito utilizado.
C24H - O neurofeedback pode substituir medicação?
AA - O tratamento medicamentoso deve ser bem acompanhado e administrado e alcança níveis de eficácia sendo capaz de produzir os resultados positivos a que se propõe. Mas há diferenças importantes. As alternativas não medicamentosas, como é o caso do neurofeedback, são totalmente naturais e não invasivas, indolores, sem contraindicações ou efeitos colaterais desconhecidos. Há busca por estes tratamentos tem aumentado muito em função dos efeitos colaterais das medicações que muitos pacientes acabam sofrendo, além dos resultados duradouros alcançados com as neuroterapias.
C24H - Quantas sessões são necessárias?
AA - Isso é muito relativo. Inicialmente inicia-se com 20 sessões, no mínimo 2x por semana por ser neuromodulação autorregulatória e a cada término de protocolo de 20 sessões o paciente é reavaliado. Há muitos casos em que com 30/40 sessões em média o paciente recebe alta.