Integrantes do MST fazem protesto em Campos

Eles reivindicam emissão de posse às famílias que ocuparam a Fazenda Três Marias, em Quisamã


quinta-feira, 26 de março de 2015      -     Foto: Filipe Lemos/Campos 24 Horas MST1 MST3Pelo menos 70 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) fizeram um protesto nesta quinta-feira (26) à tarde, em frente ao prédio da Justiça Federal, no Centro em Campos. Os manifestantes do acampamento Nelson Mandela, que ocupam as terras da Fazenda Três Marias, em Quissamã, há mais de 10 anos, lutam pela emissão de posse, que poderia ser dada pelo juiz da 2ª Vara Federal. MST2De acordo com um dos integrantes do acampamento, José Nogueira, o latifúndio é improdutivo e a fazenda está em processo de desapropriação desde 2002, quando os integrantes ocuparam o local. Os representantes do MST declararam, em discurso, que a ideia é transformar a fazenda, cujas terras foram consideradas improdutivas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em um campo de produção de alimentos não só para as famílias, mas também para moradores de Campos, com um preço mais acessível do que o normal A coordenadora geral do acampamento Nelson Mandela, Idaci de Souza Coutinho, contou que o proprietário recorreu na Justiça dizendo que a fazenda é produtiva. "O processo está aguardando decisão. O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) já fez perícia e constatou que, quando tomamos posse, as terras não eram produtivas. O proprietário recorreu e entrou na justiça alegando que as terras eram produtivas. Foi realizada outra perícia e deu produtiva. Estamos aguardando que a Justiça tome providências logo e encaminhe um perito do Incra mais uma vez", disse Idaci. "Toda área que por lei não cumpre o lado social deve ser revertida para reforma agrária. Já sabemos que o dono da fazendo está com muitas multas. Além de crime ambiental, ele também não paga nenhum tipo de imposto. A fazenda não gera emprego e renda. Nós estamos aqui reivindicando pelo nosso direito. São muitas pessoas debaixo de lona e muita terra parada, sem nenhum tipo de uso", desabafou a coordenadora do acampamento Inaci. O advogado representante do movimento, Teodomiro de Almeida, afirmou que o Incra entrou com uma petição para que fosse emitido o documento de posse aos Sem Terra. “A manifestação acontece para agilizar algo que já deveria ter sido resolvido há anos. É preciso colocar a casa em ordem. Expliquei ao juiz que as pessoas não estão aqui para fazer tumulto, mas para reivindicar os direitos. Ele disse que não tem como estabelecer um prazo para finalizar o processo, devido ter muitos na frente e réus presos”, finalizou o advogado.



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