Na matemática da vida somar valores é fundamental
Atualizado: segunda-feira, 30 de abril de 2014 - Foto: Campos 24 Horas
Entrevista / Joilza Rangel____________________________________
Secretária de Trabalho e Renda da Prefeitura de Campos
Em poucos meses muita coisa muda, principalmente, no poder público. Pode ser para melhor ou para pior, dependendo do plano de governo, gestor, equipe de trabalho, programa, projeto, parceria, entre outros, causando impacto direto na população que precisa do serviço. E para que a mudança seja favorável é preciso muito esforço, fazendo com que números positivos também apareçam, como por exemplo, os da secretaria municipal de Trabalho e Renda, que colocou Campos em 36º lugar num universo de 50 municípios, como a cidade que mais contratou em 2013, de acordo com Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), órgão do Ministério do Trabalho. Sem falar nas 4 mil 734 carteiras assinadas no mesmo ano, à frente de São Gonçalo (lá são cerca de um milhão de habitantes), Macaé, entre outras cidades. Em resumo, em todo o Estado, Campos ficou atrás somente de Niterói.
A matemática acima é apresentada pela gestora do órgão, a professora Joilza Rangel Abreu, àquela, conhecida como dirigente da Escola Albertina Azeredo Venâncio, como a professora que implantou o Ciep Luiz Carlos de Lacerda, em Travessão, como diretora do Liceu de Humanidades, como Coordenadora Regional de Educação, entre outros trabalhos desenvolvidos ao longo dos seus 38 anos de magistério. Joilza soma, multiplica e adiciona argumentos na luta para que as pessoas estudem, se qualifiquem e saiam da dependência dos benefícios, como Cheque Cidadão, Bolsa Família e por aí vai. Segundo ela, o balcão de empregos da secretaria hoje é respeitado e procurado pelo empresariado, não só de Campos, mas de toda região, mas, na maioria vagas abertas, o que se pede é qualificação. Por isso é que a secretaria oferece tantos cursos, afirma Joilza.
Campos 24 Horas – Há sete meses fizemos matéria com a senhora, que falou de um trabalho de escuta começado nas comunidades...
Joilza Rangel – É verdade. O trabalho continua e foi intensificado, indo agora para a baixada. Inicialmente a gente foi em algumas localidades, conversou com os moradores, levantou as necessidades, o que eles queriam em termos de cursos e, ainda, o que aquele empresariado dali podia oferecer para seus mais preparados. Agora partimos para localidades, como Ponta Grossa, Tocos, Espírito Santinho, Barra do Furado, entre outras, preparando alguns para formação de agentes culturais. Iremos desenvolver cursos nessa área para os jovens, principalmente aqueles em situação de vulnerabilidade social. Já conversamos com os gestores da cultura do município, buscando parcerias.
C24H – Mas o que tem um projeto cultural com a secretaria de Trabalho e Renda?
Joilza Rangel – Mas não é um projeto cultural. É um projeto com foco no conhecimento e, a partir dele, no trabalho e na geração de renda. O curso, que deve começar em junho, irá formar jovens como uma espécie de mini guias de turismo, como já existe em outros estados. Para isso eles terão que fazer o curso, conhecer a sua região, seus valores históricos e culturais. Fazemos isso para descobrir vocações e trabalhar em cima delas, dando oportunidade aos cidadãos. É um trabalho itinerante, uma secretaria itinerante, que vai até às pessoas.
C24H – Na outra entrevista, a senhora também falou sobre os cursos do Pronatec. Ainda existem?
Joilza Rangel – Claro que existem e agora alcançando outras pessoas, com outros perfis. Ainda dentro deste trabalho descentralizado que falei acima, estivemos em Barra do Furado para apresentar os cursos do Pronatec que serão desenvolvidos na Universidade Rural e foi sucesso. Fizemos o mesmo em Farol, Goitacazes e adjacências. Encaminhamos quase 850 inscrições para os cursos e, agora, a triagem socioeconômica para ver quem vai realmente fazê-los, cabe ao governo federal, que dará bolsa de R$ 150 a 200 para ajuda de custo. E tem mais cursos por aí...
C24H– Quais mais por aí?
Joilza Rangel – Ainda pelo Pronatec, tem cursos de almoxarife, auxiliar administrativo, agente de alimentação escolar, auxiliar de cozinha. Na área off shore tem para operador de empilhadeira, operador de guindaste, homem de área, montador de andaime, taifeiro, movimento de cargas, totalizando 286 vagas, em parceria com a iniciativa privada e com bolsas parciais. Sem falar nos cursos em atividade, de cozinheiro básico e soldador. E já estamos com mais novidades em termos de cursos e oportunidade imediata de trabalho. Só em 2013 foram qualificados quase mil e 500 pessoas através da secretaria.
C24H– Mas como assim, oportunidade imediata de trabalho?
Joilza Rangel – Podemos dizer assim, pela necessidade do mercado. Fizemos uma parceria com a empresa Odrebrech para cursos na área da construção civil, envolvendo perdreiro, carpinteiro, armador, azulejista e outros, buscando a qualificação, justamente para atender a demanda local, que carece de pessoas qualificadas nestas áreas, o que quer dizer que os melhores vão acabar sendo absorvidos para as vagas abertas. Estamos agora procurando um espaço para o curso, que terá aulas teóricas e práticas, por isso a necessidade de um local maior.
C24H – Existem em Campos muitos profissionais que não têm curso e trabalham muito bem...
Joilza Rangel – Sim, mas na construção civil, por exemplo, as grandes empresas acabam colocando um profissional que não tem curso, como ajudante, ganhando menos do que aquele comprovadamente qualificado. Por isso fizemos uma parceria com o Instituto Federal Fluminense (IFF), encaminhando este tipo de profissional para cursos dentro do programa Certifique.
C24H – E pela questão da qualificação que o número de vagas oferecidas pelo balcão de empregos não diminui muito?
Joilza Rangel – Também, mas não é só por isso não. Diariamente nos chegam mais oportunidade de vagas de emprego, com um diferencial a mais agora: oportunidade até para quem tem 3º grau, como médicos, nutricionistas, fisioterapeutas, enfermeiros, entre outros. Até mesmo para pessoas com deficiência temos ofertas de vagas, mas, entramos aí na mesma questão da qualificação. Por isso estamos fazendo parcerias com a Apoe e Educandário São José, para cursos visando a demanda que surge de imediato.
C24H – O balcão também prepara a pessoa para a vaga existente?
Joilza Rangel - A pessoa que não tem currículo, a gente confecciona e, ainda, ensina como se portar numa entrevista de emprego. E tudo isso faz com que o órgão tenha credibilidade perante o empresariado, sem falar na vantagem que ele tem em procurá-lo, porque ali é um espaço onde ele pode fazer contato com o profissional a partir da indicação de sua necessidade, fazer a entrevista se quiser e por ai vai. O serviço do balcão é determinado pelo empregador, se ele quer o currículo por e-mail, separado e selecionado por categoria, entre outros critérios. E, finalmente, caso o candidato não tenha a carteira de trabalho, a gente faz a primeira parte da emissão.
C24H – Emissão de carteira de trabalho também?
Joilza Rangel – É e para você ter uma ideia, só em 2013 foram mais de 17 mil emitidas. E só nestes primeiros meses deste ano, já emitimos 654 carteiras. Hoje elas são digitalizadas e a primeira parte desse trabalho nós fazemos, em parceria com a Superintendência do Ministério do Trabalho, que fica com a fase final do documento. Esse trabalho é oferecido de segunda à sexta-feira, das 8 às 17h.
C24H – Resumindo, como professora que é, a senhora não deixa de praticar a arte de educar por aqui...
Joilza Rangel -Aqui tem haver com a educação também, porque se mostra a importância de se capacitar e a importância na vida das pessoas da escola formal. É um processo educacional, ensinando que as pessoas que não se qualificam, perdem oportunidades e, em consequência, dinheiro.
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Postado por Fabiano Venancio