17/04/2016 09h30 | Foto: Campos 24 Horas
Postado por Fabiano Venancio
Embora seja lei desde 2010, cerca de 80% dos municípios do Brasil ainda não cumpriram a Lei nº 12.305, que regulamenta toda dinâmica dos resíduos sólidos e define a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, entre outras questões. Dos poucos 20% dos municípios que já estão cumprindo a lei, destaca-se Campos, pioneiro na região.
A lei fala sobre a implantação do destino correto aos resíduos seja por parte de pessoa física ou por pessoa jurídica. Dentro deste contexto Campos apresenta números e que não são baixos, mas podem e devem aumentar. E neste caso, o meio ambiente agradece e as pessoas que vivem dos produtos oriundos da coleta seletiva de lixo também.
E se tratando de coleta seletiva, a opinião das autoridades no assunto é que ainda falta conscientização sobre ela. O coordenador da coleta seletiva em Campos, Franklin Cherene, sabe muito bem sobre isso, porque vive no seu dia a dia, junto com a equipe da Superintendência de Limpeza Pública, promovendo a coleta seletiva e, ainda, tentando conscientizar as pessoas da sua importância. “A visão social ambiental é importante, além da visão social, porque reciclando a gente vai colocando alimento na mesa de muita gente”, diz Franklin Cherene.
Campos 24 Horas – A lei nº 12.305 fala de destinação correta do lixo. O que seria isso?
Franklin Cherene – Tudo devidamente separado e colocado em seu devido lugar. Por exemplo: Na parte de destinação correta do lixo hospitalar, Campos também é referência, porque todo ele é levado para a Codim para passar pelo autoclave, um aparelho de calor úmido sob pressão, que tira toda contaminação que possa trazer prejuízo ao ser humano e ao meio ambiente. Esse material hospitalar só vai para o aterro sanitário de Conselheiro Josino depois que passa por este processo. Outra destinação correta diz respeito aos recicláveis, que não vão para o aterro, mas sim para as duas cooperativas da cidade.
C24H – Quais cooperativas?
Franklin – As cooperativas formadas por ex-catadores, localizadas no parque Aldeia e no bairro Novo Eldorado. Todo material proveniente da coleta seletiva vai para essas cooperativas que, por sua vez, depois de trabalhar esse material, vende e transforma em dinheiro, fonte de renda mensal para sobrevivência. E a novidade aí é que a Prefeitura já está preparando a terceira cooperativa, que será na Codim.
C24H– Sim, mas o que não é reciclável, o chamado lixo orgânico?
Franklin – Este vai para o aterro sanitário de Conselheiro Josino. Dentro do tema destinação certa, tem ainda o óleo de cozinha queimado que nós recolhemos e, através de convênio com empresa privada, este é transformado em sabão. E para incentivar as pessoas a separarem esse óleo e não jogarem na pia da cozinha, contaminando o meio ambiente, a cada dois litros, em troca as pessoas recebem um detergente de 500ml. Mensalmente são recolhidos na cidade de 8 a 9 mil litros de óleo, isso em residências, restaurantes, quiosques e outros.
C24H – E por falar em lixo, ainda vimos muitos pneus jogados por aí. E quanto a eles?
Franklin – Nós também temos destinação certa para eles, que é o Ecoponto de Pneus, na avenida Carlos Alberto Chebabe, no bairro Ceasa. De lá os pneus são encaminhados para as fábricas de reciclagem. Para você ter umas ideia, por mês a gente recolhe cerca de 7 mil pneus velhos na cidade. Esse trabalho, lançado em 2012, tem importante papel não só na parte ambiental, mas também na área de saúde.
C24H – O senhor falou na novidade que está para ser lançada nesta área? Que novidade é essa?
Franklin – Sim, é a Usina de Reciclagem de Entulho, que está sendo preparada. Ela vai absorver restante de obras, material de demolição de imóvel, entre outros e transformar tudo isso em areia, brita I, II e III. E o que é melhor é que todo esse material será usado dentro das necessidades da própria Prefeitura, na restauração de bairros e muito mais. Isso também é dar destinação correta a esse tipo de lixo.
C24H– Vamos falar de números. Estes são bons para a destinação final de todo material?
Franklin – São bons, mas podem melhorar ainda mais. Hoje nós recolhemos cerca de 120 mil kg (120 toneladas) de recicláveis, coletados de residências, empresas, condomínios, escolas, igrejas e outros. Estes locais onde coletamos dá uma média de 5.290 cadastros aqui na superintendência. Nossa meta é conseguir recolher 150 mil quilos de recicláveis, ou seja, 150 toneladas.
C24H – E o que precisa para chegar a esse número?
Franklin - Que as pessoas se conscientizem da importância de separar o lixo e, principalmente, que coloque ele para fora de casa no dia em que o caminhão da coleta seletiva passar, que tem dia e hora marcados e avisados a eles. Porque, caso contrário, o caminhão que recolhe lixo diariamente, vai pegar aquele lixo reciclado e levar, porque não sabe e aí vai todo um trabalho por água a baixo. Qualquer dúvida as pessoas podem ligar para o 2726-4345 e saber direitinho esse dia e hora que a caminhão da coleta seletiva vai passar na sua rua.