Músicas do MC Poze fazem 'propaganda' para facção, afirma secretário de Polícia Civil

Delegado Felipe Curi declarou que canções de 'falso artista' são péssimos exemplos para jovens da comunidade. Funkeiro disse sofrer perseguição


  • 29/05/2025, 13h21, Foto: Divulgação .

O secretário de Estado de Polícia Civil, Felipe Curi, afirmou que as músicas de Marlon Brandon Coelho Couto, o MC Poze do Rodo, são "instrumentos de propaganda para a facção Comando Vermelho". O cantor foi preso em casa, nesta quinta-feira (29), no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste. Ele é investigado por envolvimento com a organização criminosa, tráfico de drogas e associação ao tráfico. O funkeiro disse estar sofrendo perseguição.  (Leia mais abaixo)

Em coletiva de imprensa na Cidade da Polícia, no Jacaré, Zona Norte, o secretário declarou que as músicas do MC são usadas para divulgação da narcocultura da facção. "Esse suposto MC transformou a música num instrumento de divulgação da narcocultura do Comando Vermelho. As letras são instrumentos de propaganda dessa organização criminosa, enaltecendo o uso de drogas, tráfico e fomentando as disputas rivais", explicou Curi, que também reportou que as músicas são péssimos exemplos para jovens da comunidade.

"É um falso artista que com suas letras enaltece o CV. Ele só fazia show nesses territórios, com criminosos com fuzis para o alto, enaltecendo esses crimes, como o tráfico de drogas. Esse tipo de ação na comunidade é um péssimo exemplo, esse instrumento (música) servia como aliciamento de menores para facção. Quem tem que ser exemplo para criança e adolescente é o pai, a mãe, o médico, o professor, o próprio policial que tá lá dando sua vida para proteger as pessoas e não um elemento como esse, aquilo ali não é manifestação cultural".

Ainda segundo o delegado, a organização vem atuando em duas vertentes, a do crime organizado no geral e a da divulgação. "Eles têm cantores, MCs e influenciadores criando uma falsa narrativa de que o crime que eles praticam é uma necessidade pessoal e fomentando narrativas anti-policiais. As músicas têm um alcance grande e muitas das vezes são muito mais lesivas que um tiro de fuzil feito por um traficante. São canções que extrapolam qualquer movimento artista, são instrumentos que propagam o crime organizado", frisou. 

De acordo com o delegado André Neves, diretor do Departamento Geral de Polícia Especializada (DPGE), uma das últimas músicas do Poze evidencia o apoio ao CV. "A última música dele é: 'Vamos tomar o Rodo, Antares, e é o CV'. Um exemplo trágico disso é assassinato do policial Marquini, que deixa três filhos, um expecional policial, deixou uma família. E os criminosos estavam voltando dessa guerra que ele estava enaltecendo", disse.

O policial civil da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), João Pedro Marquini, de 38 anos, foi morto a tiros de fuzil em março deste ano, em Barra de Guaratiba, na Zona Oeste. Na época, ele estava de folga, em um veículo logo atrás da mulher, a juíza Tula Mello, do III Tribunal do Júri do Rio, quando foi surpreendido por bandidos. (Leia mais abaixo)

 



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