Não tem cara, não tem cor, não tem sexo, não tem idade...

CAMPOS 24H ENTREVISTA o coordenador do Programa Municipal DST/Aids e Hepatites Virais, Alexandre Sereno


10/01/2016    01h53   |     Foto: Campos 24 Horas Alexandre2Postado por: Fabiano Venancio Verão é tempo de sol, mar, diversão, descontração, paquera em barzinho e muito mais. Talvez por tudo isso, infelizmente, seja também um período em que as pessoas mais se descuidam e deixam de se prevenir quando o assunto é sexo, colocando de lado a única arma contra a Aids e as Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST): o preservativo. O tempo passa, o mundo globalizado evolui, novas tecnologias surgem, mas a mentalidade, para muitas pessoas ainda continua a mesma. A mentalidade que nega o preservativo com a velha história de que “é como chupar bala sem tirar o papel” ou, ainda, de que não é necessário se fazer pré-natal corretamente, acaba fazendo com que mais e mais pessoas se infectem e mais e mais crianças nasçam com o vírus HIV. O pior é que o preconceito, que também mata, não é diretamente com a doença e, sim, com a origem, que é o sexo. Em Campos o governo municipal está seguindo à risca a filosofia do Ministério da Saúde, que objetiva testar cada vez mais a população para ter revelação de diagnóstico o mais rápido possível. O coordenador do Programa Municipal DST/Aids e Hepatites Virais – Centro de Doenças Infecto-Parasitárias (Cedip 2), ligado à Secretaria de Saúde, que funciona na rua 1º de Maio, no Centro, Alexandre Farias Sereno, explica que o município está descentralizando essa testagem, com teste rápido agora nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), como forma de facilitar a vida das pessoas, evitando que elas se dirijam ao Cedip 2. O resultado sai em apenas 25 minutos. entrevista Campos 24 Horas – Vamos começar pela novidade. Como está funcionando essa descentralização de exames? AAlexandre Sereno 8lexandre Sereno – Preciso ressaltar que, primeiro, em 2013/2014 começamos essa descentralização com as gestantes, que podem fazer o teste na própria UBS que ela faz o pré-natal e não mais exclusivamente no Cedip 2. Em 2015 partimos para o resto da população, já com a testagem atualmente em sete UBSs (UBSF Santa Cruz, UBSF Lagoa de Cima, UBSF Conceição do Imbé, UBSF Morangaba, UBSF São Martinho, UBSF Ponto da Lama, UBSF Pernambuca). E o teste é para HIV, sífilis e Hepatites B e C. C24H – E como está a adesão ? As pessoas estão procurando as unidades? Alexandre – A procura pelo teste nas unidades ainda é baixa, mas muitos já aceitam com tranquilidade. E o resultado está dentro do previsto, ainda nada alarmante. O melhor disso tudo é que pactualizado que o exame nas UBSs não segue o critério da territorialidade, ou seja, a pessoa pode fazer em qualquer unidade que tiver a oferta. Temos uma equipe treinada para o diagnóstico, com profissionais de nível de 3º grau, que fazem a demanda espontânea, sem precisar de encaminhamento. Pretendemos até julho estarmos ofertando esse serviço em 30 unidades. C24H – Essa descentralização preconizada pelo MS faz parte da campanha nacional “Fique Sabendo”? Alexandre – Sim. O Ministério da Saúde não desiste do preservativo, que ainda é uma arma contra as DST/Aids, mas usa outras estratégias, como por exemplo, a descoberta do diagnóstico rápido. E quando descobre logo a doença, se trata também mais cedo. Talvez porque todos nós sabemos que o preservativo ainda seja uma questão de educação e, desta forma, um processo mais demorado. Mas ele continua sendo super importante dentro deste contexto todo. C24H – E qual é a importância da testagem de modo geral? alexandre sereno capa 2Alexandre– A prevenção com a doença. A partir daí fica mais fácil controlar, porque ela não é crônica, mais é possível se ter uma sobrevida. Tem paciente, por exemplo, que leva de 8 a 12 anos sem manifestar a doença. Aqui a testagem pode ser feita por indicação médica ou espontânea, às terças, quintas e sextas-feiras, de 8 às 12h. Temos o teste convencional que leva 15 dias para ter o resultado e o teste rápido que o paciente tem em mãos em 15 minutos. C24H – Vamos falar de números. De um ano para outro cresceu muito? Alexandre – Infelizmente sim e do ano passado para este ano houve um aumento de cerca de 40% de casos.  Em 2013 foram 102 casos, em 2014 foram 141 e em 2015 foram 148. Antes a diferença era que dentro destes números a maioria era mulheres e, agora, a maioria é homens e jovens, na faixa dos 16 aos 25 anos.  E em Campos, até então, essa faixa etária não chamava tanto a atenção como agora em 2015. C24H– Tem equipe multidisciplinar para acompanhamento todo em caso de teste positivo? Alexandre– Sim. E os melhores profissionais, os mais competentes e dedicados à causa. Temos infectologistas, clínicos, ginecologistas, oftalmologistas, dermatologistas, nutricionistas, psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros, técnicos de enfermagem, farmacêuticos, técnicos de laboratório e pessoal administrativo. Todos os profissionais são no plural, porque a qualquer hora do dia e todos os dias, o paciente pode contar com eles aqui. Neste ponto não existe problema, não tenho dor de cabeça, porque eles são abnegados mesmo. C24H– Diante de tanta mentalidade atrasada e do preconceito velado, o que o Cedip faz para reverter esse quadro? Alexandre Sereno-DST Aids-RA (2)Alexandre – Temos um programa de educação continuada, onde fazemos palestras sempre que somos convocados, seja por empresas, escolas, instituições não governamentais, entre outros. Participamos também do Programa Saúde na Escola (PSE) e de Semanas de Prevenção de Acidentes nas empresas. Temos profissionais qualificados para isso. Sem falar que temos aqui um dispensário com preservativos e a pessoa pega quantos quiser. Também distribuímos para as Unidades Básicas de Saúde. C24H– Qual é a área de abrangência do Cedip? Alexandre – Nós atendemos pacientes de Campos, São Fidélis, São João da Barra, São Francisco do Itabapoana e Cardoso Moreira. Mas também temos pacientes do Espírito Santo e outros estados e não podemos deixar de atender, porque o SUS é universal. Nosso ambulatório é referência, porque não tem esse atendimento especializado na rede do município, nem na região. C24H – E quais os serviços ofertados? Alexandre – Atendemos crianças, jovens, adultos, idosos e gestantes. Temos o Centro de Testagem e Aconselhamento para a população fazer o teste para ver se é HIV ou não, além de ambulatório de doenças infecto-parasitárias, como Leishmaniose, Doença de Chagas e outras. E se após o teste der HIV, o paciente tem todo um acompanhamento durante todo o tempo necessário. Outro serviço ofertado é o de acidente biológico (acidente de trabalho, como o se furar com agulha de seringa, por exemplo).



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